Outubro 25, 2009

Chapter V

E a ansiedade queimava um corpo já agastado, semi-destruído pelos dias, pelos meses, pelas horas e milésimos de segundo. Repentinamente após aquela partida mais que desejada, a partir daquele dia no calendário mais que continuamente adiado e esperado, o espírito fundia-se com o corpo na plenitude de um oxigénio limpo, um azoto inerte, um efusivo suspirar. Anything you said to me was lost in ether overseas and timing changes everything when i was right . Alívio, pele ressequida por um suor oculto, ardida por um fogo invisível, afinal, fire walk with me .

Calma, harmonia, reorganização. Re-posição, ajuste, a uma nova realidade. À minha realidade, totalmente e fortuitamente roubada, violada. only you can make you happy oh . Naquele instante ela lentamente caminhava para mim, debruçava-se sobre mim, sorria-me como que troçava da minha ignorância. Da minha falta de senso, da minha perda, má sorte, falta de sorte. Onde tudo foi wrong.

Gent. Parte V .

Continuação de momentos, continuação de um emaranhado de raivas e incompreensões, de injustiças diárias com as quais tinha de lidar obrigatoriamente, necessariamente, impotentemente, imponentemente. Que me incendiaram a carne, a tolerância, que desafiaram os limites. Confronto. Tempo. Que me fugiu. Que operou entusiasticamente uma derivada parcial no meu peito, que me simultaneamente agrediu. Perda. De sentidos, de noções. De cores, de sabores. Confronto. Again. A necessidade de conciliar, a urgência em vingar, em vencer, em dar. O momento que aconteceu e não aconteceu. Ela. Sempre a mesma. Mudança? Nunca! Sempre a mesma. Eu a ter que saber lidar. Continuamente. Periodicamente, um cansaço incomensurável. Inviável, impossível. Não. Mais que possível. Muito mas muito desgaste. Felicidade. A saia branca e eu dormindo sobre a cama com o leve susurrar do vento, a percorrer o meu corpo. O pleno adormecer numa displicência sugada para dentro de um vulcão adormecido. Eu. Azul, rosa, branco. Branco, branco, branco. Necessidade, extase. Era para ser. Contornar. Teve de ser. Aceitar. Injustiça. Perfeição. The same freedom you feel is what's been blowing in my sail, since i arrived here . Que estava mais perto que nunca, que me acenava entusiasticamente. Saber esperar, saber ser dentro desse contexto já saturado e impregnado de um sensaboroso acordar. Acordar para mais um círculo vicioso de contar os dias e as horas para, finalmente, partir. De deslizar sobre o espaço que foi suspenso. Por mim. it's all or nothing .

Lisboa . Parte I .

E indiscutível parte. Insolúvel, estraçalhada e submersa. Nunca. A mesma. Eu que verti o passar dos minutos em pequenos tiques de corda. Entreguei-me. A ele, que me cedeu a glória. Esforço, concretização. Mesmo que mal tenha dado conta que esses mesmos minutos trespassaram a minha mente. Sucesso. Descanso. O merecido e eterno. Pertenças, too beautifull to fuck, ele. A casa, ela. Eles. Momentos, reencontros. Um correr para a plataforma brutal, cómico, auspicioso. Porque lá cheguei e fui recebida de braços abertos. Uma emoção inesquecível. Os segundos, as altitudes a atropelaram-se, o meu estomâgo a eclodir pela boca. Ansiedade a mais, quase estado pós-morten. Quase morte. Quase morri. Didn’t know you had it in you so be hurt at all . Pela primeira vez, em quatro meses e meio essa ânsia de viver, de sentir, de me entregar, de pisar a minha terra assolapou-me, revolvendo-me os sentidos e apoderando-se da minha embriaguez mental, masturbando-me o auto-controle. Troçando da minha própria intensidade, essa que hibernou por quase cinco meses. You waited too long . Enclausurando-se no restícios dos meus compartimentos internos, semi-cerrando um êmbolo hermeticamente fechado. You should’ve hook me . Onde toda a minha fúria de viver e a minha consistência se expandiam, ganhavam espaço, tempo e local. You lost control and you lost your tongue . Onde tudo foi possível.

You were fronting because you knew you’d find yourself vulnerable aroud me .

E foi aí que a Mrs. Cold cedeu e cedeu bem. Foi aí que esse muro de gelo se derreteu e se tornou vulnerável a uma realidade que sempre lhe pertenceu.

Nothing you can say is gonna change the way i feel .

Outubro 11, 2009

Chapter IV

Amsterdam….amsterdam…..amsterdam….i'm getting lost in your curls . i'm drawing pictures on your skin .

so soft it twirls .

Uma cidade multicultural, mas também uma fonte inesperada de sensações, diferenças, atitudes, um novo mundo dentro do mesmo mundo, uma cidade dentro de um pais. Amsterdam tem uma magia especial não oculta pela sua conhecida liberalização em drogas e prostituição. Ali, a liberalização é de mente, de espiríto, de diferença aceite, de personalidades, de liberdade. Ali respira-se liberdade.

I don’t mean to seem like i care about material things. Like a social status.

I just want four walls and adobe slats

for my girls .

Várias cores entrecuzavam-se em ruas, avenidas, iluminavam bicicletas, pontes, rios, canais, lojinhas, flores. Havia um encanto peculiar em cada esquina e em cada moradia. Uma arquitectura que reflectia na perfeição todo o universo latente, uma originalidade que fervia à flor da pele, da pele de Amsterdam. Eram luzes, cheiros, sabores e toques. Toques em algoritmos não evidentes que nos levaram por um escuro, porém brilhante túnel posicionado ao longo da nossa curiosidade.

when it’s just precisely tuned . that’s how it comes out so nice .

E porque Amsterdam soa a Animal Collective....E sorrateiramente absorvi momentos, identifiquei uma mudança súbita que agora mexia comigo, me desafiava, colmatava os espaços deixados em branco, vazios, por ocupar, deixava-me à merce de uma reviravolta que clamava por uma osmose rápida. Sem tempo nem lugar para escolhas nem perguntas. E agora nada mais fazia confusão. This moment is yours and you can give it to someone else. Agora tudo se misturava em palácios ílicitos, em fontes que jorravam uma água divina enebriada por uma red light efusiva, gritante, premente. Que apenas lá se localizava, deixando espaço a todas as questões existenciais mais evidentes que podiam existir. Onde tudo tinha lugar.

Gent . Parte IV .

Up uneven steps and talking's hard

Um rol de experiências por provar. Um redemoinho de sensações eternamente adiadas, já recalcadas, ignoradas como que impensáveis. De um momento para o outro, parando para reflectir no meio desse turbilhão, encontrei o meu corpo simultaneamente adulterado e submerso nesse tsunami de novidade. i've been wasting all my time. Parecia que tudo era para ser tudo apenas naquele singelo instante, como se tudo lhe fosse dado a absorver como quem engole um meteorito agastado pelo tempo mas como que fosse antes do mais concedido em uma overdose. Em catadupa. Porque o que ele atravessou antes de tudo foi uma avalanche de sensações inimitáveis, incomparáveis, indissiocriáticas. with the devil in the details .

if i ever feel better....

Momentos, pessoas, minhas pessoas. Envolvida pelo ambiente de uma cidade por demais atraente, o desejo assolapou-me abrindo alas para um sentimento de compreensão e acompanhamento. Invadiu-me, preenchendo-me os sentidos, redescobrindo em mim os pontos de cruzamento entre a empatia e a amizade, recuperando em mim esse sentimento de pertença a alguém, a alguéns que antes de tudo me compreendem e me aceitam. you always smile upon me and i smile upon you...too. Na loucura, no desequilíbrio. and i've got no energy to fight. Na insanidade dos arrastantes, na perfeição de momentos. No ridicularizar de falsas profecias, de mal-entendidos na matéria que mais não fizeram que lançar ignorantemente faíscas de pretensão que teimavam em não queimar no inferno que os viu nascer. i can't stand to watch this . going down . De farpas que não me atravessaram, de circunstâncias que me surpreenderam, de vinganças que não me escaparam. he's a fuking pantomime . the devil in the details .

happy you're gone .

E ali , naquele dia, saí, no meu corpo imune dilacerei, vestígios de uma humilhação imperdoável, de um envolvimento dispensável, de uma novela de episódios insólitos, balanciei o meu corpo ao som delas, ouvi-as como que a ecoar no meu espírito, deitei-me ao longo daquele canal, respirando, tão somente. i'm the one to forget. the one you won't regret . Pela primeira vez expirando o ar puro, a harmonia que renascia das cinzas, que sempre ali residiu e que agora não me castrava o inspirar. Que agora me fazia viver. i know you think that you know me. cause it's been a long time.

so let me go. cause you don't.

and you'll never know.


Da Ressureição.

Setembro 23, 2009

Chapter III [hard]

Give me hard times . I’ll work harder . Harder .

Em Patrick Wolf tudo foi hard. Bachelor foi o seu último album, que reflecte essencialmente um ultrapassar de algum desvio menos satisfatório na sua vida. Bachelor consegue ser consistente e autónomo, traduz a força, irreverência e desespero do músico, salientando o seu aspecto mais selvagem em busca de um horizonte perdido. Paz. Harmonia. Equilíbrio. Estabilidade. Realização.
I'll work harder . harder .

for resolution .


Porque as vezes quando tudo é hard é possível vislumbrar a luz que nos guia ao fundo do túnel. Quando essa luz apenas depende de si, a satisfação em devorar barreiras é enorme. Quando essa luz se balanceia em vertiginosas teias de aranha, criadas e transformadas por um exterior sujo e dispensável, torna-se quase impossível encará-lo como um mero ´hard times´. Porque automaticamente deixam de ser hard times. E passam a ser no times.

Gent. Parte III .

´eram gritos irreflectidos no espaço. Um espaço que não me pertencia. Eram risos, vozes, entregas. Era ele, esse ser dos infernos, era eu a ser totalmente estúpida. Para comigo, para com o momento. Era uma sala saturada, um vácuo que me sugava para dentro, sem hesitar. Era um controle perdido em pequenos derrames de insanidade, era um extase de desespero. Divided nation . In sedation . Desespero pela falta que ele, ela, ele e ela me faziam, agonia por ver demais, ser demais, ansia por viver. Somente ser. Sem direito a treguas. A contratos assinados em falso. Daí a minha revolta. O meu contrasenso. Fui imprópria, nao para o exterior mas para com a grua que sustentava a minha loucura. Louca, fui louca. ´Porque ela é uma desequilibrada, porque ela crasha quando não é o centro das atenções´.

Sombre Detune .Qual atenção, qual conhecimento de causa, julgou-me como se a podridão que o habita lhe concedesse tamanha clarividência. We have grown up to ignore . Mediocrity applauded . Porque nele apenas reside o vazio, pulsações dirigidas por instintos animais, colapsos temperamentais, desinteresse. Porque com aquela postura ele só perdeu, o paraíso no inferno, ´o mundo que não foi cor-de-rosa´, a desordem em encontrar uma ordem na sua fome. E depois eram elas, meros seres não-habitados, vagueando pelo meio do seu falecimento, seres que à partida morreram à nascença. Seres que se arrastavam atrás de copos, atrás de alcool vertido, atrás de si mesmas, ignorando que nunca se poderiam encontrar numa planície tão estéril. Who keeps score? Ignorance is still adored .

Show me some revolution .
E mais uma vez pequei. Não no interior do meu compartimento selado a carvão, riscado a azul. Fui eu, agi como eu. Acreditei em mim, venci por mim. Heteredoxo? Meu. Esvaí. Sabem o que significa dilacerar? Cortei. Como quem corta um tomate, esventrei a minha dor, distribui a minha insensatez. Aprendi. A ser, a mostrar, a discernir. Courage . A perder, a moldar. Dividi. O relativo do absoluto. Hesitei na escolha. Devorei o meu hard times. Engoli em seco. This battle will be won! Observei-a. Reflecti acerca do meu acto irreflectido, ponderei, senti pena. Mero arrependimento. Mera perdição. Recalquei. A sua ignorância, a sua linearidade. What are we going to do about this? Ultrapassei, criei. E saí, ilesa pela porta dos fundos, como se a minha identidade não tivesse sido atropelada por um veículo a 200 km/h. No matter what we say, no matter what we think . Lutei. Revolvi. Distingui. Suportei. This battle will be won! E no fundo venci. Ela foi ganha. flow sweetly . hang heavy .

Harder . harder . harder . now!

Num dia a dia insuportável fui sempre superior. If they only see you with their fear . Fui sempre eu. Fui sempre o que sou. Num quotidiano sufocante afoguei a minha revolta, exorcisando ofegante essa solidão pontual, abafando um vulcão que teimava em eclodir através da minha boca, do meu peito, do meu estômago, sobretudo através dele, perante ele adormecendo, sacrificando. And they only hear you with their pride . Porque esse sacrificio eu fui obrigada a efectuar , essa demora fui eu que suportei. Mesmo quando a minha pele efervescia em eczemas, cortes, cores, mesmo quando o sangue corria abruptamente de mim sem razão, sem origem. because i feel blind .

I will never read your stupid map . So don't call me incomplete .

Mesmo quando o cinismo e a imundice rodeavam o mundo que me circundava, por entre cada riso, cada confidência, cada noite, consegui sempre superar, esperando a sua partida, a partida de um inferno que inesperadamente tomou conta da minha realidade.

it's a hard lesson . oh let me learn!

Setembro 08, 2009

Chapter II

Inesperadamente entre risos, personalidades, injustiças, noites, aromas, diferenças e cedências, assomou no horizonte temporal uma descontinuidade. No meu adormecido subconsciente formou-se uma indefinida vontade de ser. De conhecer. De possuir. Ganhou forma e relevo na inconstância do meu desejo. Do meu querer. Do meu consciente.

' . Era como se fosse a personificação do diabo, do ser do mal, porque incutido foi, intrínseco se estabelece, maligno se assimila. Assim ficou a interiorização, a imagem, a verdade. Porque a verdade pode ser verdade a qualquer momento mesmo que se baseie na mentira e nela cresça, crie raízes, se distancie ou se alimente. Dessa forma, ele foi absorvido, pela sua mente, pelo seu eu, por algo que apenas era sem qualquer tipo de interrogação metafísica. Estavam no seu local habitual, onde umas varandas brancas se entrecruzavam com blocos beges, onde escadas faziam ligação a andares todos eles claros, amplos, limpos, aparentemente limpos, muito ofuscantes na sua pureza, virgens. Ela estava ali, e naquele consciente, naquele segundo que passava, ele aproximava-se dela, e ela desligava mais do que ela própria já desligara do mundo, deixando-se conduzir por aquela imagem masculina e somente desejando que ele a consumisse. Porque era a raiz do mal, era a língua do ser das trevas que ela ansiava ardentemente que a percorresse sofregamente, intensamente, lascivamente. Porque a luxúria da sua intempérie batailliana clamava desesperadamente por aquela entrega, entrega essa que nunca sucedeu contudo agora se estabelecia, se vivia, mais do que se imaginava, se perdia, se integrava, se dilacerava em sangue, suor e dor.

Ele acompanhava-a linearmente no seu deleite temporário e nesse recôndito espaço incluso, libertava as hormonas que o destruíam, que deslizavam sobre as suas veias, que escorregavam em espiral por todos os seus interstícios corporais.

I’m not like all the other girls.

I can´t take it like the other girls.

I won’t share it like the other girls.

That you used to know.

E ali ela esvaía-se no seu eu sem pudor nem arrependimento, e ele apenas vertia, expulsava o veneno que o mantinha de pé, e novamente se erguia calmamente sobre si mesmo. O mal tinha-a possuído e ela apenas queria ceder à tentação porque nela podia sobreviver e aprender na emoção, ganhar na razão, perder na tentação .

Quando percorreu o seu compartimento, procurando peças soltas, e tentando aligeirar o espaço e o tempo que lhe restava, conseguia interiorizar limpidamente o quão circunstancial tinha sido a sua vivência nocturna. Porém quando o seu olhar se cruzou com o dele, ali, ela sabia que havia mais.'

Gent. Parte II.

E nessa melodia metafórica, irreal, impossível, nessa mentira quotidiana formava-se um crescente sentimento de equílibrio, de felicidade, de adulteração dessa mesma noção de harmonia. Acreditava-se no amanha apenas porque se vivia. Tolerava-se o exterior, circundavam-se as colinas respeitosamente estagnantes porque sim. Porque aquela paz, aquele viver, eram preenchidos, porque a falta de tempo aí se reencontrava com a ansiedade em catadupa com a curiosidade. Porque o tal mal, essa origem, essa forma humana, adoptava cada vez mais um espaço militarmente estável e apaixonante. Porque era o que se sentia ser do que propriamente o que se sentia por esse inferno. Porque o inferno transmutava-se em paraíso, falso, inconsciente, contudo palpável para a realidade. Porque aquele momento era o momento.

´e por entre pontes, abdicações, criações e ficções, mantinha-se o desconhecido, mantinham-se as indiscrições, as partilhas, as vivências. Continuava-se a respirar a mesma proporção de azoto e oxigénio que saturava o nosso psíquico e que preenchia, esvaziando, a nossa necessidade intelectual, temporal, local. Num espaço que cada vez mais fugia de mim.´

Agosto 23, 2009

Chapter I

and thats what makes my life so fucking fantastic .

Um cheiro. Imenso. Um aroma que se perpetua pelas ruas, vielas, pelos soalhos quentes, húmidos, pelas moradias encarriladas segundo uma ordem harmoniosa, pelo constante, pelo plano. Planar visao. Por mim que entrei naquele carro sem saber para onde ia, partindo totalmente ao desconhecido. Receando uma desilusao premente mas nao ignorando aquele aroma que agora penetrava no meu espirito, entranhava-se na minha roupa, me possuía. Era um cheiro que a ele pertencia. A ela. Era o rosto da minha nova realidade.

Wrong. Wrong. Wrong.

Cheguei, a minha intemperie repousou sobre o arbusto da minha malograda sorte e caimos, juntos, na encruzilhada que agora se fechava a nossa frente. Cai. Mas revolvi. Revolvi sempre. Nao me calei. Nao quis consentir um fado daquele tamanho. Nao era justo. E durante dias lutei. Debrucei. Era a minha identidade que agora ganhava forma, uma nova circuncisao, uma nova aparencia. E nesse redemoinho visceral acabei por sucumbir, deixar-me levar, escorregar pela espiral que agora se apresentava diante de mim. Mais uma vez perdi o tempo, o meu tempo, fugiu sem eu dar conta, nao tive simplesmente tempo para reflectir. Fui sugada, completamente envolvida na minha nova realidade. Em pequenos momentos, pequenas instancias, pequenas diferencas de personalidade. Onde tudo parecia errado, porem onde eu propria cedia uma oportunidade a minha insanidade. E nesta nova etapa mergulhei. Profundamente.

Gent. Parte I.

Uma janela aberta, uma claridade exacerbada, uma calma continua, um espaço por conquistar. Onde lentamente e selectivamente repousei os meus pilares, onde concedi espaço. Novas noites, outras noites. Jantares, turcos, tailandeses, bares belgas. Outros sorrisos, outras atitudes. Legitimas? Sim. Mas nem sempre toleraveis, correctas. Duas semanas demasiadamente intensas. Ajustes. Como o meu corpo a um novo quotidiano. A um esforço diario que me consumia as forças. Onde cresci e metamorfosiei. Onde moldei.

Moldar?

too wrong .

Questões. A musica diaria enquanto ela conduzia airosamente, uma mente efervescente, uma postura atraente, agradavel, decidida, aberta. Postura essa que se complementava com a sua companheira de casa, de trabalho, de viagens, de partilhas, essencialmente de empatia, uma postura airosa complementar a uma postura calma, ponderada, racional.

Onde tudo quebrava e parecia assustadoramente real.

Porque nao havia uma fuga, havia uma continuaçao, com outras realidades, uma fusao com um novo mundo. Que em tudo parecia me alcançar, dando-me calma, como me dando agitaçao, orientando-me, como me revolvendo. Fazendo-me esquecer toda a injustiça, toda a ardua investida para vencer diariamente todas as batalhas, fazendo-me aceitar a minha sina, o contratempo, o obstaculo, fazendo-me simplesmente habituar a algo que seria impensavel se ele nao existisse.

E permitindo-me evadir, invadir outros territorios em mim, que jamais pensei que pudessem ser albaroados.

Abril 04, 2009

life.effect

. completely out of control . i deserve that . sorry for the inconvenience .

Fevereiro. Não foi? Um mês. Passaram mais. Lamento. Enxorrada. Quase que não a sinto. Foi. É. Continua.
Vida. Naquele preciso momento senti-a. Patamar. Atinji-o. Sentei-me. Senti. Sentir ou persuadir? Consciência ou obrigação? Sabes o que não me sustenta? Eu mesma. Mas ali fui eu. Ali mesmo. Na perda, da derrota, nas mil batalhas volvidas, na dor, no cansaço, na guerra.

Duas batalhas perdidas, uma guerra ganha.

E ali tudo descaiu em cima de mim. Ali tudo era meu. Ali eu era eu. Convergiu. Ponto gravítico. Ascenção. Cor, odor, sabor. Sabes? Não. Foi demais. Porque naquele instante eu somente segui a linha. Sendo eu, sofrendo por mim e comigo acordando, comigo sonhando, arquitectando, formando, construindo. Se senti o peso? Foi demasiada força, determinação, discernimento. Naquele redemoinho de sensações fui eu sempre. Encontrei-me e a mim me prendi. Com uma corda débil. Prossegui, lutei, consegui. E agora aqui estou eu.

I never felt the pain but one day it came a little. Realize my fate.

Shut it down. Increase the pressure .

Estranho. Cartas, premoniçoes, futuros. Ditados. Criados. No fundo não houve tempo, suspiro, acção. Não houve minuto. Houve paz? Houve guerra. Houve algo que eu sempre precisei, clamei e me foi concedido. Felicidade? Extase? Não. Foi sobretudo estranho. Sobrenatural. Porque não houve tempo e assim simplesmente só pude lançar os meus braços no ar e carregar, segurar, suportar todo esse peso, como se apenas me fosse lançado. Segurei.
E continuei a levar com mais e mais toneladas. De confusão, ambiguidade, contra-senso, de surrealismo. Porque nele morei e quero continuar a residir. Foi estranho sim. Foi algo mais que incompreensivel. Se calhar mereci, se calhar teve mesmo de ser assim. Se calhar é esta a prova que eu preciso de ultrapassar para ser eu. De vez.

Cheguei. Aqui cheguei. Aqui fiquei. Aqui estou. Não houve tempo nem espaço e eu nunca soube viver sem ele. Sem eles. E aqui nem questionei. Vivi. Respirei. Mergulhei. Essa a palavra certa. Mergulhei. Profundamente. E agora aqui estou eu. E é quase inacreditável. Porém não chega a sê-lo pois no limiar do significado da palavra ‘quase’ vive a ilusão de um sentimento de pertença suspenso. Já não é preciso.

Todavia se for a reflectir, sim. So strange. Pode-se dizer uma avalanche que em tudo se assemelhava a um sonho. Pesadelo. Nightmare. What love does. Proferi-o várias vezes. What love does. Caminhei, sentei, mudei, dilacerei, esgotei, aniquilei, recalquei, suspirei, reclamei, perdi, ganhei. E de um momento para o outro continuei a precisar de saltar barreiras, de saltar cada vez mais alto. E fui consumida por um mar de fel, oceano de mel, pintas-me por cima, pintas-me por cima. Como foi possível pensá-lo, reflecti-lo, não, vivê-lo. Sabes? Era apenas. Era o momento. Da minha vontade? Talvez o erro seja sempre o mesmo, seja sempre meu, talvez haja uma culpa e seja minha. Talvez sempre a atracção pelo errado e a prepotência que tudo tem que ser como eu quero. Que tudo tem que ser quando eu quero. Mesmo que seja evidente a dissonância entre exterior e interior. Eu. Mas porque não pode ser perfeito ao meu jeito? Porque o tempo não pode dar o seu tempo? Poder ser apenas ele? Afinal não pode. Não comigo. Porque qualquer momento tem de correr mal, porque qualquer vertigem tem de ser colocada de parte. Porque qualquer pender leve da cabeça para trás é interpretado da forma errada. Porque qualquer característica comportamental é considerada dispensável, é deitada fora, num lixo. Será que eu sou esse lixo? Será que é esse o meu permanente futuro? Estou cansada de origens distorcidas, de consequências vincadas, de poemas destruídos, de um momento que não se mantém porque na realidade nunca existiu. Talvez o problema não seja meu. Porém queria acreditar que é. Queria. Eu juro a mim mesma que queria. Qual o problema dentro da minha visceral orgânica que não me deixa simplesmente equilibrar na corda que sustenta a minha existência? What’s a girl to do? Onde está esta resposta? Estará na abertura que aquela ponta de cigarro operou naquele vestido de linho branco? Bege? Estará por detrás dessa porta? Será através dela que se distenderá o meu mundo, onde basicamente grito, enfureço, balanceio, danço, agito os musculos, as vértebras, as veias, onde salto tentando atingir a qualquer custo esse climax que só eu o atinjo, sozinha, completamente sozinha, out of control, onde canto, grito, sonho, agarro-me às colunas, rebolo, chão acima, colxão abaixo, distendo a consciência, vertendo ódio nas paredes, derramando sangue sobre as minhas pernas. Acalmando-me em seguida, debruçando-me sobre mim própria. Sentando, rodando parada. Observando. Os estilhaços que me compõe e me cortam, friamente, sem dó nem piedade, num planeta estéril, condenado, ausente, voraz.

Now it’s dark .

Porque nem a minha libertinagem insana me concedeu paz, paz nesse amplo campo de satisfação, que é o desejo. Que nem o senti porque nem memória dele o tenho. Não será sempre assim? Para que serve a memória se não para ser selectiva, não para apagar momentos que apenas se viveram naquele segundo e nele deixaram de existir? Porventura no meio dos meus filmes estúpidos encontrei algum resto de discernimento.

One step inside doesn’t mean you understand .

Mas no meio dessa lúxuria em vão, desse poço grotesco de dor, de sexo, de inflamáveis ilusões, mentiras, perdas...

One step inside doesn’t mean i’m yours .

Sei. Sei porque assim o sou. Que ele existe, em mim. Está dentro de mim. Mas constantemente foge e me engana. Não o entendo. Sei que também não tenho que o entender.

I don’t know what you can save me from .

E talvez nunca o alcance. Mesmo que seja óbvio que só o conseguirei quando o possuir. Quando ele for eu e eu for ele. Quando essa relação deixar de ser cordial para ser passional.
Ele sempre ele. Ela sempre ela.
E no fim. No fim resulto sempre eu. Eu.

I will never read your stupid map. So don’t call me incomplete.

You’re the freak .

Dezembro 31, 2008

. we won't return here .

Desta vez não há muito a dizer. Desta vez não consigo porque me amarga a boca recitar o ano. Porque também apaguei vários fragmentos e vivências de mim e assim recordá-lo pode soar a falso dado que me perco a tentar juntar as peças desconexas. Porque hoje sinto algo que me alimenta o espírito apesar de todo e qualquer percalço existencial. Apesar dos objectivos nem sempre tudo se alinha na mesma vertente mas isso sucede a qualquer um. Conflitos exteriores e interiores. Porém apesar de ter concluído o ano passado com outras perspectivas para o futuro, desconhecia que 2008 nunca poderia ser nada a partir do momento em que eu mesma não era eu própria.

Com 2008 eu aprendi muito. Aparte de todo e qualquer amargo de boca. Com 2008 eu aprendi que o caminho não é sair de mim, e fugir sem destino. Que a fuga se deve processar apenas dentro de mim e deve ser limitada por barreiras que só eu as posso traçar. E ultrapassar. Senti-o como duas etapas, quase divididas pelos 6 meses que ditam os dois semestres do ano, em que num eu lutei e perdi-me, tentando a todo o custo encontrar-me sem sucesso e em que noutro eu fui basicamente ajudada a a encontrar um caminho. Pelo exterior sim mas eu também soube reconhecer-lhe o cheiro, a cor e o sabor e agarrei-o a mim. Sinto e sei que a partir de um dado momento comecei a ser eu novamente, a encarar o mundo como ele é, a aceitar-me e....sim. Não posso negar que me apaixonei perdidamente pela pessoa que eu era em 2007. Que eu fui. E tentei a todo o custo apaixonar-me outra vez. Mas como poderia apaixonar-me por alguém que não estava presente? Agora sim, isso é possível. E sei-o, sei que são tudo momentos, sei que nada poderá ser o que era, sei que sabores e odores não se repetem, sei que as coisas nunca serão as mesmas. Que eu nunca mais estudarei ER1 ou PEQ1 a ouvir Au Revoir Simone, que eu nunca mais sentirei o meu corpo deitado sobre esta cama que se distende atrás d mim da forma como eu senti. Sei que a plenitude espiritual que me invadiu nunca vai me alcançar de igual forma. Contudo sei que existem outras formas, e que não devo, porque erro grave o é, desejar o mesmo, ver o mesmo, quando ele não existe.

Agora eu sou eu sim. E esse eu tem tantas sombras e feitios que me permitirá, sem sombra de dúvida, viver na panóplia de instantes e vivências que só eu terei possibilidade de oferecer.

Do Equilíbrio.

it's time to grin and bear
you've been told they don't know
you've been told their hands are tied
we won't return.Bom 2009 a todos. Que este ano seja para vocês aquilo que eu sinto para mim. E o momento é agora. É amanha. Do Futuro ainda não reza a história. E o presente é tudo aquilo que temos. Como certo.

P.S: Adivinha-se e conhece-se com toda a certeza que estes dois meses serão complicados e impossíveis. Por tal, e como se isso já não sucedesse, é com pena minha que 2009 vai ter de esperar por um post até Fevereiro. Nada posso fazer. A vida chama por mim mas no imediato e neste imediado eu não posso falhar. Obrigada pela atenção, obrigada pelas inúmeras visitas ao blog, obrigada simplesmente às pessoas que aqui vem e se interessam. Sejam elas do outro lado do oceano ou que morem a 30 m de mim.

Dezembro 05, 2008

.the past is a grotesque animal

. 'Ela entrou numa esfera de papel banco, opaco, transparente, papel de cartão sujo, branco-sujo, bege, redondo, abaulado, em espiral, fechado e concêntrico. Entrou e viu azul. Era uma cor límpida, era uma necessidade premente. Naquele momento todo o impulso era mandatoriamente permitido até mesmo o mais vertiginoso, pois nela se concentrava toda a sede de vida. A recuperação da alma, a caminhada para o altar. Ela atingiu-o, subiu através de todas as vertentes que se dispunham no caminho, seguiu dirigida pelo seu instinto, pela sua fome, pela sua descentralização. Afinal todo o seu corpo esvaía-se sobre o seu próprio eixo, qual Nin em tempos de desespero narcisista.

. but even apocalypse is fleeting there's no death . no ugly world .

Ela visionou, alcançou, sentiu e viveu. Pôde(possivelmente pela primeira vez na vida) assistir ao seu equilíbrio, desenhado sobre o chão, sobre as paredes do seu quarto, pelo azul claro, pelo cheiro da madeira, pelo seu repouso. Observou-o. Completou-a. Ela era outra. Ela era apenas.

Será possível uma felicidade maior?

Ela não reflectiu seriamente sobre tal, na realidade isso não interessava, naquele instante tudo lhe parecia para sempre porque ela, tal como a dimensão do tempo, eram para sempre. Naquele momento nada mais importava, se o exterior a poderia incomodar, se simplesmente ela saísse de si e escorregasse sobre o abismo da impossibilidade, ele a existir localizar-se-ia a 1000 km do seu ponto de abrigo. Do seu ‘eu’.

Enquanto ela vivia nela mesma, ela respirava e transpirava sublimação. Sublimação do ser, do ter, do fazer, do querer. Era tudo concomitantemente adaptável. A diferença na sua vulgaridade mais próxima assemelhava-se à sua essência. Ali ela era ela. Contudo viveu nessa moradia tempos infinitos ignorando esse facto, o que a conduziu a sucumbir ao primeiro chamamento de uma doce tentação. A da emoção.

Que a experiência dita as regras ela já detinha conhecimento. Porém dentro dela a atracção pela emoção sempre foi mais forte. Era o elo entre o eu e o não-eu. De entre os arbustos quotidianos que dividiam uma floresta amena de sensações e inquietudes, surgiu uma porta. Uma transposição entre um terreno ambientado ao seu 'eu' e uma possível ultrapassagem nesse ambiente criado. Ela riu-se. Gargalhou ao olhar para a porta.

Let's just have some fun
Let's tear this shit apart
Let's tear the fucking house apart
Let's tear our fucking bodies apart
But let's just have some fun.

Soletrou as seguintes palavras: ’se eu a transpor vou-me divertir, vou apenas viver(e como por vezes viver pode ter tantas facetas e como pode ser tão cómico).’ Abriu-a. Entrou. Prosseguiu. Desceu. Subiu. Retrocedeu. E quando parou constatou que estava lado a lado a si mesma. Aí rodou sobre o seu eixo e apelou à sua consciência. Ela tinha fugido de si própria.Naquele preciso momento deu-se o clique. Depois de ter aberto aquela porta ela nunca mais conseguiu regressar a si. Dançou, desequilibrou-se sobre a corda bamba que ainda a sustinha sobre a sua existência e foi-se debruçando, em vão, sobre todas as aleatórias respostas que pretendia encontrar. Esforçou-se. Ai ela esforçou-se. Mas dali não saiu mais. Ela tinha-se perdido no parque de emoções que ridicularizou, subestimando-o ao ponto dele agora a controlar intrinsecamente. Todavia ela não foi assim tão sarcástica nem ingénua. Ao entrar ela sabia para o que ia, ela desejava-o compulsivamente mas o nunca poderia dominar. Aqui não era ela a dominadora. Porque no parque de diversões que é gerido pela emoção nada é controlável. Ela sabia-o. Mas estupidamente deixou-se ir.

. sometimes i wonder if you're mythologizing me like i do you .

Uma outra esfera aproximava-se dela lentamente. Era novamente branca, feita de papel, suja. Do outro lado, havia uma cor encarnada. Ela espreitou, ela entrou. Penetrou na esfera. Nesse momento era a esfera que entrava por dentro dos seus poros e a consumia num mar de fel. Amarga inocuidade, ela vomitou a sua inteligência posta de parte, a sua perspicácia. Ela viu. Conferiu. E ao fazê-lo vomitou. De nojo, de horror, de dor. Como um seco soco no estômago. Violence! Violence! E aí, em vez de enveredar pelo oceano de angústia que teimava em inundar a sua displicência, ela retrocedeu, chafurdando peremptoriamente na lama da sua luxúria. Que vergonha teria o seu ‘eu’ sentido se a tivesse visto.

. and in its eyes you see . how completely wrong you can be .

E continuou. Deixou-se ir. Forçou-se. Lamentou-se. Dor muita dor, confusão, muita confusão. Até chegar ao ponto de partida. Aquele que nunca quis aceitar nem interiorizar. Naquele segundo ela rodou mais uma vez sobre si e conseguiu vislumbrar espelhado no seu horizonte, a podridão do seu redor. Entre resíduos e detritos orgânicos ela encontrou a sua biologia encarcerada no seu leito humano. Sempre tinha sido assim. Ela sabia-o mas ela não o queria aceitar. but at least i author my own disaster, at least i author my own disaster. Porque em todos os momentos que a emoção tomava conta dela, 50% a guiavam ao reino da conjecturação profana mas outros 50% a revolviam no mesmo desespero sem causa. Porque não foi irreal tudo o que ela viveu mal atravessou a dianteira da porta, embora esse mesmo tudo tenha sido enterrado ali mesmo mal ela fechou a porta atrás de si, mal deixou de ouvir o estrondo da mesma a encerrar. Ela sabia que jamais encontraria a mesma porta porém ela cedeu, cedeu à sua insanidade e percorreu vezes sem conta o mesmo caminho procurando incessantemente o seu ‘eu’.

On the night you left i came over
And we peeled the freckles from our shoulders
Our brand new coats so flushed and pink
And i knew your heart i couldn't win
Cause the seasons change was a conduit
And we left our love in our summer skin

E rodeada por todo aquele amontoado de evidências e claustrofobia elementar ela ergueu-se sobre si. Concluiu que tudo aquilo que vivera tivera sido uma ilusão momentânea do seu ego, da sua procura pela palavra vida e corajosamente assumiu para si que sempre tivera sido um mero objecto descartável.

. i don't recall a single care . just greenery and humid air .

Outra esfera emergia no seu campo de visão. O mesmo branco, papel sujo, redondo, abaulado. A mesma cor do lado de dentro. Encarnada. Desta vez ela saltou, vorazmente como a sanidade corre atrás da racionalidade. Sentiu-se difusa, ambígua. Circundou-a uma panóplia de luzes incandescentes todas elas intermitentes sobre o encarnado. Andou, prosseguiu. Empoleirou-se sobre um escorrega cinzento-metálico e deixou-se deslizar. Era a sua paz que vociferava agora de alívio numa euforia grotesca, acompanhando a descida sublime dos seus membros agastados, saturados de tanta ansiedade contida.
Quando ela alcançou o seu destino, sentou-se e levantou o olhar. E novamente foi possuída por um foguete de audácia. Com a chave do parque de emoções cravado na mão perguntou pelo seu ‘eu’ e sorrateiramente por debaixo de um abeto incendiado ele assomou ensonado como se não dormisse há décadas.

. i find myself searching for old selves while speeding forward through the plate glass of maturing cells .

E naquele preciso ponto ela ascendeu ao patamar da sua libertação adulterada e largou, num qualquer beco da sua erótica perseguição batailliana, a chave que rompia as veias dos seus pulsos, subindo de mão dadas consigo mesma.

Ela finalmente encontrou o seu ‘eu. Ela finalmente reconheceu o seu ‘eu’.

Foram ainda avistadas várias encruzilhadas por onde ela caminhava contudo nada mais importava agora, porque agora ela revisitou o seu ‘eu’ e ela obteve a consagração divina.

A da existência.’


. but you know, no matter where we are . we're always touching by underground wires .


[ . muitas desculpas pelo atraso do post . ]

Outubro 30, 2008

...só para mim.

Enquanto a chuva cai lá fora, o céu recobre-se de nuvens cizentas ocultando o sol. Aquele que me enobrece a alma. Ao que consta há 25 anos atrás, num domingo, chovia ininterruptamente. É a magia do 30.

Desde alguns séculos atrás que se festejam rituais pagãos. O chamado Halloween, dia das bruxas. Mas há mais, muito mais na beleza deste época. É o fim e o início. A morte e o renascimento. O fim do Verão, das festas do sol, da vida, daquela que apodrece. O fim e a morte. Para a resurreição. São estes os dias que vivemos.

Questões astrológicas ou não, será pura coincidência que estes mesmos dias sejam regidos por escorpião? Nada é por acaso.

Existe uma ligação, uma explicação, mitológica, empírica ou fantasma entre a necessidade de fim para ínicio associada as características temperamentais do escorpião. A 30 de Outubro, o aracnídeo já vai alto na constelação. Todas as estrelas de Oríon desaparecem à sua chegada. Morrem. São assassinadas, atingidas. Biaaaaaaaa, a pequena feiticeira. Eu via-a todos os dias, até as 8h da manhã! Era viciada na Bia! Ela corria e sacava do seu fio onde pendia um coração rosa, e com os seus super poderes de bruxa, lutava a favor do bem. Um dia quando a constelação de escorpião assomou no horizonte, estabeleceu-se o confronto mais dificil para ela. O mais árduo. Todas as suas energias foram postas em jogo. Eu lembro-me. Como se fosse hoje. Como eu gostava que aquelas cassetes antigas aparecessem. E eu as revesse. Bia a pequena feiticeira.

Há mais, muito mais no dia 30 que apenas o meu aniversário. É por ter nascido neste dia redondo do mês de Outubro, na mais simbólica época do ano que me regozijo. Não é por fazer 25 anos. Nunca me hei-de esquecer quando fiz 17 anos. Quase que chorei. Era demais, uma idade demais. Porque desde nova, muito nova, tive noção da minha juventude. Da minha infância, da minha pequenez. Agora já nem sinto os anos passarem. Sei que aparento uma idade que nunca mais voltará e nessa certeza sigo a minha vida. Porque são nos outros, em todos aqueles dias em que simplesmente a existência me pesa impreterivelmente, que me apercebo no quão volátil é a existência e a nossa própria vida. Porque na existência é que se perpetuam os nossos caminhos que nos fazem quer recuar, quer recordar que avançar. E hoje não, hoje eu festejo, não por ter 25 anos, não por acumular 25 anos de emoções, momentos, contactos e vivências, não por apenas ser lembrada. Hoje eu comemoro o dia 30, a beleza deste número, a importância deste fim do mês, o cheiro do halloween em 1999, 2000, em todos os dias/noites em que o coloco, hoje eu comemoro as madrugadas dos meus 16, 22 anos, comemoro a Sofia Gião e a Graça e mais elas todas que me ofereceram o ‘Adore’, comemoro o cheiro a chuva, Outono e Outubro. Comemoro acontecimentos que tiveram lugar e que nunca esquecerei. Porque da minha vida e de mim eu lembro-me a cada segundo. E é com base em todos esses motivos de comemoração citados que sou o que sou. No meu orgulho por este dia e pelo deslumbramento que há-de sempre operar em mim.

Viva os anos que viver.


estrelas. para mim. para mim. estrelas.

são para mim. estrelas para mim. estrelas. estrelas.

para quê? para quê? para quê?

estrelas para mim. só para mim.

para mim. para mim. para mim.

e a treva entre as estrelas....

Outubro 25, 2008

. where i am .

[ . todos estes acontecimentos tiveram lugar e tempo numa etapa anterior, essa que não me foi possível exteriorizar e por tal vêm impregnados de memórias difusas. Assim podem surgir meio adulterados, contudo somente efeitos do tempo, tempo esse que não perdoa. Mas perdoem-me, caros leitores, por mais uma interrupção. Às vezes viver implica estagnar. Em certos campos. Implica apreender. Para depois expulsar .]

Entrei na ilusão de uma disponibilidade perdida. Inexistente mas antes de tudo renegada. Adiada, ultrapassada. Numa excitante mas enclausurante displicência. Onde aguardei e assinei mil tratados de paz e recompensa. Interior antes de tudo exterior. Indissiocriática mas possível.

E afinal o que é possível?

Dor, muita dor. Dor onde, que ela não se sente? Humor muito humor.

Vertigem. Da minha insanidade. Loucura? Reneguei-a. Verdade? Não tive culpa nem acção. Foi assim....calmamente, levemente. Se senti? Sim, aos poucos fui sentindo. Mas nunca acreditei. Por vezes é necessário que encaremos da forma oposta para tudo se desenvolver da forma certa. Certa? Desejável, merecível.

Tudo começou exactamente no mesmo dia em que terminou. Lembraste? Claro que não. Foi exactamente no dia 27 de Setembro de 2007 que o meu ano terminou. Sem hesitar ele amparou-me de uma forma notória. Estabilidade, palavra que encaixa na minha agenda de desejos na perfeição, estado pelo qual até sou capaz de vender o meu sangue. Porque a anemia que se estabeleceria nesse compartimento febril seria contra-atacada pela serenidade esgotante da minha necessidade. E assim tudo seria mais fácil. Mas não.

Ele veio! Ele chegou. Podia e farei um excerto, monólogo ou mesmo argumento, uma experiência de vida e emoções, do quanto pode ser um arraial. Ou do que significa. É incrível. Porque na realidade existem mesmo coisas fantásticas e coisas que nunca mudam. E nessa madrugada mudou. E mais uma vez, sim, deu-se o clique e eu deixei de ser louca para ser intensa.
Se me pergunto porquê? Pergunto. Todavia não me incomodou. Não roçou a minha pertinente curiosidade. Aconteceu. Antes agora que no passado, teria sido muito pior. Durante aquele espaço eu fui deixando réstias da minha infelicidade, da tragédia que se abateu sobre a minha consciência, e sim, eu terminei um ano e comecei outro. Exactamente no mesmo dia. 27 de Setembro. Claro que não te lembras. Mas nesse dia deu-se o clique, a viragem. O fim e o início.

Continuou. Abateu-se sobre mim um temporal. De vivências, emoções, contactos.

Continuou, continua, até agora. Só que agora eu paro. E até sonho. E nestes sonhos encontro-me em cem mil encruzilhadas. Se as reconheço como cantos da minha personalidade dilacerante? Oh a ambiguidade não me permite a ascenção a tal posto. Cor, cor, dor. Rima? Continuas a não ser necessário. Mas nestes sonhos e nesta minha análise interior chego a conclusões que não me sustentam. Não me encontro nestas questões, nestas linhas, nestas duplicidades, nestes desejos. Não. Mesmo que sejam legítimos e perfeitamente adaptáveis, não. Eu não sou assim. Ou não sou aquela que tem de ter para ser. E sinceramente é isso que agora, neste preciso momento, me incomoda.

. and the only thing keeping me dry is where i am .

Aparte de todo o vale que se apresenta diante do meu horizonte, de toda a planície deixada ao acaso, disposta ao meu alcance, de toda a invertida entre loucura e intensidade, incomoda-me. Sei que neste ponto tenho de virar para outra direcção. Direcção essa que não é tomada de uma forma tão ligeira como ‘esquerda, direita’.

happiness how did you get to be happiness

Como sempre. No fundo todo o nosso percurso tem um objectivo. Tem um rumo. O mais correcto, o mais nosso. Normalmente personalidades avessas ao equilíbrio encontram esta tarefa dificultada, mas não impossibilitada.

Sei que custará, e receio que não consiga. Por eternidades ou por momentos.

Contudo sei que agora, agora que tudo mudou, agora que me insiro num novo ano, agora que vejo o 30 cada vez mais próximo e fragilizo por com ele já não saber lidar nem identificar sabor ou brilho, agora que consegui singelamente aquilo que nunca pensei alcançar, agora que prossigo no caminho do fim de um desejo gigantesco, agora que me sinto rodeada, que preencho lacunas deixadas em branco, agora que as noites tem outra cor, que até os dias têm outra fachada, mas antes de tudo agora que me coloco em vários círculos....

Agora sei que há mais. E muito mais em mim.


. i want so badly to believe that 'there is truth, that love is real' .

. and i want life in every word to the extent that it's absurd .

Setembro 14, 2008

. i'm deranged .

. come . admit it to me. have i become your enemy? .

Triste se assim for. Lembrar-me...sim triste muito triste. Quando penetro dentro do meu espírito e vejo duas paredes opostas a dividir um meio que não tem fim. Dividindo um eu de um não-eu. Afinal quem é o verdadeiro eu?

Boa questão, eu pergunto-me. Fantástica imposição, eu pertenço-me. Dilacero-me, existo, antes disso conjecturo.

Há coisas fantásticas não há?

Viver. A vida é basicamente o quê? E será que só aqui eu não me encontro?

Não me encontro.

is there a ghost in my house?

Acho que o senti, antes disso ouvi. Nesta leve, ténue, quase horrível dor de cabeça. Tipo deslizou e ecoou um som. Mas eu não quis saber. Estava tão absorta no meu sono, no meu encadear de sonhos que simplesmente deixei o som onde estava. Mas não. Ele nunca encadeia. Levantei-me. Acendi o candeeiro. Estava tudo normal. Em lugar algum podia ter deslizado nada, escorregado, caído, efectuado um mero distorcer da realidade. Aí, deitei-me, a luz apagou-se e concluí que eu é que distorço a realidade. Mas qual? Aquela que se me apresenta diante dos olhos? Mas como? Será que sou eu? Ou eu aqui? Será que já não consigo mais morar em mim ou comigo aqui? Será que em qualquer outro lugar tudo aconteceria normalmente ou sou eu que já não sei acontecer? Será que esgotei? Ou saturei? Será que me enjoei e já não consigo suportar mais? Será o quê? Não entendo. Não sei o que faz falta. Às vezes sei. Mas teimo em manter a ideia que as coisas tem de ser assim porque se foram assim um dia então não tem que ser de outra forma.

Mas sinto a falta. Sinto a falta de um ânimo que me fugiu. Sinto a falta deles, delas, dele, dela, sinto a falta de euforias, sinto a falta de um movimento que parece que desacelerou na minha vida, mas que curiosamente é como se eu o tivesse abandonado.

Na realidade, eu preciso de uma revolução. Uma estonteante revolução. Não sei se aguento até lá. Até porque quando esse lá chegar pode nada mudar. Sinto-me presa. Presa a arquétipos, a necessidades, a pensamentos, a sensações, a pressentimentos, a dia a dia, a uma vida que não me pertence mais, sinto-me totalmente presa. E pela primeira vez na vida reconheço a necessidade mais que urgente de dar um salto já, para um abismo, mas mais que tudo um abismo desconhecido, sinto a falta de um nada. De um tudo. Sinto a falta de algo que se calhar nunca tive, nunca aconteceu. Provavelmente sinto a falta de me reinventar a mim própria, de arriscar, de simplesmente viver.

Sinto a falta da intensidade que sempre morou em mim. Agora ela fugiu, escondeu-se. Emigrou. Agora eu sou louca. Não foi só naquele momento em que admiti sentir-me louca e dizer ‘agora sou louca’, nao foi só, agora não consigo conceber sequer certos passos, tão fáceis e certos do seu caminho. Parece que não os vejo, como se estivessem mesmo ao meu lado mas a minha miopia fosse demasiadamente elevada para me permitir discernir tal. Entre duas características comportamentais eu sinto-me completamente doente, psicótica, infernal. Quase até que uma repulsa por mim. Porque olho e não vejo.

E pensando bem, nem sei o porquê de ter cedido oportunidade a situações que nunca se passaram. Como se elas apenas estivessem agendadas no calendário. Fosse algo marcado. Não sei o porquê. E quando se desconhece a razão.....Não sei porquê essa corda, essa ligação, essa força toda que me puxa sempre e para sempre com a mesma obsessão....

Ai se fosse tudo tão simples como um fácil, ‘esquece’. Esquece aquilo que és. Esquece aquilo que te consome. Esquece o furacão que não chega. Esquece apenas que existes.

Como eu sinceramente gostava......

Setembro 02, 2008

. too powerfull to fuck .

Talvez não tenha sentido, talvez as coisas não devam acontecer desta forma.

Talvez não me deva forçar. Incrível. Existem coisas extraordinárias. E neste preciso instante teve a sua graça. Mas já passou. Tudo passa, assim rápido, curto e eficiente. De uma forma fantástica. Eu que gosto tanto desta palavra.

Não sei e mantenho a ideia: não me devia forçar. Não são dias, nem horas. São incompreensões, são fugas. A um real que nunca me dará nada. E a pergunta é a mesma de sempre: e porquê? Cheguei a conclusão que a resposta é só uma: deve ser erro humano. A minha inteligência não é superior à minha ‘humanidade’. Que horror. Odeio esta palavra. Mas será que pode vir a ser? Inteligência ou noção da realidade? Aprendi em psicologia que inteligências existem muitas. E eu só devo ter algumas. Tu terás outras, o X outras e o Y outras.

Tava aqui a pensar na pura jovem Marie. De quanto puro pode ter. E é curioso. Tenho apetite por mais do género, por muito mais do género, ai que fachada ridícula, seguiria eu pelo mesmo caminho?

Hoje não, ontem sim. Amanha talvez.

E aí está o talvez. Sinceramente não mereço mas também não entendo. E quando não entendemos como podemos merecer?

E tudo se resume a um mapa, assim um mapa meio distorcido, em que cada país onde habita um sem número de ideias pode se localizar, confraternizar ou declarar guerra.

E as vezes eu queria declarar guerra a mim própria de forma a que no final apenas restasse aquilo que tem de restar, sem mais acrescentos, demoras, hesitações e dúvidas.

Talvez eu precisasse de adormecer da forma mais retórica possível, todos os dias, todas as noites e nesse hábito, construir noite após noite um arquétipo constante que me permitisse destruir os meus pesadelos e transformá-los em manipulações. Talvez todos os meus pesadelos acumulem toda a minha libertação. Demónios, visões, loucuras, espelhos, reflexos, perseguições, luzes, descidas, subidas.

É tudo tão claro, tão mais claro de se perceber....é tudo tão fácil.

E é tudo tão presunçoso. No que pode ter a presunção de realismo.

Na realidade, é uma grande gargalhada. Porque dos pobres de espírito não reza a história, nem nunca rezará. E é cómico.

Extremamente cómico.

Tão cómico que não sei se a partir de agora não conseguirei fazer mais nada que rir.

Rir disso, rir de tudo, de nada, do composto e do simples.

Daquele absoluto que nunca morará lá fora. E que encontrou toda a sua residência em mim.

Agosto 02, 2008

. sexual suicide .

. Hoje acordei louca. Mas eu sou louca no corredor da minha inocuidade. Hoje pensei no que sou. No que faço. Hoje acordei agoniada, hoje acordei morta. Hoje levantei-me e acendi a minha chama permanente. Hoje tentei distendê-la de forma a não apagá-la. Hoje deixei cair um copo onde se reunia toda a minha insensatez e a minha teimosia. Hoje deixei que a doença que padeço me obscurecesse a realidade.

. if you find me, hide me, i don’t know where i’ve been .

O caminho que sigo. O caminho que se perpetua perante o meus olhos. O horizonte salgado. A necessidade de mim. Eu corro por mim. Eu vivo por mim. Eu dependo de mim. E permitir que esse desejo seja destruído pela minha estupidez. Pela falta de controlo. Pela falta de sabor. O sabor da minha pele, do meu sangue, das minhas lágrimas. A cor do meu rosto, da distância amparada pelos vértices das minhas perdas, da rebentação das ondas. Um mar que clama por mim mas que não me sossega a existência. Porque eu entrei, eu mergulhei, eu dilacerei mas eu não senti. E apenas sentir esta ansiedade que me enoja a alma a incendiar-me o simples passar das horas. Dos minutos. Dos segundos.

. she’s still calling around to find half an hour .
. she’ll always have a place in my mirror .
. she’s got no more time now she wants mine .

. É como querer expulsar. Não conseguir. Não tentar. Não respirar. Porque somente ambicionava que este sufoco me fosse retirado, não como quem toma um comprimido para esquecer mas como quem projecta a 1000 km/h um calhau volumoso que nos isola o estômago do resto do corpo. Como se eu pudesse cuspi-lo para a Índia. Ou talvez Japão. Mas que iria lá ele fazer? Nada. É como rejeitá-lo para a terceira Via Láctea. Essa onde coabitam seres que pudessem facilmente exterminá-lo e digeri-lo.

. Realidade. Na realidade eu nunca soube digeri-lo. Nunca se tratou de gerir. Porque não havia nada para gerir. E se for sincera sim custa saber. Custa ver. Custa aperceber. Custa também não estar para ver. E de um momento para o outro, não esperei. Fui apanhada de surpresa. Ouvi, senti. Novamente. Sim era dela também. Mas aquelas palavras, aquela melodia atingiram-me.

. but i’m all out too .
to thy self be true
to thy self be true
to thy self be true .

. De uma forma inexplicável mas passageira. Eu estava ali a lutar pelo meu último objectivo de vida, a correr atrás de um prejuízo que nunca promovi, mas a galgar montanhas e colinas. E depois parei. E ela desceu. Desceu e circundou-a tal como ele a circundou com a sua língua. Era fria. Estavam provavelmente uns 28 graus todavia eu sentia-a glaciar. Exactamente a mesma. Ela. Rodeou-a. Da mesma forma que aquele aparelho no dia anterior a esmagou. E da mesma maneira senti um aperto crispado. Um bater vil do meu pensamento, uma dor esquecida. Uma sintonia entre a razão e a emoção. Porque apesar dela ser imcomparável volumétricamente era como se pesasse como uma barra de ferro pesaria sobre o meu peito. Não era desespero, era honestidade, era um sentimento sincero, puro, promíscuo, sujo, real. Era uma memória, contudo uma memória apocalíptica. Não era complexa. Era bem simples. Expectável. Real.

. will we always be like little kids .
running group to group
asking who loves me
don’t know who loves me
it’s pathetic
it’s impossible .

. E se queres que te diga, eu sei. Eu confesso que sei. Sempre o soube. Porém que me adiantou saber? Mudou algo? Mudou a minha insanidade? Mudaram os meus horizontes? A minha perspectiva de vida? De fome, de luxúria, de sexo? Não mudou nada. E é curioso como me ofendo quando imagino que sempre fui um mero objecto sexual. No dele ou no pensamento de qualquer pessoa. Como se isso nunca fosse aquilo que eu procurava. Que eu sentia. Que eu queria. Que eu quero.

. there’s a new crime . let’s commit it .
. while we’re waiting on the next day . to begin it in the best way .

. Não, não sei explicar. Nem pretendo. Sei que me atravessam duas correntes opostas, em que me reviro de cada vez que uma delas me tolda a visão. Me escorraçam e atiram contra uma parede. Eu sei. Eu sempre soube. Eu estou cansada. Incrivelmente saturada de tudo aquilo que me preenche o espírito. Eu não estou cansada dele. Antes de mim. Anseio por mim mas já não sei viver comigo. Esgotei. Quero férias de mim. Gostava que estas férias não fossem apenas fisicas e circunstanciais, queria que elas fossem um instrumento que me proporcionasse a livre saída desta alma. Alma que me consome.

. please don’t be me .
. there are so many skirts under the table .
. none of these long legs are mine .
. she calls around, finds me crying .
. wish i were capable of lying sometimes .


. Estupidez? Sim admito. Possibilidade? Sim depende apenas de mim. Continuo a acreditar em mim. Na força das minhas obsessões transpostas para outros patamares. Continuo a olhar para trás e a encarar toda a possibilidade que me fugiu entre os dedos. Aquela, não que eu não soube agarrar, mas a que larguei, como se quando pretendesse, me bastasse apenas estalar os dedos e ela se recuperasse.

. hide out .
. love is hell, hell is love .
. hell is asking to be loved .
. hide out and run when no one’s looking .

. E sim eu detenho conhecimento que sou demais. Demais para ele, demais para mim. Demais para o mundo, que esse não restitui aquilo que perco todos os dias. Que ele nunca me restituirá nada que eu perderei, que basicamente isto não tem sentido nenhum. Que eu não tenho sentido. Que eu o perdi mas que alcanço. Que ele se fechou a um universo vasto que jamais terá capacidade para compreender. E mesmo assim eu deixo-me ir. Deixo-me invadir, deixo-me arrastar. Por mim é certo. Pelo que falta que me aparecerá um dia. Sexual suicide. É-o. Eu sei. Eu admito. Eu afirmo. Eu criei-o. Mais do que a doce voz da Emily. Eu sobrevivo com ele. E a única coisa que eu quero é libertar-me dele. De tudo. De mim.


. i only wanted what everyone wanted
since bras started burning up ribs in the sixties
favors are flying, faces are falling
all i desire is to never be waiting .

. there’s a new crime .

Junho 30, 2008

o meu segredo*

Não queria perder a oportunidade de deixar aqui umas palavras, primeiro de desculpa sincera a todas as pessoas que vem cá, e segundo de pontuar este mês de Junho.
A epoca do ano é a pior, exames e trabalhos, sendo que este semestre é o mais complicado do curso, se bem que o próximo também se avizinha similar, mas não tanto, contudo sempre poderia ter sido possível uma actualização, nem que fosse discreta. A questão é que não é só a minha organização mental que nem é sempre exemplar, como este espaço perece de uma boa inspiração, inspiração que muitas vezes não surge. Com isto quero dizer que escrever, por mim fazia-o sempre só que o pouco tempo que me resta também não me permite o descanso mental necessário para fazer algo 'à altura'.
Desejo ardentemente que toda esta epoca passe, a entrega da primeira parte do projecto e discussão, para poder, aí sim dedicar-me um pouco a mim e a este espaço =)
Até la peço a vossa compreensão e mais uma vez agradeço a todas as pessoas que ainda cá perdem o seu tempo!

Mas como referi, não vou deixar passar este ultimo dia de Junho sem dizer que sim, eu amo, eu venero, eu idolatro totalmente esta estação, este mês, este calor, esta calma, esta beleza, esta felicidade que invade a minha alma. Em Junho eu sou feliz, no Verão eu sou feliz. Muito. E não consigo que ele me abandone sem lhe dizer o meu obrigado! E que vou sentir muitas, mas muitas saudades! Porém...vem aí Julho e Agosto...e a estação continua. E como eu espero que ela se mantenha assim.....

sonhavas uma estrela peregrina
uma clareira no meio da noite

o canto cristalino da guitarra
uma cama de folhas e silêncios

e adoraste o fogo das palavras
desafiaste o tempo e os seus mistérios

meteste por desvios a horas mortas
adormeceste em becos sem saída


sonhavas uma estrada sem regresso
súbita de pontes e surpresas

a vastidão serena dos desertos
a tranquila majestade das falésias


e a cada coisa que tocavas, davas-lhe outro nome
outro sentido

e era esse o teu tesouro, em ouro se tornava

o teu segredo

Maio 10, 2008

. if i ever (can)feel better .

Porque as vezes lembrar não nos afoga a existência. Com isto recordo-me do vestido preto, que me ficava tão mal, das feridas que aquelas sabrinas me provocaram quando saí assolapada sem a minha identificação, dos possíveis 32 graus à noite enquanto enterrava a minha cabeça em orgânica, era um calor exagerado, possivelmente um dos dias mais quentes do ano. Da minha descentralização e da minha inadequação. Aquele espaço, aquele círculo de interesses e formas de ser. Sim ok, muitas delas legítimas, dinâmicas, merecedoras. Mas um meio no qual não me enquadrava. E misturando com vicissitudes emocionais resultou um caldo meio vasto e complexo.

Mas mesmo assim incomparável à actualidade. Como eu preferia sentir o ano atrás.

Talvez a culpa tenha sido minha. Talvez eu não tenha aberto os braços a este ano. Talvez eu tenha errado quando nem a cabeça levantei, talvez eu mereça. Talvez eu não possa pedir nada. Talvez eu apenas não consiga viver o óbvio. Porque tudo está vivo e eu, por mais que muitas vezes mergulhe, mantenho a saudade de um tempo sem fim.

I died a sudden death.
I made an awful mess.
I didn’t stand a chance

Isto de sentir saudades de nós próprios tem muito que se lhe diga. Será que estas mudanças são como a evolução do PIB? Ou simplesmente como a evolução das temperaturas ao longo do ano? Em vários anos? Nem isso podemos comparar porque até estas não são fieis.

Se for sincera, como sempre, mas mais que tudo sincera comigo propria:

Não entendo

E tanta vez não há nada para entender. E quase sempre nem sequer paro para sentir.

Hoje parei. Pela primeira vez dei-me conta que nunca parei no sentido do termo. Hoje quando me sentei, momentaneamente para fazer qualquer coisa, parei. E aí consegui perceber que nunca paro. E nao se fala em parar de ter algo para fazer ou nos ocupar a mente, sim parar. Não sei se isto também acontece com os outros ou se sou eu que não sei parar. Não faz parte. Sinto que é meu. É meu esse erro comportamental. Erro? Ou apenas coincidência? É uma boa questão. Fiquei assim uns segundos somente. E olhei de dentro de mim para fora. Sim o ruído interior, nunca o suportei, mas penso que nunca foi isso que me castrou esta possibilidade. Sentei-me e senti. Foi diferente. Foi novo. Completamente novo.

Someway, somehow. i’m going out now. it’s all about myself.E não. Não pensei que não era para mim. Penso que isso pertence a qualquer ser que encaixe em si a vivência da tal vida. Aquela palavra que a todos pertence contudo que a poucos se pode aplicar. E aí vi que há mais. Há mais para além dos movimentos, dos percalços, das emoções, das descontinuidades, das questões, das inquietações.

i can't wait, i can't wait, i can't wait...

E não serei eu uma pessoa inquieta? Demais? Sim o diagnóstico de ansiedade e o cloxam vão completar 5 anos em Agosto. Mantém-se? Claro! Ninguém disse que não. Posso eu culpabilizá-las? Tavez sim .Talvez não. Porque por mais que eu continue existirá sempre uma sombra a escurecer-me a alma.

There are things in my life that i can't control

Dos momentos que deixo para depois, das necessidades prementes, de todas as vezes que até acordo bem-disposta mas que passados 10 minutos já estou a amaldiçoar o pão que estou a comer, do autocarro que se atrasou, do que perdi, da chuva que cai, do frio que se dispôs, dos ténis que escorregam, das pessoas na rua, do meu pai quando aqui entra.

As vezes é estranho. Very very strange. E mais que isso confuso. Mas domesticável. Pulsões, sempre vivi para e com elas. Todavia quando elas adoptam outra cor poderei eu simplesmente reconhecê-las?

Tell me please, tell me please, tell me please…

Talvez esteja tudo aqui e eu não veja. Talvez tudo seja perfeito e eu não interiorize. Talvez não haja tempo para isso. O suficiente. Aquele que me permita encarar de frente todas as possibilidades. Guardando as do passado, regulando as do presente e mergulhando nas do futuro. Sem atropelar estes três tempos simultaneamente.

There's a part of my life that will go away
Dark is the night, cold is the ground
I am sure i'll come through i don't know how
They say an end can be a start
Feels like i've been buried yet i'm still alive
I'm losing my balance on the tight rope.

Abril 10, 2008

[it’s all wrong] . it’s all right.

.Por vezes olho pa este compartimento que é meu e onde me encaixo, de uma forma pueril. Como se ele fosse assim desde sempre e para sempre existisse. Como se nunca tivesse sido dividido com ninguém. Como se ele me transmitisse várias sensações e noções do exterior. Como se ele fosse apenas uma redoma que um dia se me assemelhará a uma estufa em tons doces mas antes de tudo inexistente. Como se ao olhar para trás, daqui a muitos, muitos anos, ele apenas me parecesse obra e arte da minha imaginação.

.and so we disconnect, the room grows quiet around us.

.Existem coisas que fazem parte de nós, que intrinsecamente as ‘engolimos’ e as ‘defendemos’ como se alguém as atacasse constantemente, que invadem a nossa memória e constroiem um mundo onde diariamente assentamos o nosso percurso. Existem traços de personalidade que são irrepreensíveis e mais que isso são indestrutíveis. Intercruzam-se como desvios à nossa aprendizagem constante pela vida que nos assombram como figuras mitológicas, criadas à cem mil anos. Daquelas que surgem nos nossos sonhos para nos atormentar transformando um mero sonho num pesadelo.

.Evil was born and followed the boy.

.E juro que tentei fugir. Fugir entre correntes de inatacáveis inconsciências, de turbulentas visões escondidas onde se recobria o ténue desejo de as ultrapassar. Às barreiras que nasceram, não as que criamos nem construímos, aquelas que apenas surgem, do nada, quando menos esperamos e quando menos precisamos delas.

.everything comes around. bringing us back again.

.E como ela, deixei-me conduzir por um caminho obscuro iluminado por uma luz dourada por entre cortinas brancas queimadas com uma ponta de cigarro. Como ela olhei por entre esse círculo e apenas vislumbrei quedas, terríficos medos, pulsares, ansiedades, latejantes dores de cabeça, porventura até desequilíbrios, esses que nunca se pensara em adoptar. De novo. Porque quando o contrário assoma nada nem ninguém o deve derrubar.
E juro que tentei. Tentei perder-me nas ruas paralelas ao meu desencanto, a essas que se interpunham constantemente diante dos meus olhos e tentei seguir uma linha recta. Eu juro que tentei.

.its called the life effect. will it always surround us?.

.E ofegantemente desdobrei-me em mil parcelas distorcidas de uma vontade insaciável. Sentei-me e deixei o desespero apoderar-se de mim. Permiti que ela me suplantasse e em meros minutos cedi à minha loucura desmedida. Concedi-lhe que ela tomasse conta de mim e desfigurasse toda e qualquer racionalidade que ainda sobrevivesse em mim. Que sempre sobreviveu mais do que viveu. E como ela deslizei o meu corpo sobre aquele soalho desconhecido esperando que aquele momento se fechasse num cubo azul, num pano de linho branco queimado por uma ponta de cigarro. Contudo nem cheguei sequer a esperar. Ele encaixotou-se como se nunca tivesse existido e como se nunca uma força tão contida do meu ser se tivesse libertado.

.actions do have consequences. and yet, there is the magic.

.E depois pensei nele, sim, neste espaço que um dia penso reencontrar como inexistente. Não foi só ele que me fez falta como toda a linha recta que tentei seguir estes meses todos e em que me perdi continuamente. No rasto ou na insensatez da minha honestidade, vulgo imaginação fértil e espiríto criador. Porque podemos fugir à realidade gerindo um parque de diversões chamado manipulação mas não podemos tão facilmente enganar a ilusão quando elas nos ampara a necessidade.

E porque as necessidades criam-se e recriam-se. Destroiem-se e substituem-se.

.here is when we start. and where we end.Peço enormes desculpas a todas as pessoas que se dirigiram aqui estes meses, desde Fevereiro, e não encontraram textos nenhuns, de facto não tenho tido tempo para actualizar mas não pretendo deixar o blog morrer nem nada que se pareça, é o meu 'canto', é algo meu fez dia 15 de Fevereiro 3 anos, e não admito plausível esta pausa longa...por isso prometo que guardarei tempo para algo que me satisfaz e mais uma vez lamento a serio às pessoas que perdem o seu tempo de bom grado neste espaço! =)))

Fevereiro 12, 2008

. portrait d'une femme .

[can't stand by myself. hate to sleep alone. suprises always help]

Tu não sabes o que queres da tua realidade. Tu não investes o que anseias na tua marginalidade. Vertes as insónias do teu próprio abismo estrutural. Há mas que isso. São impropérios justos à tua medida. São vínculos dobrados, distorcidos, ambíguos, insensatos. São vértebras estilhaçadas no nada, na saturação inatingível, na estupidez desacelarada. São critérios escritos ao acaso. Numa imensidão metafísica. Antes de tudo absoluta. Como se numa folha em branco se dispussesse todo o teu disforme esforço, esforço em vencer mais uma intempérie, em ultrapassar as forças interfaciais entre ti e essa parede lateral, oblíqua na transmissão desses devaneios letárgicos.

Je sais que tu n'aimes pas ta realité

É qualquer coisa como ver tudo a desmoronar sem tocar nas frágeis cordas que te ainda te sustentam nessa construção disfuncional. Como se nada se desequilibrasse quando tu propria já perdeste o controlo sobre ti há muito muito tempo. Como se essa palavra, controlo, nunca tivesse feito parte de ti, como se a ansiedade em que vives continuamente se repercutisse num vazio insano e preenchido por perfeitas indiossicrasias, fontes de linguagem cessadas, paradas, em caudal suspenso. E nesse vai e vem de metodologias estipuladas e seguidas, minuciosamente vinculadas no teu sistema autónomo, e mais que tudo nervoso, repousam vorazmente pequenas parcelas de suplícios malditos. Esses que também assentam no mar de necessidades dispensáveis, mas inquebráveis, gritantes mas extenuantes, essencialmente esquecidas e reconquistadas. Como podemos reconquistar algo que nunca tivemos?

[so don't get any big ideas, they're not going to happen]

.you'll go to hell for what your dirty mind is thinking .

E levemente levantas a cabeça e observas os fios, as cores, encarnadas e azuis que se distendem no teu céu, por ti arquitectado, apreendido, estendido. Levantas o olhar, ris alegremente, invades o teu corpo de uma certeza perene, semi.cerrando os olhos em seguida, apenas cheirando o doce aroma que se espalha, evaporando-se simultaneamente como se apenas fosse necessario utilizar um evaporador de um só efeito para o fazer desaparecer. E para nesse momento assimilares, entrando pelos teus poros, toda a inquietude que te dilacera as hormonas existenciais, e te adultera o aromático psiquismo. Podia precisar de somente três, três instantes, e tudo estava assegurado, calmamente a noção de espaço se perde, se destroi, se dimensiona.

.cause i know how it feels.
.filling in the blanks. looking on the bright side
.when there is no bright side.

São gargalhadas a ecoar num espaço redimensionado. Foi necessário um novo estudo. Uma nova projecção. Uma análise que permitisse de certa forma fechar o círculo, esse que desce em espiral para uma profundidade qualquer, já nem interessam os mecanismos através dos quais essa reconstituição poderia suplantar o que fosse. Só mandatório que dissociasse o indissociável. Quebrasse em dois a folha de papel amachucado, retido, queimado. Precisamente que quebrasse em dois, dividisse como se de uma linha recta se tratasse duas faces da mesma folha, para patamares diferentes, tais como no início. Só que essas partes tivessem um destino diferente. Que pelo menos assentassem na libertação enclausurada da sua displicência insadecida.

.if you always get up late you'll never be on time.

Que pelo menos transformasse o ilusório sentido de sonho numa realidade suportável e desvinculada.

.now that you've found it. it’s gone.

.now that you feel it. you don't.

you've gone off the rails.

De afectos e de riscos. Porque nem sempre um leva ao outro.

you paint yourself white.
and fill in the noise.
but they'll be something missing.

Peço desculpa a quem cá vem ver algum texto novo, estou mais de um mês sem escrever nada mas d facto não me foi possível antes. Epocas de exames...

Dezembro 31, 2007

*between the click of the light and the start of a dream

Começou como devia ter começado. As barreiras que surgiram encontraram obstáculos a sua ascenção, foram derrotadas, por momentos assemelharam-se a quase intransponíveis, mas nada como o tempo, o tempo destroi tudo, o melhor e o pior. Foi fundamentalmente uma saturação. Inevitável, extenuante, disfarçada, vivendo como um camaleão ofegante e receoso. Era o de sempre misturado com o de nunca. Era o desiludir e as vivências usuais adormecidas em mantos surreais. Era uma luta, uma disponibilidade e uma perserverança. Mais que tudo isso era a viragem e a sensação de esgotamento. Fim. Necessidade de fim. Se bem que o fim abriu alas ao início.

.eu provavelmente morro com o fim da luta mas se te faz feliz eu paroNecessidades, as vezes não temos noção do quanto podemos sacia-las e das várias formas que podemos destrui-las, penso até que temos umas ideias pré-concebidas cobertas de pó e bolor de como as redimir. E por vezes enganamo-nos. E outras vezes até seguimos pelo melhor caminho que poderiamos ter seguido mesmo que durante o percurso nunca acreditássemos em tal escolha. Escolha amaldiçoada, muita força seria precisa para transformar uma queda abrupta assente em cordas bambas numa passadeira vermelha para o infinito. E ela chegou. E ela veio. E eu peguei nela e metamorfosiei os podres restícios de uma angústia extrema.

.wait! they don’t love you like i love youE nesse mesmo vale de promessas flutuantes no ar, nessas mesmas ondas sonoras, nas construções que tão serenamente lançei sobre o oxigénio, esse limpo e distante da claustrofobia interna em que assentavam os meus membros esgotados, alcancei[entre vértebras de ligações estilhaçadas e pensamentos linguísticos desnivelados] a tão ansiada vivência de tudo num só dia, dias esses que nadavam numa ansiedade extrema mas que rapidamente se volatilizavam em partículas de realização máxima. Porque entre as montanhas íngremes da harmonia reinava um esforço árduo que coloria os meandros dos arbustos selvagens da minha insensatez. Da minha vontade e da minha força.

it's not the way i'm meant to be it's just the way the operation made meUm vento sussurante, uma eclética comparceria de sons, dentro e fora de mim. O meu corpo deitado sobre uma imensidão de sentimentos obliterados, de raízes efervescentes distendidas em planos horizontais da minha inconsciência, vulgo essência, antes de tudo a possibilidade e a concretização. A total estabilidade e a loucura balançeada com a hipotética responsabilidade, a paixão. Uma paixão avassaladora que me consumiu o espírito. *between the click of the light and the start of a dream*. Eu deitada sobre um lençol cor de rosa com uns calções brancos, eram 3h da manhã e ouviam-se melodias, ouvia-se gritos por vezes, ouvia-se a voz da alma. A sussurar. Como ele.

you know that, you’ll go soon. you’ll find out so take me with you. always.E no vasto espaço que se abriu perante mim, retrocede na minha insanidade. [this could be a good time] Na química fina, nos interstícios ambíguos que fomentaram a minha languidez. [it's like learning a new language]. Na ridícula adaptação a uma etapa que se esperava perfeita. E onde eu perdi a visão para a nunca encontrar? Foi algo raro não contudo desigual, nem aterrador, foi basicamente uma continuidade de um sofrimento oculto, esse que desprezei mas que nunca me deixou. E agora, porquê ver as coisas assim? [if you don't bring up those lonely parts] Numa luta suprema perdida num interior obtuso? [She broke away] Foi um período de uma subida e descida vertiginosa para terminar numa plena sensação de absoluto. De sorriso estúpido estampado na cara. Por qualquer coisa em que nem acredito e nunca acreditei. Ou teimo em esconder de mim própria. Por algo que sei que não é tudo como também sei que não é nada. used to be one of the rotten ones and i liked you for that

you come here to me. she says brief things, her love's a pony. my love's subliminal.Na plena vivência de uma total integração fisico-mental assentei a minha vontade mas não baixei a minha defesa. Envolvi-me na minha contínua dependência dispensável. Porque ela sempre foi dispensável. Porque ela sempre foi conciliável. Porque ela pode ser gerida. E eu nao a soube gerir. Eu baixei e baixei-me indissociavelmente, retrocedendo dia após dia num devaneio amoral anacrónico. but if your life is such a big joke, why should i care? Mais que tudo quis ver o que nunca veria. Sabia que tinha ido mas que tinha passagem pa voltar e nem tombei na decisão, nem me assustou a infelicidade da chegada, muito pelo contrário, eu sentia apenas que me tinham cortado ao meio como o rasgar de uma folha em que eu estava do lado diametralmente oposto. E nessa posição eu sentia-me segura. Contudo permiti que me cortassem em mil pedaços de procuras constantes de um nada que nunca me desintegraria num todo.

when i stop thinking about it, it will come back to meSó que agora, agora que o tempo passa, agora que eu vejo o tempo passar, agora que paro para assimilar tudo aquilo que me faz falta e me corrompe de uma forma exaustiva e limítrofe, consigo realmente estipular o nada que suplanta as bases do todo e nessa direcção inteirar o todo que pode ser meu.

i left the others knowing, i had to work this by myselfE porque o tudo não tem que ter uma continuidade e porque nada se repete.

Dezembro 10, 2007

i'm so sorry

Ela deitou-se perpendicularmente ao vazio adulterado dele. Naqueles lençóis corrompidos por aquela noite, iluminados por luzes ecléticas, dissonantes num espaço construído a partir dos seus elos carnais, observavam-se serenamente, como se fosse uma mera ilusão de óptica. As suas formas reflectiam num espelho meio enevoado, contudo podia se vislumbrar o contorno das suas silhuetas, as curvas esquecidas dela, o peito amplo dele, a fome renegada dela.
Ela abaixou-se, ficou junto do seu corpo, imóvel. Ele desenhou figuras ao acaso no ar, esperando que elas eclodissem em qualquer coisa de novo. Ela riscou a cinzento por cima das mesmas imagens, a tracejado marcou uma linha recta que disseminou dois pontos equidistantes numa longitudinal crença. Ele acreditou. Pegou num pincel e desenhou o seu corpo, delineou as suas coxas, fitou a pulsação enquanto docemente descia no seu leito, perdia as fronteiras, agarrava-as e deixava-as fugir. Ela ligava um rádio velho que ornamentava uma poltrona suja, riscada pelo passar do tempo, e ouvia.se uma voz brasileira, uma voz quente mas leve, mesmo muito perene, com uma letra assustadoramente real. Os seus cabelos dourados escondiam umas feições sorridentes, mantidas pelo decurso da sua propria ignorância, ela preferia não ver, preferia não acreditar e aí ele apoderou-se dela.

[eu assomava com um longo vestido branco, rodeada pelas luzes das vinte velas que circundavam a cama. Deitei-me, observei. Levantei-me senti-os. Circulei em espiral por aquele antro maldito, tentando assimilar o que dali restava e o que dali me podia suplantar. Eu necessitava de ser suplantada, ultrapassada no meu percurso enfatizado, arborizado pelas mesmas consciências absolutas que me colmatavam os vazios egoístas. Sensacionalmente os espaços deixados em branco pelo meu ego militante, aquele que já não dormia em mim e de mim se tinha afastado precocemente.
Aspergi-lhe o perfume, recuperei-lhe a insanidade, dexei.me conduzir através da minha propria vertigem que ansiava, num depósito de insaciedade metafisica, esse encontro temperamental, essa evasão assente numa premissa promíscua, antes de mais obscena do meu ser. De todos os pequenos pormenores que nervosamente engolia e que demoniacamente se distendiam aos meus pés]Ele reposou sobre ela, deleitou.se com as suas finas curvas, aconchegou as suas pernas entre as dela, percorreu-lhe o lânguido corpo, lambeu-lhe docemente o peito, puxou-o para si, para junto de si. tapou-a em seguida. Deixou-a guiar-se por uma escuridão profana, imperdoável na dissociação inesperada daquele compartimento, uma erva algures deixava-se queimar[eu parei e retrocedi na minha identidade, sentei-me, deixei-me sentir, pousei as maos sobre as minhas pernas e percorri-as serenamente], ele acariciou-a repetida e repetidamente até ela soltar um orgasmo material, fruto apenas do seu toque e da ascensão numa identidade já por ela empacotada em mil caixotes[caixotes esses que abri e respirei o odor que de lá transbordava, como se as debeis faces da minha loucura pudessem envolver a minha auto.contestação]
Os dois uniram-se, uniram-se em uníssono como numa bola de ritmos que balouçava de cada vez que ele perdia o controle sobre a sua orientação. E ela não mais podia fazer que baixar o volume à musica que perspassava e esticar os seus longos cabelos cor de mel num vasto lençol branco.
Eram dois, eram dois perdidos numa hora maldita, compurscada por efeitos cada vez mais longínquos da esfera que nos integrava.

[de fora dela consegui preencher as lacunas deixadas por ela, ela que nunca soube enveredar pelo caminho certo e deitei-me sobre mim sentindo o meu ritmo cardíaco cada vez mais acelerado pela irrealidade daquela transposição metafisica. Era anatomia demais, era sexo sem pudor, eram actos enfatizados e continuamente estilhaçados por comportamentos ambíguos dilacerados em salas ocas, limpas por vácuo e com vácuo instalado.
Era o forte odor a sexo, a entrega corporal, a transcendencia através da carne que se proclamava ali. Era eu a alimentar-me daquele espectaculo como se tudo pudesse agrupar em mil colecções de luxuria libertatária, era o observar daquele pedaço de imagem por ela invertido e por ele recriado. Era apenas o acto pelo acto de afuguentar o espirito enquanto acto de destruir a alma]

[e eu fiquei. Calmamente a espera]

why do you come here when you know it makes things hard for me?

i'm so very sickened. oh, i am so sickened now.

Novembro 29, 2007

.it will come back to me .

Às vezes tenho a certeza que me deito sobre um corpo de uma imobilidade intolerável que me desconforta os sentidos e me cega a sensibilidade. Por vezes parece que a racionalidade é cada vez mais difícil de chegar, que cada vez se afasta mais para um porto longínquo, como se eu a engolisse assimilando imediatamente todos os resquícios pendentes. Muitas vezes tenho noção que não tenho noção nenhuma. Que me perco constantamente no mesmo círculo que diariamente construo. Como se os meus vai e vens de insanidade, de loucura, de humores, de altos e baixos, de ascendências e quedas vertiginosas pudessem justificar tudo. Pudessem balançar as necessidades e colmatar as faltas e as perdas abruptas assentes numa ponte débil e mais que tudo disforme. Porque nem a conheço nem almejo conhecer. Perco-me antes de a ver. De a encontrar. De a confrontar. E quando o faço parece que me falta a base, toda a base, todo o pequeno desconforto que me permita tocar-lhe nas feridas, levemente para não sangrar, como se isso fosse possível dado que todo o sangue dentro de mim congelou e endureceu num tornado de insensatez maldita. Como eu fosse imune a qualquer tentativa, a qualquer raiva que me dilacera o temperamento que por natureza é inquieto e mais que isso ansioso. there´s no name for us. como se tivesse sempre no abismo da minha própria inconsciência.
E depois gera-se o medo. A raiva. Toda vinda de mim, de dentro de mim para fora de mim porque em mim não encontra lugar, onde se distenda. Onde se realize. E é ridiculo, a palavra é essa, é ridiculo, porque existem coisas que não se podem nem devem sequer pensar em brincar e eu brinco com elas todos os dias.'Ela solta os seus longos cabelos, cor de ameixa, cor de mel, espalha a sua invejável liberdade numa plataforma ampla, limpa, branca, imponente na sua função de conjecturação, de procuras constantes de vida. Morte. Dor, ecléticas necessidades. É capaz de sentir, ate de relembrar. Pode até trincar de uma forma voraz aquele pedaço de maçã proibida, completamente amaldiçoada por venenosas promessas de uma identidade sem voz, sem alma, sem corpo. E aí procurar, constantemente, dentro de si, uma linha funda, até uns 400 m, onde se reveja como num espelho estilhaçado, nos seus 789 pedaços oblíquos que caem aleatoriamente sobre um soalho humido e enevoado por uma sombra qualquer. Para poder nesse exacto instante deixar escapar do seu todo essa vontade libertatária e aí encontrar entre pedaços de terra batida e paredes riscadas de azul forte, uma significante vertigem que a catapulte para o patamar que tanto pretende ver como pretende ignorar.'


If it comes back to me i'll let you know
Or why don't you call back to see tomorrow?
I hope i can be the hand that you need
It's unlike a really good solution at the time
It's unlike a really good solution at the time
I've been giving a lots of thoughts...i was so pleased
You were so sad last time we spoke...it seemed...
When i stop thinking about it...it will come back to me.
When i stop thinking about it...i.t.w.i.l.l.co.m.e.b.a.c.k.t.o.m.e.

Novembro 19, 2007

.she's lost control.

Sobre o meu corpo descansou uma lassidão imperdoável que me catapultou para aquele patamar maldito mas porém andrógeno na sua concepção mais primária. Subiram os primeiros vestígios de uma loucura invejável, vulgo sintonia adulterada, por entre as minhas veias e o meu sangue obliterado pelo desequilíbrio apoteótico do meu ser. Existencial, palavra solene, reflexão isolada, deixada num canto a sossegar o suplício linearizado. Muitas identidades, muitos ataques ao pensamento-mãe, mas poucos alcances, poucas displicências, poucas verdades.
Muita dor, muita fome, muita sede de um infinito para além da nossa consciência horizontal.‘uma luz dormente, um apogeu musical, bastantes garrafas esvaziadas num nada, narcópticos perdidos num mar de uma imensidão imensurável, provavelmente lançado numa atmofera impregnada de cortes longitudinais na pele, ferindo a susceptibilidade de um silêncio apagado, adiado para um milénio depois. Forced by the pressure, the territories marked, no longer the pleasure, oh i've since lost the heart. Paredes pintadas de um negro dourado invisível, divididas ao meio por ténues dilacerações insanas, rasgadas ferozmente naquele exacto momento, onde o apelo à impossibilidade se torna mais credível e suplicante no seu devaneio entusiástico. Corrupted from memory, no longer the power, it's creeping up slowly, that last fatal hour. Porque lançam-se gritos esquecidos no ambiente já saturado de uma impensável fome, alargada como fonte de uma promiscuidade gratuita, essa que apenas materializa a vontade como necessidade, pura e somente, saciável, inóspita, a cristaliza num limite de solubilidade já ultrapassado por vertentes intermitentemente distorcidas. Oh, i don't know what made me, what gave me the right, to mess with your values, and change wrong to right. Controle. Falta de controle numa sala abafada por vazios ecléticos, por vozes sonoras, terrivelmente elevadas a um exponencial máximo de uma amplitude inalcançavel, possivelmente nunca antes atingida. Vontade. Real empenho num atingir de patamares desprezados, mantidos em estados de absoluta inacessibilidade por demais compreenderem aquelas fronteiriças limitações onde nos propagam os resquícios de uma atribulada dependência. Para viver, para corromper, para morrer. E nesses três estados de alma ambíguos, porque o erotismo é tão somente a aprovação da vida na morte, encontram-se os nossos mais singelos desejos, completamente renegados, atirados para um sem fim de obrigatoriedades humanas, para connosco, para com eles.
E nesse instante, nesse apelo, nessa perfeita consciência de uma queda abrupta, porque tao necessária ela é, distendem-se as verticalidades subestimadas, as mais ambiciosas colheitas de descentralização merecidas. E aí, onde nasce o medo, a hesitação, o desejo, a dor, o desespero, o vício, as promessas não cumpridas adiadas para um dia sem nome, onde se criam e destroiem simultaneamente as construções que tão arquetipamente elaboramos, perdemos o controle. Não só quando o precisamos, como o desejamos, como não podemos deixar de viver sem ele, como fazemos parte dele.’

.but she expressed herself in many different ways.
.until she lost control again.

Como o defendemos, o interiorizamos, o adiamos, o quebramos, o esquecemos, o recorremos.
São sobretudo suportes onde nos debruçamos como se da própria vida se tratasse ignorando que ela nunca os suportará como nunca se confundirá com eles.

i could live a little better with the myths and the lies,
when the darkness broke in, i just broke down and cried.
I could live a little in a wider line when the change is gone.
when the urge is gone.
to lose control. when here we come.

Novembro 11, 2007

one more night

Numa saturação já esperada, encontra-se a mais terrena certeza da necessidade contra a ilusória força da independência. Num critério mais astuto da individualidade e da construção concisa do avançar dos dias, permanece aquela perene vontade de contrabalançar o peso de uma existência palpável. Porque podemos não conseguir medir mas ela existe.
E no meio de tantas incertezas misturadas ao acaso escapa-nos a vulnerabilidade de uma avaliação conscienciosa. E custa. Mas nestes dias invadidos por uma circustância que grita mais alto observamo-nos a afundar num mar de papéis invertidos, num oceano de ocupações gratificantes mas mais que tudo extenuantes que nos ocupam a mente e todas essas horas que passam por nós. E aí surge aquela palavra que por mais que a critiquemos e muitas vezes fujamos dela, por mais que a utilizemos sempre que qualquer encontro não se realiza, ela existe e preenche-nos a existência. A palavra escape.

Sabemos muito bem o quão efemero é até o pronunciar da dita. Contudo a necessidade de atear a sua chama perpetua-se indefinidamente. É como o correr atrás de algo que sabemos impossível. Mas ele é impossível? Não, escapes há muitos. Todavia existe sempre um demasiadamente especial tanto pela forma como nos alcançou como pelo impacto que posteriormente nos atacou.
Existe tambem uma posição vazia que impensavelmente ele adoptou face a tantos outros que poderiam dissimular a satisfação sentida. Satisfação essa que infelizmente se propaga.

One more night, that was a good one.
One more night, i dreamed it was a good one.

One one oneFaltam-me as cores, falta-me o riso, faltam-me as horas volvidas, as noites não dormidas, os acontecimentos acompanhados de não-acontecimentos, lembra-me a noite quente, os possíveis 32 graus, o alcool, a viagem demorada num autocarro que corria perpendicularmente à minha indisposição psicológica, falta a melancolia de um abatimento esquecido, falta a surpresa sem dúvida, faltam as mesmas noites, falta a alegria estúpida estampada no rosto apenas devido aquele momento, falta aquele momento, falta juntar até o que me lembro dele, falta sentir o sabor, o cheiro e a mão dele sobre o meu corpo. Atravessa-me o desejo, a saudade, as suposições, ideais, as conversas trocadas, o que passou e não volta a ser, entra dentro de mim uma interrogação perante o porquê e o como. Excitam-me as associações que poderiam se ter dissociado num fragmento convulso da minha mente complicada, os imprevistos que poderiam afundar na mesma pergunta retórica, provavelmente aquele olhar sereno e fixo na minha direcção, até mesmo o desespero de uma vontade fisica. Desengradece-me colmatar os espaços deixados em branco com obrigações, estipulações periódicas, com fugas à minha própria necessidade, desequilibra-me a ideia que tudo se evaporou, que afinal tudo tinha outra direcção, essa que eu nunca descurei, muito pelo contrário, que eu sempre a defendi realisticamente, mas essa que me impossibilitou de concretizar esse mero escape mesmo que fosse so essa a direcção que eu poderia escolher.

he starts with her back cause that's what he sees
when she's breaking his heart she still fucks like a tease
release to the sky, look him straight in the eye
and tell him that now, that you wish he would die
you'll never touch him again so get what you can
leaving him empty just because he's a man
so good when it ends, they'll never be friends
one more night, that's all they can spend


One more night, that was a good one.
One more night, i dreamed it was a good one.

One one one
One more, one more night, that was a good one
One more night, the end should be a good one
A good one

Outubro 30, 2007

7/4(shoreline)

it's a shoreline….it's high speed…its a cruel world….

and it's time..

[and you want to get away]

oh where to go to..?
when you want to get it out?

oh how to get through
if you want to get it all?

[you can own what you choose]
[and you want to live a lie]

and love what you lose

oh oh oh….!!!!!!! it's a shoreline….it's high speed….its a cruel world…and it's time
É tempo de seguir por essa linha enquanto o tempo ainda te permite que sigas por ela.
É como uma onda avassaladora indie em que eles os dois saltam enquanto gritam, esperneiam enquanto cantam, elevam-se enquanto emitem.
Sons, são melodias intrínsecas a cada momento.
É como uma carga surpreendentemente emocional de sentimentos trocados, de permutas esquecidas entre noites ultrapassadas, queimadas, relegadas.
É como um conjunto de euforia grotesta a assomar numa sala saturada onde o ar fica corrompido de uma promiscuidade que apenas pretende ir mais além.
É como procurar entre os meandros dessas mesmas salas, compartimentos abertos, uma fenda, uma abertura minimamente consciente daquilo que exasperamos mas que simultaneamente receamos.
É como ter medos mas escondê-los atrás de um armário velho, com um cheiro adulterado pelo emancipar de tantos caminhos estilhaçados a meio. De tantas vezes que se mudou o percurso apenas com receio do futuro. Um futuro eternamente atrasado para um dia sem fim.
É como nos juntarmos à volta de uma mesa redonda e levantármo-nos a meio do que nem sabemos, indo de encontro. à realização das nossas pulsões adolescentes, porque elas não deixaram de existir, e vingarmos a frustração ressequida, a dilaceração quotidiana em pedaços gratificantes de luxuria e de um adiar do significado. Da palavra pecado. Porque ela nem existe. Apenas do viver aqui, onde aqui se fomentou esta discórdia momentânea do nosso ser, e mantermo-nos serenos à espera que a libertação se processe.
E é como se essa libertação se processasse e saltassemos vivamente em cima de uma cama, partindo, deixando, fugindo, e enviesassemos os nossos próprios desconhecidos percursos em algo que sempre desejamos insano.
E é como se essa insanidade nos invadisse e permanecesse serenamente no nosso corpo e na nossa vontade.
E é como se a nossa vontade se instalasse de vez sobre o nosso ser.
E é como se simplesmente vivessemos.
Acompanhados deste som.

and you're walking away.
and you try to get through.
but you’ve got another life.
from the lies they told you.
and you try to do it right.
and they all will see you.
if you try to steal the beat. ohh.
the beat will steal you..porque este post é para uma musica
.porque este post é uma musica
.chama-se 7/4(shoreline)
.porque fala-se de Broken Social Scene
.porque é incrivel que a representação musical se intercruze na perfeição com a demonstração literária
.acho que já disse que este post é uma musica
.e nao se consegue dissociar dela
.porque ha posts sobre filmes, sobre mim, sobre tudo e sobre nada
.este é sobre, com, e para uma musica
.e para um numero
.30
.e para os 365 dias que levaram invariavelmente a este numero
.e para a passagem de um ano
.uma memória
.uma fugaz tentativa
. este post é uma musica, ja vos tinha dito?

[its coming]

it's coming in hard

Outubro 15, 2007

choses secrètes

Coisas secretas escondem-se atrás do varão da nossa intelectualidade, pequenos segredos redimem-se no decorrer de uma descida íngreme pela escada da surrealidade.

Não existe luxuria sem poder nem dinheiro.

Uma coisa implica a outra, não necessariamente uma vinculação antecede-se a outra. Já dizia o grande Marquês de Sade, autor esse que Brisseau se enfastia mas que o inspirou nem que fosse pelo prazer do próprio prazer da descoberta.
Porque descobertas efectuamo-las todos os dias. O que se esconde por detrás, afinal, dos nossos recalcamentos mais íntimos? Porventura nem os queremos analisar, deixamos o inconsciente operar onde ele está, mas se em qualquer momento da vossa vida necessitassemos de deixar escapar uma sexualidade latejante que apenas se apoia na palavra ‘ousa’...deixavamo-nos ir.Às vezes basta ousar para se atingir um patamar meio inacessível a nossa mente contaminada. Por vezes não são suficientes as nossas mais valias racionais que as coisas tem de ser como elas são. Porque sabemos muito bem o caminho e os seus meandros mas acabamos por nos emaranhar numa teia que desde sempre rejeitamos contudo que inevitavelmente sucumbimos. O saber não implica uma acção, mas a partir dele podem se efectivar mesmo muitas situações. O poder de decidir prosseguir por aquele caminho nem sempre se processa com sucesso mas cabe-nos a nós, em cada ponto de retrocesso, criar amarras que nos prendam a nossa realidade, aquela que construímos, sobre a qual adormecemos e acordamos. Porque só depende de nós não chegar ao ponto de aniquilar o exterior sem que isso nos incendeie por dentro.
Porque apesar de tudo o que sabemos nada mudará. Nem lá fora nem cá dentro.

Outubro 03, 2007

accident & emergency

.i’m hungry now.
i’m hungry for you.

E é estupidamente anacrónico que seja assim. É inacessivelmente idiota que se se sinta a chuva lá fora como uma mera continuação de uma tempestade hormonal, passageira, casual.
Porque as vezes só se necessita de um olhar consolador, de uma voz serena, de um estar lado a lado no mais perfeito acompanhamento do ser. De sentir que estamos realmente acompanhados e não um 'estou mais só do que sozinha'.
Porque repentinamente tudo deixou de fazer sentido assim, assim como estava, como que se a desestabilização total de um extremo fosse prioritária em relação a um equilíbrio que nada deve a ninguém. Porque nada tem que se apoiar em escapes reinventados, reconstruídos, adulterados.
Porventura nem sempre nos racionalizamos desse modo, até porque é fundamentalmente complicado, quase impossível, mantermos um poder absoluto sobre tudo o que nos ocorre. E aí nesses pequenos percalços, sorrateiro redemoinho de sensações, cores e visões surge uma voz cá dentro que susurra:

Porque eu só queria a milisémia atenção que não me dás, aquela que nem percebes que de desvanece completamente por entre ti e se dissipa com um coeficiente energético quase nulo por entre a barreira que nos separa, que agora me estilhaça mais para uma perpendicular acima da linha do impossível do que uma paralela à equatorial que nos desengrandece.
Sim é possível desencantar, mais que isso é possível considerar que se errou, se exagerou, se levantou essa ténue fronteira entre dias cada vez mais longínquos, e aí nesse pequeno sentimento de culpa nem sequer ponderar uma mudança de direcção, até porque não existem direcções a tomar.
É como lembrar-me que foi muito estupido mesmo, desnecessário aquele virar de costas 'até já', que não se realizou, que se adiou até um dia, mas que dia? Que horas, que ilusões, que possibilidades, nenhumas, já se sabe, eu sempre o soube. Eu nem sequer cheguei a entrar nesse avião porque sabia que a viagem tinha terminado antes de começar.

It's you who puts me in the magic position, darling now.

Mas eu só queria apenas uma qualquer palavra, uma qualquer demonstração, uma qualquer segurança, uma qualquer confiança, embora só receba desvios relativos aquilo que eu queria. Sim porque eu ainda acredito que não tenho que somar a diferença que concebia uma indiferença absoluta. Provavelmente, porque como a pressão, não perspectivo exasperação maior, e nesse âmbito será impossível atingirmos um mero valor negativo. Porque não existe nada que distorça mais do que já está.

Porém mesmo porém, eu sinto algo como maior, mais forte, mais abrangente, sinto varias vertentes a convergirem para o mesmo ponto, a afundarem como um rio pesado mas original, excêntrico e ditatorial, vejo-me a mim encetando varias cores, adoptando aquele estar que tanto desejei, prosseguindo calmamente e evoluindo lentamente para patamares nunca antes vistos. Porque eu gosto e antes de tudo isto é mandatorio.
E fantasticamente feliz. São mil cores, mil hipóteses coabitando no vão mais louco da inteligência. E da necessidade. Da eclética vontade de ser diferente. E pela primeira vez...gostar-se de ser assim.

Accident! Emergency!
To terrorists, catastrophe
Drop this agony, and misery
Give me accident and emergency!

Setembro 16, 2007

always...

.Play me a sad song because that’s what I want to hear.
.I want you to make me cry. I want to remember the places that we left.
.Lost to the mists of time.

Pode-se afirmar que foi naquele redemoinho de sensações que se instalou uma evasão pacífica do meu ser. Levemente me enrolava sobre mim e em mim, ansiando os dias e as noites, ansiando a calma e o equilíbrio que me podiam invadir, sonhava e imaginava os meandros da minha mente afagada pela mais sublime melancolia. A da vida e das suas dualidades.
Saí de la claustrofóbica, procurei-a desesperada, que poderia ela sossegar em mim se neste corpo só sobrevivia a mais negra das desilusões vigentes? Provavelmente nada. Sei que saí de la, saí com este corpo que me fomenta o espirito, andei, observei aquelas torres simétricas e consegui apreender a melodia, o início, o início de um fim que prometia, prometia mais que cumpria mas que efectivamente me corrompeu. Porque nem interessam já as noites passadas em stress constante e choro sub-humano, apenas importa o que encarnei naqueles singelos momentos. O que simplesmente parei para assimilar. E foi qualquer como isto.

i know that you’ll go soon. you’ll find out so take me with you.
always.

She broke away sempre. Acho que até nem consegui parar para compreender que sempre foi assim. Quebrar, partir, destruir, recalcar, criar, sempre me interiorizaram a alma. Porquê renegar isso? Porquê renunciar a uma preguiça mais mental que psicológica? Porquê nao sucumbir ao que letalmente me engrandece? Acho que fui demasiado ingénua. Mas prossegui. E aí no limiar da necessidade, que por visceral me colmatava os vazios esquecidos, consegui entrar dentro da minha pele e sentir o que até então eu renunciava sentir. E porquê tão tarde? Nem interessa, foi bom e por mais que me guiasse para a aniquilação absoluta, isso não alterava mais. Because it's like learning a new language, helps me catch up on my mime. if you don't bring up those lonely parts. this could be a good time. it's like learning a new language.

Contudo ainda escutei dentro de mim: ‘but you're so cute when you're frustrated, dear..yeah you're so cute when you're sedated, dear’, e aí aceitei os efeitos do alcool. Numa mente sedada pelo inacessível nem sempre se coadunam as prioridades da forma mais correcta, até aposto uma regressão, provavelmente uma linearização com um coeficiente de correlação de 0,85. anyway não pude assegurar nada. acabei por seguir. E não cumprir. E até esse ponto fui honesta. Como sempre. O problema é que me quis afundar. Na minha maior lástima e desejo de perda. A da vontade. E da impossibilidade.
Hey, Hey, vejam só como podem ser irónicos os altos e baixos do temperamento.

E como eu gosto deles. Tick, tick, tick, tick...
Time you take it
Time you take it
You make me, you make me….you make me, you make me….

You make me want to lose it.

Neste mesmo espaço reconstruí, foi bom. Foi muito bom. Depois ainda continuou. Estranho sentir desta forma. Perda, quero perder-me...não, quero me reconstruir. É essa a palavra. Correr atrás do que me fugiu. O que fugiu? you wanted a love song from me. now there´s a love song for you.

E neste mesmo espaço(pela segunda vez), a luz cegou-me, a cor inundou-me a vista, eu quase que retrocedi, intrisecamente tive sintomas de privação, mas de quê? Deste poço maciço de ideais crucificados, ou neste dia, que em míseras 24 horas se transformou no mais penoso possível. you come here to me. we'll collect those lonely parts and set them down.


You come here to me...


Rebolei, recusando sequer compreender as luzes e os sons que se misturavam neste compartimento, no fundo só queria deixar-me ir até que esta desilusão me arrastasse para nunca mais voltar, só queria...She says brief things her love's a pony. My love's subliminal.

Ponto final, olhei pra trás e sorri. Agora dá vontade de sorrir, de passar para o outro lado da ponte de uma forma inimaginável, porque ao recorrer fui eternamente feliz e ao atravessar a passadeira nem sequer notei, como foi possível, a dor, que é a dor, transformar-se e apenas me sussurrar ao ouvido... stay out of trouble, stay in touch.
try not to think about me too much.
E é complicado pô-la de parte nestes dias que me assolam o destino, esse que nem existe, porém que se distende aos meus pes. A dor a dor, essa fome linearizada do meu apocalíptico meio de perder a identidade, a necessidade, essa linha recta que não percorro. Ela sempre ela. A ansiedade. O apelo. Mas qual apelo?

Seria possível?

But now the feeling's growing,
I would be better off with their help.

E no fundo foi tudo tão estranho assim...mas fundamentalmente....meu.

Agosto 19, 2007

she broke away

..:This one is call Stella was a Diver and She’s Always Down:..Ela caminhou decididamente numa passadeira imponente na sua majestosidade eclética. Sentou-se algures, falava-se de extase epiléptico, de vicissitudes cardíacas, cheirava-se um odor a respiração ofegante, como se esta mesma albergasse cheiro, perdia-se o sabor algures, num monte dissonante, num vasto périplo de sombras imaterializadas. Deitou-se, batiam as 9h. Rodou sobre o seu próprio eixo, terminavam as 11h. Era capaz de sentir a luz ténue a bater sobre o seu corpo imóvel. Acendia um cigarro, libertava claustrofobia, eclodiam nuvens de poeira cinzenta. Ela, estava certa do seu caminho, por mais incontrolável que fosse. Por mais que ela soubesse que não podia envergar o anel. Qual anel? Afinal quem matou Laura Palmer?

when she walks down the street. she knows there’s people watching.
the building fronts are just fronts to hide the people watching her.
she once fell through the street. down the manhole in a that bad way.
the underground drip.
it's just like her scuba daysAfinal o que se amontoa sobre aquele vasto encadear de recordações? Penso que meros recortes de paisagens esquecidas, fotografias infames de momentos alguns, tintas febris derramadas por corpos incandescentes, placards de madeira envergando superstições, cartolinas rasgadas sobre a luz apoteotica de uma ignóbil chama. De uma perene fonte de prazer irremediável. Fontes apagadas e incertas. Uma leve, não, uma forte dor de cabeça, uma força imensurável que me leva a continuar caminhos que não quero e que nem os percorro. Porque no limiar da fronteira apagada visionei o conjunto feroz em que se desbastava a minha imaginação. Leves cores replicadas com disléxicos sabores. São cheiros. São proposições. Admissões. Recordações. Ligações e conexões. Days. Daze. Days.

she was all right cause the sea was so airtight. she broke away
she was all right but she can't come out tonight. she broke away

she was all right yeah the sea was so tight, air-tight…

she broke away, broke away
she broke away, broke away
she broke away, broke away

she broke away São impossibildades, vulgo cansaço. De forma, de materia, de horas e horas, e porquê? Uma evasiva raiva dissipada por encadeamentos sucessivos, provavelmente uma continuação de um cansaço inultrapassável, e porque essas barreiras são dificultadas e porque tudo não se constroi na medida em que se cria? Porque tudo não se realiza? Mas porque ela não descansa? Existirá uma plausível explicação? Mas qual? E depois? Não existe perturbação então prossegue sorrateiramente nesse percurso, mas qual?

bottom of the ocean she dwells
bottom of the ocean she dwells
from crevices caressed by fingers
and fat blue serpent swells

Stella..Stella!!! oh Stella….
Stella I love you, Stella I love you, Stella I love you….

Deitada nos tais mencionados lençois amarelos(e tudo foi mais fácil assim), ela consome o seu vício incisivo, ela mantém a vasta coberta dos sentidos acima do seu corpo. Ei-la. Ouve-se o mesmo. Sente-se ou tenta-se reproduzir em kilometros volvidos a mesma sensação. Até quase chego a acreditar que vejo o mesmo. Vi. Vivi. Senti.

well she was my catatonic sex toy lovedrug diver
well she was my catatonic sex toy lovedrug diver
she went
down
down
down
down
there into the sea
she went down
down
down
there
down
there for me

right on…oh yeah…
right on
so good…
oh yeah….
right on
so good
oh yeah…there's something that's invisible
there's some things you can't hide
try to detect you when I'm sleeping
in a wave you say goodbye

Agosto 06, 2007

turn on the bright lights

Obstacle 1. Um círculo vicioso que se formou abruptamente entre vielas e avenidas, incongruentemente dissipadas pelo calor de uma noite, noite após noite, ela vem, ela caminha sobre mim. A inspiração. A inspiração. A expiração. Desce. Sobe. Pergunta. Sistematiza. Afoga em mim uma perene sensação sensaborona nesse pedaço de papel amachucado.
Ainda se encontram caídas, reestabelecidas, as folhas, as ilustrações, os moldes, modelos matemáticos circuncisados por mim. Destruídos, vulgo a destruição maciça, ofegante, demolidoramente frustrante, cambaleante no seu desmedido suor. Distance. I'll keep my distance. These things I never seem to mean. So I leave the murder scene. Este mesmo lugar que me devolve a calma perdida e amalgada por horas desgastadas, rebuscadas, inquietantes. Formou-se um círculo que rodou a meu favor. Basicamente tudo se concretizou como o ansiado, simplesmente tudo se coadunou como o merecido, mas qual esperança, qual satisfação? Via-a nos olhos dela, olhos tristes atrás de um balcão das informações, atrás de uma barriga enorme que não para de crescer..: We can cap the old times make playing only logical harm..:We can cap the old lines make playing that nothing else will change..:, vi nele abruptamente tão instável quanto certo do seu caminho, vi em mim nas diferentes ascenções, nas subidas vertiginosas.
Vi em mim quando saí e esperei por ele. Antes apareceram eles, graciosamente contornaram aquela ilha que construí a minha volta. Ilha que me limitou e me engoliu como me enrolasse inteiramente numa onda de 300 metros. Aí não conseguia obter vislumbre do redor, do que hermeticamente me fechou num quadrado obtuso, e impossível de destrinchar. ..: She puts the weight:.. ela. Eu. Eu sempre atras eu atras, atras daquilo, do resto que sobrou de mim naqueles parametros, atras daquele momento, qual?, atras do ar, da simples brisa que me invade, naquela hora, naquele exacto momento, naquele mergulho, que por si só me transmite a calma que não esperava mas que nao reconstitui. Mas shh. Silêncio. Nothing to be scared of my dreams, they keep hold of me my guides when I can't see.
E sento-me. Na areia, sento-me. E nao desaparece. Este poço sem fundo nao me remete para nada. inspiro e expiro. E nada. porque ela nao chega ate mim. Ela bate a porta da minha pele mas nao penetra nem pelo minimo poro. Continuo a olhar. Pesadamente sobre o fio da navalha que me distancia de mim em mim e para mim.
Look at us
Through the lens of a camera
Does it remove
All of our pain?
Chego a encara-la de frente, contudo não a interiorizo, e ela docemente acena-me um adeus e permanece sentada a porta, à espera. got to be some more change in my life.
Vulgo designação corrente de felicidade, momento de extase e sobretudo de satisfação, ei-la a fonte de poder desmesurado que não sinto, que nao equilibro. Porque ela não me larga, porque ela vive em mim, nas multiplas benzodiazepinas as 3 da manha, porque elas nadam em mim, mergulham e so me socorrem nas 14 horas volvidas, passadas através de Sartre, de Duras, de Camus, até de um simples Suskind, o que é isso comparado com a doce Elfriede, gosto dela porque ela escreve como eu e ela emerge como eu. : But she can read, she can read, she can read, she can read, she's bad. She can read, she can read, she can read, she's bad, oh she's bad.
O que eu mais ambiciono é emergir. É perder para ganhar. É ganhar e conseguir vencer. É encarar esta batalha ganha como algo que me transporta para um novo patamar. Que debilmente desprezo e envieso. Porque o faço? Mais uma, mais duas benzo. As vezes penso que ela escolheu muito bem, vistas as coisas, ele é fraquito, todavia acabo sempre por me redimir a dois. i know you've supported me for a long time somehow i'm not impressed. Três. São quatro. Cinco. Nunca cheguei a tanto. Se pensasse todas as noites no frio que aqueles pobres bebes apanham largados no jardim da Epal talvez fossem seis. Sete. Oito da manha.

subway is a porno

São gritos histericos. São ideias e prazeres que fogem como um relâmpago. Sao momentos, acontecimentos que crio no meu consciente que esvoaçam em direcção ao nada, são folhas, vejam só, são misturas de roupas, com cadernos, pentes e envelopes endereçados ao nada que tanto amo, redistribuídos por placas de madeira. There is love to be made. So just stay here for this while. Perhaps heartstrings recuscitate .The fading sounds of your life. São necessidades musicais, sao medos. Medos atrozes que não me interpelam, nem perguntam se lá fora está frio, isso não interessa, temos sempre Interpol para este momento. the pavements they are a mess.Broad. Gosto mesmo muito. Se me pudesse definir diria que era totalmente este agrupamento musical. Sou totalmente Broadcast. Constellation of orion. A picture with a past. A future so vast. A mnemonic game. On the arc of a journey. Nos instrumentos, nas melodias, na voz, nas letras, nos instrumentais, na definição interpessoal que surge, sou Broadcast, gosto deste avantgarde que passa deles para mim, do underground fantasmagorico que me assombra vertiginosamente.
E é incrivel, uma Sad Song que nao tem nada de Sad Song. Enquanto a ouvia pensava. Imaginava. O paraiso perdido que se espelha constantemente quando por lá passo, criteriosamente estendido a preceito quando avisto ao fundo as torres. E quantas vezes por lá passei. Chego até a ter um pequeno estremecimento quando me lembro de...sim deve ser disso. Sim pode-se dizer que sim. Depois passa. I just close my eyes as you walk out. Out. Out.
Após esses interregnos todos, creio que me reviro constantemente sobre a forma da expulsão do mais fraco e a predominância do mais forte. Acabo sempre por olhar para mim de frente e manter a velha visão de uma perfeição desenquadrada, confundida, desprezada e imensuravel. It's up to me now turn on the bright lights.

Termino por me rever nos risos de quem gosto, no sofrimento de quem perscruto com o olhar, na dimensão de uma mortalidade consciente mas estruturada.
Ate podia falar dela mas isso não me chegava.

Em certos momentos da nossa vida atingir um patamar apenas nos remete para a necessidade de atingir o imediatamente acima e a sede de absoluto consome-nos o espirito numa vasta imensidão de descontroles cerebrais. Porque não passam de automatismos estruturais. Que nos estruturam a existência.

.It's in the way that she walks, her heaven is never enough
She puts the weights in my heart
She puts the, she puts the weights into my little heart.

Julho 24, 2007

thank you

Ao longo destes anos, de todos estes anos que fazem de mim aquilo que sou hoje e do qual me orgulho bastante, ao longo de todos os consecutivos anos passados no mesmo colégio, no mesmo liceu, nas mesmas discotecas, nas mesmas noites, nas mesmas tardes de praia, nas mesmas aventuras, nas mesmas rotinas, na mesma faculdade, dei-me conta, do quanto os meus temas de afiada discussão se remetiam pura e simplesmente à incompreensão. Algo que sempre fui vítima, e no fundo, cada qual, é vítima. Algo que pode nos passar completamente ao lado ou entao enclausurar-nos numa tremenda avalanche de dor e desinteresse. Por vezes voltamo-nos ainda mais para nós proprios, outras vezes nem por isso. De qualquer das formas, a interiorização é aprazível e inteiramente necessária. Depois chegamos aquele ponto em que sim, não queremos de todo porque não precisamos de mais nada. Contudo comigo surgiu assim algo que eu já perdera a esperança que aparecesse. Apareceu um ser iluminado que me compreende. E perguntam voçês, o que ela compreende que nós não compreendemos, ou porque ela consegue e nos não?
Existe uma capacidade adicional, que eu confesso que não possuo, que se chama: saber ouvir. Não é qualquer pessoa aquela que nos ouve, porque nem qualquer pessoa tem a aptidão de se conseguir pôr realmente no lugar da outra esquecendo por completo a sua pessoa, porque de facto, está a posicionar-se noutro corpo espiritual, e aí ser-lhe-á impossível sequer, fazer qualquer comparação a meio que seja consigo próprio. E sim aí podemos dizer que quem o consegue, sabe ouvir. Saber ouvir remete para uma ponte entre a inteligência e o universalismo, o saber observar, sair de si e regressar com muito mais do que entrou. E esta pessoa albergava todas essas características sim. Era mesmo como disse o Estrela, ‘uma pessoa reservada, silenciosa que sabe observar e que pertence à classe das pessoas mais inteligentes’.
Muitos dos meus ‘males’ nasceram exactamente da situação de nao ter quem me ouvisse mesmo. Quem pudesse entrar dentro de mim e aí compreender na perfeição o que se passava cá dentro. Não havia. Agora há. E agora que faz um ano precisamente que este ser entrou na minha vida não posso deixar passar a data em branco.
Existem coisas mesmo muito surreais, porque as circunstâncias em que nos conhecemos não eram nada enquadradas numa perspectiva qualquer de vida minha, ou seja, nunca me imaginaria noutros tempos a ir como fui daquela vez. Depois vieram os depois e esses depois acabaram assim. Nesta amizade que aparte, de eu ter pessoas de quem gosto muito e que sim também sabem ouvir à sua maneira e muito me deram ao longo destes anos, nunca me conseguiram conceder a paz com que fico depois de falar com esta pessoa. E é fenomenal porque parece uma obra do destino qualquer. (destino?), depois de passar uma das fases mais complicadas da minha vida e ter tido mesmo pessoas do meu lado, incansáveis, e mais que tudo amigas, pergunto o que esta pessoa não teria feito por mim na altura. Parece que todo aquele conjunto de acontecimentos vieram tao simplesmente forçar a que nos conhecessemos porque, sim, eu atravessaria períodos tao complicados quanto aquele e sim, estava como se há-de dizer, já há muito tempo sem a encontrar. Nunca pensei sequer em encontrar...repito. a esperança tava perdida. Todavia eis que na Ribeira eu conheco a rapariguinha caladinha, muito sossegadita, a rir.se de vez em quando, e sobretudo a observar. Que teria ela observado de mim naquela noite? Não sei. Seguiram.se outras e uma bela tarde no tasco da Maia, ali o batido de pistacho LOL ou era d morango? Enfim, aí penso que fiz o que fazia com as pessoas. Ao mesmo tempo senti que podia. Sim porque no fundo, eu estava-me a comprometer a que tudo me saísse ao contrário, o meu desabafo podia não cair de todo bem, mas nunca fui pessoa de pensar em consequências dos meus actos, e de facto arrisquei sem pensar, saiu-me naturalmente e ela naturalmente ouviu.me e falou comigo como se me conhecesse há anos e como eu tivesse simplesmente a falar de algo que ela tão bem conhecia. E assim continuou. Até hoje. Esteve presente num momento particularmente dificil meu, não pessoalmente, mas esteve, e embora na altura eu tivesse recorrido a ela sinto que se fosse agora recorreria com maior intensidade visto a força da ligação que se formou.
Não posso afirmar que depois deste acontecimento na minha vida, comecei a ver os outros de outra forma, ou a dar-lhes menos créditos, não de todo, apenas me vejo de outra maneira e me posiciono na vida e em mim de uma maneira que há totil (lol) que precisava. Porque por mais que eu acredite que a felicidade, os momentos, existem e se consolidam no vão da nossa solidão existencialista, no meu perene caso, sempre precisei de uma voz, uma voz não complexa, não sábia demais, uma voz apenas que agisse como uma unica chave para uma fechadura.
E acreditando nas palavras proferidas por ela hoje, acredito que é recíproco embora muitas vezes não me pareça, como se eu fosse uma vampira sugadora e nem pensasse um pouco como as coisas são para ela. Parece que apesar de termos esta relação, esta confiança, somos pessoas muito diferentes. Talvez eu me sinta cada vez mais como ela. Talvez eu veja as coisas tão mais...pacíficas e menos necessárias de exposição. Isso sem duvida. Mas mais que tudo. Eu sinto que aquilo que nos une mesmo a 300 km de distância é especial, é unico e vai ser para sempre. Alias, acho mesmo que é indestrutível. O que até é arriscado de se afirmar. Mas se arrisquei tanto até agora, porque não arriscar no limiar? Sempre!!lov u*

e como acabou por ser um testamento, deixo aqui uma musiquinha que gosto mesmo muito!! adoro, e penso que também gostas, ou não fosse ele o nosso Brian!


I wrote this novel just for you
It sounds pretentious but it's true
I wrote this novel just for you
That's why it's vulgar
That's why it's blue
And I say thank you
I say thank you

I wrote this novel just for Mom
For all the Mommy things she's done
For all the times she showed me wrong
For all the times she sang God's song
And I say thank you Mom
Hello Mom
Thank you Mom
Hi Mom

I read a book about Uncle Tom
Where whitey bastard made a bomb
But now Ebonics rule our song
Those motherfuckers got it wrong
And I ask
Who is uncle Tom?
Who is uncle Tom?
Who is uncle Tom?
You are

I read a book about the self
Said I should get expensive help
Go fix my head
Create some wealth
Put my neurosis on the shelf

But I don't care for myself
I don't care for myself
I don't care for myself
I don't care

I wrote this novel just for you
I'm so pretentious
Yes it's true
I wrote this novel just for you
Just for you


Just for you

Julho 09, 2007

we must never be apart

Today is the greatest day i ’ve ever knownE foi assim que Billy Corgan se apresentou na madrugada do dia 10 de Junho no festival Oeiras Alive. E nos primeiros acordes começou a chover.
Foi indescritível o momento por isso não vou sequer tentar descrever. Foi e apenas foi e sentiu o que sentiu quem desde anos e anos da sua juventude seguiu assombrosamente a história de uma banda épica de Rock and Roll.
Os Smashing Pumpkins não foram aqueles que estiveram em palco. E Billy Corgan sabe disso. Sabe que depois de ter reiventado e introduzido uma lenda na historia da Música no Mundo dificilmente, depois daquela quebra relacional, poderia reverter situações irreversíveis.
Após um reconhecido Gish, um lírico Siamese Dream, um acolhedor Pisces Iscariot, um potente, fenomenal e incomparável Mellon Collie and The Infinite Sadness, uma obra de pura e inultrapassável arte chamada Adore, um fogoso e apaixonante Machina The Machines of God, sem esquecer o curioso e brilhante The Aeroplane Flies High-Turn Left Turn Right, Billy Corgan e Jimmy Chamberlin chamam três musicos e sobre a força da convicção do primeiro, apresentam-se como The Smashing Pumpkins. Lançam hoje Zeitgeist. Fazem uma digressão de apresentação ao álbum.

Decorria o ano de 2000 quando Billy Corgan, D’Arcy, James Iha, e Jimmy Chamberlin anunciavam o fim da sua carreira. Com o visceral concerto no Estádio do Restelo, despediam-se assim dos muitos fãs portugueses que os acompanharam. Chorei bastante, não pude acreditar, recordava o momento que a Shame entrou na minha vida, os multiplos acontecimentos que me faziam recorrer ao Adore, as desesperantes necessidades de ouvir a voz do Billy para conseguir ultrapassar muito do que até então vivia. A sua voz sempre foi a minha salvação. Em muitos momentos dela, desde os 12 e principalmente nos 15/16 anos, vivi intensamente o que se chama por amor a alguém, neste caso, à música, a um album, a muitos albuns, a um musico. Inegável é a excelência deste Senhor. Quer se goste quer não se goste, continua a ser das poucas pessoas que se pode apelidar de artista, de um génio. E como tal, tem um objectivo na sua vida. A perfeição. E aí sim. Ele sabe-o. Atingiu-a por muitas vezes. Mas como todos os prós também existem contras e foi exactamente esse feitio obsessivo que conduziu ao fim da sua carreira.
E eu continuava a recordar os momentos que inventava mil desculpas à Mourão para não lhe emprestar o Adore porque simplesmente não conseguia viver sem ele, a epopeia que foi o encontro com os amigos dela que rapidamente se tornaram meus amigos, aquelas peripécias que a ninguém mesmo, aquela fila enorme que passamos a frente nem eu sei como, eram umas 21h...enfim. o táxi táxi táxi.
Zwan foi uma criação inóspita, vulgar e que não careceu de nenhuma atenção minha. Billy afundou-se e no buraco não conseguia visionar o fundo. Nem um ano volvido e proferia:’Nem sei como entrei nisto..’. Pois nem eu.
2005 aparece TheFutureEmbrace, o seu album a solo. Na Aula Magna o esperei e nela tive a certeza(como podem ler em:http://trustanyone.blogspot.com/2005_06_01_archive.html, post de dia 10 de Junho, curiosamente). Ele queria e precisava de voltar com os Smashing. O James Iha, a D’Arcy e o Jimmy Chamberlin.
Em 2007 é anunciado o seu regresso. Todavia não. Ele não conseguiu o que precisava porque D’Arcy e James Iha não se encontrão com ele. A vida continua e é feita de momentos. O seu poder criativo e toda a sua majestosidade só morrerão quando ele deixar este Mundo, por isso, acredito nele, neste homem que deu tudo de si pela Música e pela orgânica força que o acompanha. Sei que os Smashing Pumpkins neste momento são Ele e a sua grande amizade por Chamberlin. Sei que dificilmente vibrarei com algo que daqui nasca como vibrei ha anos. Também sei que a musica evoluiu para novos patamares e o que se ouvia em 1995 não é de todo o mesmo que se ouve agora. Porém existem coisas imortais. Fenómenos mesmo. Existe fome de criação e vontade de agarrar o momento por quem sabe que reune todo o talento para conseguir tal. Estarei sempre do lado dele. Sempre com ele. Agora e sempre.

Because him is the greatest artist i’ve ever known….

.De facto esta época não deu assim muitas tréguas e o tempo para actualizar o blog foi escasso mas ja reuni algum tempo! os exames ainda não acabaram contudo já estão mais perto do seu final. Peço desculpa a quem cá vem ler qualquer coisa de novo...a época é complexa :s =)

Junho 07, 2007

amorino

Make it whole. Heart and soul.
Make it whole. Heart and soul.
Make it whole. Heart and soul.E é assim, vou dar uma pausa no blog, que se espera breve, na medida em que esta época por qual passo, é de facto bastante intensa a nível de estudo/trabalho.
Não deixo de salientar o grande Billy Corgan, faltam dois dias, para o Alive.


Un jour je t'emmènerai
Vers ce grand pays froid
Là où l'été se tait
La nuit la pluie sans cesse
Engouffré par l'hiver
Et blotti contre toi
Je te raconterai
Cette envie qui fait vivre

Maio 27, 2007

Placebo

Foi com Special K e 20 Years que conheci a voz entranhável de Brian Molko. Essa voz que sempre que ouvia, saía a ideia da minha boca ‘bem qualquer musica deste senhor eu gosto’. Rondava o ano de 2000. Até me lembro das palavras em estilo de convite do meu caro amigo Capelão:’Smashing não é muito a minha onda...mas Placebo gosto bastante...assim do tipo de bandas que tem mais que ver contigo...’. Estavámos de frente para um anuncio qualquer de um festival qualquer que eles iriam actuar. Ele continuou:”Nem me importava de os ouvir tocar’.Em 1996, Brian Molko, Stefan Olsdal e Steve Hewitt lançam o seu primeiro album. Placebo começa com Come Home uma bomba musical. A influência de Smashing Pumpkins era notória na bateria de Steve, uma forte predominância da parte instrumental que assola por completo a primeira musica de uma carreira invejável. Bionic consegue reunir os maiores créditos no album, tornando-se umas das melhores musicas que Brian e seus companheiros fizeram em todo o seu percurso. Tanto uma como a outra carregam em si uma inesgotável fonte de exaltação temperamental, uma mistura dinâmica de impulsos adolescentes carregados de desenfreada sexualidade com uma precoce procura de vida. Dois registos que sem duvida catapultam esta banda não só como uma percursora de rock puro e bonito de se ver com um premente existencialismo. Segue-se I Know e Lady of the Flowers, como outros dois grandes momentos do trabalho acompanhados pela ininterrupta 36 Degrees. Aquele ‘i’ve never been an extrovert happily bleeding..’ não deixa ninguém indiferente....eu as vezes grito quando ele diz happily bleeding...mas não. Placebo arrisca-se a ser um dos melhores albuns de rock de sempre e um consistente e fantastico album de Placebo. Não obstante, os dois singles escolhidos, Nancy Boy e Bruise Pristine, ficam muito aquém do que este trabalho nos pode fornecer...mas lá está...singles :S anyway é dos albuns que mais roda na minha aparelhagem porque rock sempre foi a minha base. Além de que voz de Brian é voz de Brian. Um vício.
Em 1998, Without You I’m Nothing, vem glorificar uma carreira que se esperava mais que promissora. Ask for Answers e Without you I’m Nothing, tornam-se em soberbas obras de arte musicais, com especial ênfase para a emotiva segunda musica citada que dá nome ao album. Aqui assiste-se a um atingir na perfeição musical da banda como um todo, com a força desesperante de Brian Molko na voz que lhe concede toda a sua alma. Maduro, indissociável, atípico, acaba por se tornar em algo diferente do primeiro registo, na medida também que nenhum outro trabalho deles se pode comparar ao primeiro, e a iniciação em outros domínios sai um sucesso. My Sweet Prince é provavelmente a musica mais original do conjunto, encerrando um apelo simultaneamente introspectivo como sarcástico. Arrisca-se a ser também considerado o melhor album da sua historia, pois no percorrer de cada faixa, ele nunca decresce de nível, assumindo contornos deliciosamente funcionais. Existem grandiosos momentos. You Don’t Care About Us. Summer’s Gonne. Every Me Every You. Brick Stickhouse.Chegamos a 2001, e eis que explode, Black Market Music com a imponente Special K, provavelmente a musica mais conhecida do trio europeu. Curioso que foi com ela que os conheci mas foi este o ultimo album que dei ouvido. Terrivelmente inovador, Brian e seus companheiros enveredam por um estilo um pouco diferente, Brian até partilha a sua voz com um rapper em Spite&Malice, que resulta fantasticamente. Este projecto concretizado inclui uma diversidade de estilos e graduais representações artísticas, sem duvida que a linearidade de valor é um objecto a admirar e a elogiar. Temos um single menos bom(pois lá esta eu e os singles), chamado Taste In Men, mas depois aceleram sem destino para voltar, até ao topo da irreverência musical. Temos Special K(que me provoca orgasmos na parte Gravity), Black-Eyed, Commercial for Levi, Haemoglobin, Narcoleptic, Peeping Tom, Days Before You Came. E depois temos dois registos intemporais e que para mim caracterizam e competem para o lugar de melhor música do album: Passive-Agressive e Blue American. A caminhada vai no adro e chegamos a 2003.

Se eu fizer uma avaliação pessoal, de facto, sim, Sleeping With Ghosts é o melhor album de Placebo. A mim transporta-me para outro mundo, por vezes aquele que entrei quando o conheci pela primeira vez, como para o mundo da exorcisão metafisica da premente pergunta retórica que fazemos ao mundo. Eles tocam no fundo da transcendentalidade das suas composições transpostas para uma realidade exultante e expectante. Sim dá vontade de lhes dizer:’ é isso aí!!!’, mas mesmo. Chegam a pegar nas bases de Sade, o grande Marquês de Sade e nas dissertações de Bataille. Este com certeza iria gostar de conhecer estes senhores e se pudesse escolher uma banda sonora para acompanhar as suas obras escolheria esta. Ultrapassam-se sim. Saliento English Summer Rain,This Picture, Sleeping With Ghosts, Bitter End, Special Needs, Protect Me From What I Want e CentreFolds. Um video memoravel- Special Needs. Ai estavam mesmo inspirados =) de realçar a força de This Picture. E uma versão francesa não incluida neste album de Protect Me From What I Want denominada Protege-Moi. E aí alcançamos um bico de obra porque esta juntamente com Bionic disputam o primeiro lugar na minha preferência pessoal. A mais atípica, a mais incomparavel musica de Placebo é esta, com uma certa queda pela versão french. Um video realizado pelo Gaspar Noe(só podia), um cenário de Bataille em cenografia de Christopher Honoré. As vezes as letras dizem o que dizem, fazem-no apenas mas aqui assiste-se a um aprofundamento da mais básica questão humana. E quando se atinge um patamar um pouco acima do que é esperado, é de marcar na história da Música.Meds surge em 2006 com dois grandes momentos, um denominado Meds e outro Drag, com uma In the Cold Light of Mourning soberba. E só. Nem todas as bandas conseguem fazer sempre ilustres albuns e aqui apresenta-se um queda meio abrupta. O album menos luminoso e menos brilhante. Quem conheceu Placebo através deste album deve seguramente conhecer o que eles fizeram antes porque de certo terão outra perspectiva. Todavia não deixa de ser agradavel ouvir Molko em varios registos, onde a meu ver, nem todos se igualam e todos tem o seu carisma. Onde saliento sem duvida nenhuma a musica que faz revirar tudo. Drag. Obrigada Placebo =)
Não esquecer os inebriantes covers, como Johnny&Mary, Bigmouth Strikes Again, Where’s My Mind e o actual Running Up that Hill.

Placebo é um tratamento inerte, que pode ser na forma de um fármaco, e que apresenta efeitos terapêuticos devido aos efeitos fisiológicos da crença do paciente de que está sendo tratado. Pode ser eficaz porque pode reduzir a ansiedade do paciente, revertendo assim uma série de respostas orgânicas que dificultam a cura espontânea:
· Aumento da frequência cardíaca e respiratória
· Produção e libertação de adrenalina na circulação sanguínea
· Contracção dos vasos sanguíneos

Pessoalmente a mim deixa-me louca. Addicted mesmo.Foto by me na segunda fila do CreamFields Lisboa

Maio 13, 2007

waste on you

Era mesmo a única coisa que me apetecia quando desci e assentei no pulsar daquelas batidas. Era exactamente deixar-me esvair como o mar de sangue que periodiamente me escorre pelo corpo, num dilacerante descontrole da minha embriaguez mental. Era chegar aqui, e aqui não estar ninguém. Eu não queria ninguém. Eu queria apenas entrar e que este espaço fosse só meu e estivesse completamente vazio de almas, corpo, e material. Que fosse todo desapoderado de respiração alheia e de pulsações exteriores. Queria-o só para mim sem qualquer parede sequer de forma a que eu me evadisse totalmente sem as barreiras usuais da comunicação. Essas que me limitam e me transportam para aquela dimensão da incompreensão. Mas era algo mais. Aqui havia algo que realmente ultrapassava tudo.
Havia o cansaço, havia o fatalmente. Quando tudo é fatal, em qualquer momento da nossa vida, sentimos assim uma eclosão quase laboratorial em crescimento contínuo, numa perspectiva egoísta da nossa saciedade intelectual. Olhamos em redor todavia não identificamos nada que nos transmita aquilo que queremos ver porque, de facto, não queremos ver nada. Porque o nada, o vácuo que afinal nem existe e só nos estilhaça, clama pela nossa insanidade aleatória. Qual espaço, qual divisória, aqui nada nos separa. É estranho. Acaba por ser guturalmente monocórdico. Uma falta de palavras. Eu não sei comunicar pela falácia da linguagem, nem pelos intermédios que brotam da minha imaginação fértil(essa esconde-se atrás de um arbusto gigante e não me deixa assomar nem por um pouco), eu apenas naquele instante mantenho-me na minha posição que não avança nem recua.
E depois? O que mudou? Mudou muito. De facto mudou imenso. Nem eu sei creio eu. Mas sim. O que eu queria mesmo era que este desgaste, este waste on you, penetrasse na minha pele e erradicasse por todos os poros, por todas as vias e me transplantasse para um terreno, o qual eu penduraria a minha cabeça por uma moldura de quadro castanha, e pendesse o meu corpo por igual numa linha simétrica onde me conseguisse ver pelo outro lado. Esse outro lado. Acaba por ser uma questão insistentemente metafórica. Eu acabo por me permitir ascender a esse porto inseguro, esse posto de passagem obrigatória, aí está a palavra, obrigatória. Não preciso nem me ressinto com as atitudes, elas passam-me ao lado e assusta-me o facto, não de passar ao lado, mas de tudo aquilo convergir para um ponto, que por mais que procure não encontro, dentro de mim. E aí dentro de mim, situa-se a encruzilhada que me consome o espirito e me engradece a existência. Dentro de mim saltam as necessidades primárias. O desejo mais visceral de me relacionar sexualmente com a minha intempérie freudiana, com aquele snobismo material que teme a presença de mim neste ponto onde nada se intersecta e tudo se sobrepõe.
Sabe, sabe fundamentalmente bem a àgua e a luz ténue que ilumina essa circuncisão que efectuei propositadamente no meu corpo, na minha perna, no meu tornozelo, no meu peito. Agride puerilmente esse desdobrar consecutivo de imagens invertidas onde meras ideias se ligam a meros esforços alheios, onde afinal custa interiorizar mas não custa perceber, e nesse ponto, esse que desconheço assenta essa procura, essa força meio mal direccionada que decididamente desprezo. O que resulta dessa decisão? Pode resultar tudo como nada. Posso resultar eu. Eu resulto sempre. Que parte de mim? Essa que desceu, andou e sentiu tudo em cima de si? Não haveria suporte. Poderia ser comprado, angariado, leiloado, estaria simplesmente à venda? Creio que não.
Eu desci não para isso, não para responder sequer, eu saí para me esvair, esvair num patamar qualquer, num chão qualquer, num branco, num azul amendoado, eu apenas fui anotando os restícios dos dias, ignorando as sensações, todas elas antigas e carregadas de pó. Porque não me faz falta.
Eu cumulativamente nem cheguei a descer um degrau que fosse, na medida que aquilo que se me apresenta diante dos olhos não passa de uma mera percepção, uma súbita pertinência, uma indissociável característica comportamental. Mas quanto a isso....


listening@ Waste/ Archive.

Maio 05, 2007

where soul meets body

[i want to live where soul meets body]

[1:27] até [1:43]

Despoletou. Assim de forma abrupta, uma linha equatorial, que divide linearmente os dois pontos equidistantes que formam um plano metafórico entre duas consciências sobrepostas.
Ela assim o pressentiu, seguiu por ela, fechando círculos à sua passagem. Parou e incendiou um pequeno recipiente de volume incalculável, volume esse que continha uvas misturadas com framboesas. Sentiu que no percurso que percorria nada mais a suplantava naquela dimensão.
I'm so glad I've found this
I'm so glad I did
Era azul e amarelo que deslizavam numa corrente neo-post-punk. Fechou-se no quarto verde e sentou-se ao redor de uma mesa com um enorme jarro cheio de acácias, lírios gigantes que enchiam o compartimento com um aroma inebriante. Podia ser até exagerado mas aquele exagero consumia-o num vasto périplo de sinfonias a médio-som. Ouvia-se Debussy, mais para ali adiante, um Haendel. Sentado envergava um Maurier. Lia-o incessantemente como se aquela melodia de fundo o catapultasse num trém que o conduziria ao extase da sua inteligência.
People are fragile things, you should know by now
Be careful what you put them through
You'll speak when you're spoken to
Imóvel, sentada, fumando ao altar. Podia ser sim. Deitada, carregando o fardo dos nervos a descerem e a subirem pelo corpo todo. Provavelmente se se concentrasse um instante alcançava o aroma a hortênsias azuis. Conseguia pegar naquelas folhas mais uns minutos, adormecia sorrateiramente, no vão do seu projecto.
We are the earth intruders, Muddy with twigs and branches, Turmoil! Carnage!

Que nada tenha de vão para um sem número de audiências adormecidas.
With one hand you calm me
With one hand I'm still
Deliciosamente ouvi-o de uma ponta à outra, parece ser uma mistura de um Vespertine e de uma outra mistura de Debut e Telegram, assim umas faixas fashion na eclética comparceria de sons e umas vozes mais elevadas ao expoente como Unison e Undo. Curioso e positivo.

Estava cansada. Penso que ainda se mantém. Aproximei-me dela, estava sentada ao balcão. Tive sorte. Os olhos sempre muito vivos, um sorriso agradável, a denúncia da sua loucura existencial sempre presente. Contou-me de si. De repente senti qualquer coisa como um riso, uma vontade súbita de rir, parei a tempo. Continuámos. Observei-a nos gestos, nas atitudes, nas falas, nas posições. Rimos as duas. A certeza que daquele material era que eu também era feita notabilizou-se na minha mente. Senti-me compreendida. Pouco desabafei porque agora, agora que ela enveredou por um caminho que tão pouco esperei para ela, ela nunca me compreenderia. Avançámos em direcções opostas. Concluímos que nunca fomos tão felizes quanto naquela altura.

Here's my version of it, eternal whirlwind

Era fantastica a sintonia que se estabelecia com aquele som. Era sobrenatural que tudo se encantasse e desenvolvesse de uma forma nunca vista. Fazia tudo ter uma onda de sentido, uma base estável em que ao assentar logicamente não nos feríamos. Por mais exaustivo que seja o processo ele sempre traz qualquer coisa de indissociável da corrente natural, dos humores, das disponibilidades, até das circunstâncias da vida.

Intocável.

It breaks when you don't force it
It breaks when you don't try

Abril 16, 2007

we have go to take cover

Nos andamos lado a lado atravessando um vale recoberto de intempestivos fragmentos desconexos. O nosso caminhar soa ao estilhaçar de vidros no chão, por vezes, escondemo-nos atrás dos nossos arbustos existenciais e aí observamo-nos de frente para uma redoma de espelhos.
Partimos e enviesamos as nossas próprias esperanças, essas já amarguradas e disléxicas de sabor. Eu sei. Lá está, eu sinto. É complicado explicar-te por aqui, eu vivo. Here we got they're back again…look alive, warn your friends…we are warm and we are safe enjoy it while you can before things change. Sabes em momentos atrás, imaginava-nos ao som desta e outra música, acho que a exultação de uma paixão sexual se sente mais durante a vibração de uma melodia dos anos 80. Como se aquela música nos concedesse a tríade necessária para nos compreendermos e aí nos equivocármos docemente sem que essa constatação nos condenasse. Muito pelo contrário, estaríamos a ceder o nosso próprio espaço. Aparte de umas garrafas vazias, poderíamos nos debruçar sobre a nossa alma distorcida em palco coeso e fugazmente gritar o sentimento tão encarcerado e recalcado, depositado em planicies intemporais do nosso desejo simbólico.
Apraz-me admitir uma chamada da ilusão à sensação. À racionalidade perdida que tantas vezes esquecemo-nos de sustentar. Mas sabes é mais que isso. É a inexplicável sintonia que nos distende numa pergunta retórica, onde tu perguntas onde estás e eu interrogo-me quem sou....we have got to take cover brother...e have got to take cover...brother...Na entoação e no embalo da nossa voz em uníssono, ouve-se o riso estridente que levanta pobres espiritos desfigurados, eu alimento-me do teu vil percurso enfático de libertação e tu assimilas uma mera elevação objectiva que te permita ascender sem cuidados a um nível um tanto ou quanto cerebral. Parabéns, fico eternamente feliz por ti, também por instantes alcanço esse patamar auspicioso. E talvez eu possa afirmar que somos iguais. Nos gostos, nas saciedades existenciais, na plenitude da nossa redoma de vidro hermeticamente fechada. Como o teu pensamento, ele é cerrado à minha constante enclausuração gutural. Lie down in a field if you can, look at the night sky oh, where does it end sometimes it hurts when you care about me but it's going to hurt more when they take you away from me.
Eu como, tu sobrevives pedindo insistentemente esse pedaço maldito de circunstância perene, eu entrelaço-me em ti sem que tu te dês conta. Afago o intriseco círculo que te intensifica e eu mesma preencho os hiatos deixados em branco pela ténue possibilidade que deixas fugir dia a dia. É exactamente a ligação a um electro-clash regado a alcool onde os nossos corpos evadem-se ponto a ponto num mapa contruído por literatura amaldiçoada, por períodos ferteis de arte barroca em que nos debruçamos por eles acima, e consumimos desenfreadamente essa fonte de cultura latente, vulgo arte, em que nos deixamos escorregar e alcançar vitoriosos, batalhas a dois onde nos reunimos para a exasperação última.
Cortas por um pedaço ínfimo de destreza essa certeza absoluta. Certeza essa que desconheces e em quem eu confio. Tem graça porque não a sabes explicar e eu entendo-a na perfeição. Chega a ser curioso porque aquilo que eu sei se envolve de uma capa onde sobrecai tudo que desperdiças, destrois, ou ambicionas, fortalecendo os nossos laços de uma forma atrozmente brutal. Here we go again, oh midnight knocks, oh explosions, maybe it's all made up in our heads, this happens to me when i'm bored or depressed.
Continuo no encadear de uma história em que sentados frente a frente em pontos diametralmente opostos, o teu olhar denuncia a nossa fraca fronteira de separação, em que a minha postura apenas remete para um desleixar da minha timidez, quando ajeito o cabelo e sorrio para o lado esquerdo, em que o nosso sorriso se intercruza com a nossa necessidade de compreensão, e onde a tua libertação tão ansiada se espelha na minha insanidade libertatária. Em mim viste uma salvação e uma onda de vida. Eu em ti consegui ver qualquer coisa como uma imagem de euforia indie, de cruzamento de sons ambíguos, de poeira metafisica sobre as nossas cabeças, onde movimentamos os nossos membros com a potencialidade e a entrega de uma noite só, essa a noite, aquela em nos encontramos e onde dançamos ao som desta música ou da outra, onde te deitas cansado e eu esgotada deito-me sobre ti, sentindo o teu corpo pulsar com o meu, bebendo o ambiente em que vivemos e dilacerando os nossos clímaxes em meros segundos. Abafamos as vozes que se erguem cá dentro e rodamos simetricamente numa espiral de vidros, e em que em cada embate frontal, eu vejo-te a ti e tu ves-me a mim
Sabes, é exactamente como estarmos virados de costas um para o outro de frente para um espelho.
Here is the best part of the song
Where i admit that i might be wrong
Because if they are good and if they are right
Then they'll have their rapture one
Of these nights
But if they are wrong

The Organ
Brother

Abril 08, 2007

Inland Empire

I don’t care about that...it is something more...David Lynch nasceu a 20 de Janeiro de 1946 em Montana EUA, tendo inicialmente o sonho de ser pintor. Para isso partiu rumo à Europa de forma a encontrar inspiração para o seu trabalho. Porém viu-se obrigado a fazer trabalhos que não o agradavam e entrou para a Academia de Belas-Artes. Completamente absorvido pelas artes plásticas, realizou as suas primeiras curtas metragens: Six Men Getting Sick (1966), The Alphabet (1968), The Grandmother (1970) e The Amputee (1974). Em 1971 iniciou a sua primeira longa-metragem, Eraserhead que apenas terminou em 1977. Aqui já se observava o tão famoso mundo bizarro de Lynch e arte em stop-motion. O seu primeiro grande filme surgiu em 1980, The Elefant Man, que recebeu 8 nomeações para óscar. Seguidamente o seu trabalho envolveu nomes como: Duna em 1984, Blue Velvet em 1986, Wild at Heart em 1990, Twin Peaks: Fire walk with me em 1992, Lost Highway em 1997, The Straight Story em 1999, Mulholland Drive em 2001, e a consagrada série Twin Peaks em 1990..(quem matou Laura Palmer?..).

E agora Inland Empire. 2007.

O surrealismo existe em qualquer arte. Como na música temos Beethoven, na pintura Van Gogh, na literatura Bataille, na sétima arte, esta arte tão mal amada por vezes, encontramos David Lynch. Atípico, brilhante, metaforicamente sublime, é Inland Empire. Este estado usado como eufemismo de um mundo dentro de mundos e por aí adiante. Isso é Inland Empire. Um mistério que se desdobra no interior de vários mundos que se cruzam na mesma pessoa. E nesse desdobrar Lynch mistura fantasia, sonhos e ficção. Interliga a realidade com o ficticio. E poder-se-ia dizer que o faz repetidamente em todas as suas obras, ou nas mais bizarras, mas não, aqui assiste-se a um ultrapassar de todas as barreiras. Lynch não se excedeu, Lynch superou-se. Conseguiu transformar Mulholland Drive numa brincadeira de crianças. Não posso sobrepôr a importância de cada um destes filmes, embora a complexidade do novo filme de Lynch ultrapasse os limites da confusão mental do primeiro, e todavia também, que comparado a Mulholland apresente uma certa falta de emoção e envolvimento do espectador . O que se estabelece é uma ligação metafisica a nível fundamentalmente cerebral.Aparte. Encaremos as coisas como elas são, ou melhor, interpretemos o filme como ele é. E aí está, ele apenas é. Ele existe e apresenta-nos diante da vista independentemente se vamos ou não compreende-lo, se vamos reflectir sobre ele, se simplesmente o repudiamos ou amamos. Ele não se importa, para ele é-lhe irrelevante. O filme apenas é e desliga-se totalmente de qualquer tomada de consciência. E este posicionamento é invejável. Até é mais, é majestoso. Lynch simultaneamente que reuniu todo o seu universo sórdido, ofereceu-nos de bandeja a possibilidade de contemplação pura e somente sem questionar. Ora isso não retira a atitude de pegar em pequenos pormenores e juntar numa linha de raciocínio, mas Lynch é mais que isso, ele descarrega a espiral dos horrores familiares à nossa memória mas não deixa de estabelecer uma narrativa. Com lógica, pois claro. O que é feito baseia-se num arrancar do espectador, já mais que habituado a ter a ‘papinha’ feita, a escorregar pelo abismo da insanidade, tentando a todo o custo ligar as peças soltas, fragmentadas e indissociáveis umas das outras. E que não se esqueça isso, todas elas são indissociáveis. Mas mais, mais, pratica-se um “vale-tudo” elevado à exponencial libérrima condição de Lynch: manter consigo e somente consigo a chave que abre os fragmentos alucinogéneos que intercruzam a nossa mente. Súbito devaneio, instantâneo transe epiléptico, transfiguração orgânica de imagens invertidas em planos malditos, eis a combinação explosiva que eclode em uma bruta génese cinematográfica.

Uma viagem apocalítica, sensorial, em que nos é fornecida a exaltação da nossa própria loucura psicológica, que nos revira pelas fronteiras da cerebralidade por um processo sem fim. Talvez eu tenha adoptado uma postura essencialmente vulnerável à percepção de um objecto que vive para si, e daí tenha saído esgotada como se tivesse passado um mês inteiro a estudar sem parar. Ele extenuou-me. Num cansaço grotescamente viciante, em que o corredor do vanguardismo contemporâneo lhe deve o primeiro lugar no topo da excentricidade artística. A arte. Às vezes tem destas coisas. Deixa-nos sem folêgo.Lamento encarecidamente, que ainda existam seres vivos que se arrastam para as salas de cinema apenas porque sim e transformam a própria num antro de estupidez atroz. Não é compreensível que usem o riso para disfarçar a sua mediocridade intelectual nem muito menos que saiam a meio e digam:’Que Seca!’. De facto é uma seca. Lynch é uma grande seca. Uma seca tremenda que abate os mais infames desprovidos de inteligência e cultura, num poço de basicidade crua e dura.




De facto! Lynch é um embaixador do surrealismo no cinema e por consequência é complicado aconselhar vivamente quem seja de ver esta magnifica obra ou qualquer outra. Porém não recuo em eleger como soberbo este ‘objecto’ de pura arte.

Março 30, 2007

it's not hard to grow

Sabe bem, sabe especificamente bem cada pedaço da nossa memória pendente. Sabe bem observar os desvios que diariamente fazemos para viver e sobreviver, para prosseguir confiantes no caminho projectado. Sabe bem o céu azul e o sol. Sabe bem o calor. Sabe bem o mês de Março. Degusta-se com uma saciedade intemporal o veraneio cheiro que nos assola o espírito.
A mim altera, a mim seduz. A mim insiste em bater levemente como quem não chama por mim, uma vontade avassaladora de sentir, de inspirar, de viver o que está lá fora. É incrível como cada fragmento do nosso passado nos intensifica tanto como o simples presente em que recordamos épocas e épocas passadas extremamente iguais. Iguais? Nada é igual.
E aí surge a doce utopia. Surge a vontade de pegar numa fruta madura e descascá-la até que fique totalmente seca, resta o respirar do ar lá fora que por mais poluído que seja nos devolve uma imagem pueril da estação que atravessamos. Os dias não são todos iguais e os meses também não. O que se sente em Março não se consegue comparar ao que se sente em Novembro. Existe um desabrochar da nossa individualidade, da nossa história, dos nossos sentidos. Existe de facto, uma porta aberta para o sonho e para a imaginação desenfreada, ávida de novas emoções. Ou existe de facto para mim.
É tal e qual como ouvir episódios novos de pessoas do passado. Pessoas essas que preencheram a minha vida, a transformaram e a adornaram de uma forma muito especial. Pode-se afirmar que o retorno as velhas euforias de querer voltar atrás, não se repetem, apenas se valoriza o que se viveu de uma forma saudosista e racional. Aí sim, gera-se espaço para a admissão de um sem fim de vivências felizes, algumas até muito caricatas. Existe espaço para olhar para o ano passado como para 2000. Para 2001, para um 1999. Existe tanto para integrar na pessoa que hoje em dia somos, tanto que nos faz sorrir de boca cheia. Existe um sol que teima em não chegar defintivamente, um calor que tende a nunca mas se instalar, mas uma fonte de vida no exterior que não podemos desprezar.
E nas saudades do que se foi, do que se compartilhou, estendem-se inúmeras certezas que actualmente somos mais do que fomos no passado. Não se lastima apenas se integra numa identificação pessoal, o conjunto de folhas de papel que outrora descreveriam momentos exaustivamente existenciais. Porque no vai e vem de instantes, dias e noites, não nos apercebemos muitas vezes que podiamos parar para aumentar esse momento por si só tão insólito na sua plenitude de entusiamo pela vida, e acabamos por mais tarde, só mais tarde, encararmos o que fomos da forma mais consciente. Da forma que nos permitirá ascender a níveis tão elevados quanto inacessíveis, quando permanentemente apenas levamos atrás de nós os dias e as horas.
Um misto de saudade e de paixão pelo que somos, de enamoramento pela nossa pessoa neste mês sorrateiramente belo. De sabermos que ainda sobram nos interstícios da nossa alma, réstias do que naturalmente vivemos. Do sentir.There’s still a little bit of your taste in my mouth
There’s still a little bit of you laced with my doubt
It’s still a little hard to say, what's going on

There’s still a little bit of your ghost
Your witness
There’s still a little bit of your face i haven't kissed
You step a little closer each day that i can’t see what's going on

Stones taught me to fly
Love taught me to lie
Life, it taught me to die
So it's not hard to fall
When you float like a cannonball

There’s still a little bit of your song in my ear
There’s still a little bit of your words i long to hear
You step a little closer to me
So close that i can't see what's going on

Stones taught me to fly
Love, it taught me to lie
Life taught me to die
So it's not hard to fall
When you float like a cannon
Stones taught me to fly
Love taught me to cry
So come on courage
Teach me to be shy
Cause it's not hard to fall
And i don't wanna scare her
It's not hard to fall
And i don't wanna lose
It's not hard to grow
When you know that you just don't know


Damien Rice

Março 21, 2007

obscured

Apetecia-me apagar-te. Como que com uma borracha, dilacerar todo e qualquer vestígio que me prende a ti. Pender cada momento por uns 1000 m acima da minha cabeca e deixá-los cair sem olhar para trás. Apeteciam-me esquecer que um dia vi azul e branco no mesmo espaço e que um dia parei e senti da mesma forma. I once fell in love with you just because the sky turned from gray into blue. Queria desprender de mim anos e meses que nunca se chegaram a passar. Queria dizer-te adeus e que esse adeus fosse para sempre mesmo que eu depois viesse a ver tudo de outra maneira. Gostava de entender como as coisas são e porque o são. Adorava avançar um comportamento ciente que era o único correcto. Sinceramente ambicionava que não existisses para assim não deturpares a minha realidade tão estável. Inevitavelmente não era esquecer nem me culpar. Não era recalcar nem sobrepor. Era apagar mesmo.
Gostava que um dia percebesses que não foste um sétimo inferno angustiante, muito pelo contrário, iluminaste uma sala esgotada e abafada num desgastante sufoco, em algo pueril e adormecidamente calmo. Algo que eu precisara desesperadamente por já não ter forças para continuar. Algo que me ressuscitou e me concedeu um alento não revigorante mas inesperado. Mas acabou por ser algo que eu própria construí. Algo que só eu fomentei. E depois de o apreender, concluí que o tudo podia ser meu através apenas e somente de mim. [conclusão maldita que todos renunciam até ao último dia da sua vida].

Porém agora, agora, neste efémero instante temporal, apercebo-me que é mais. É mais do que uma simples linha recta que seguimos mandatoriamente, é mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa. E aí a necessidade de cortar a corda urge. Neste preciso momento, porque agora é a hora. E chega a ser irónico. Extremamente irónico. On the anniversary of his death, she drew a beautiful picture of a whale. Porque não dá vontade de explodir num vácuo e deixar a poeira baixar mas sim entender que as nossas características inter-pessoais nos perseguem e nos invadem teimosamente até não resistirmos e cairmos por terra. Não vale a pena lutármos contra nós próprios, vale mais a pena sermos fiéis a nos próprios. Não nos sacia a consciência que se seguirmos por aquele caminho vamos ser incorrectos para com o exterior quando aquele é o único caminho que conseguimos seguir. And then i was strong but i have lost the flower and the innocence in this setting i feel lost because nothing has got anymore sense. Não vale a pena acreditar porque a palavra nem existe como não se espelha uma indissociável vontade de querer acreditar. De precisar. Porque não preciso. Nem quero. Todavia eles estão lá. E quanto a eles nada podemos fazer. Apenas contorná-los. E aí é que eu queria apagar-te. Levemente até que nenhum contorno da tua insensibilidade sobrasse em mim. Destoasse em mim. Pour l'anniversaire de sa mort...Lost your head, now you sleep on the floor
what you said, i don't want anymore
through the haze, make your eyes up to ache, out in space, days away

through these eyes i rely on all i've seen. obscured
through these eyes, it looks like i'm home tonight

left for dead as you sweep out the cold
things we said we don't need anymore
tale inside her like a fallen kite, hey, hey, yeah

through these eyes, i deny on all i see. obscured
through these eyes, it looks like i'm home tonight

what you said made a mess of me, what you said, i don't want

obscured

E ele fez anos no passado dia 17. De facto falha minha não ter escrito nada mas tempo...love him!

Março 16, 2007

félicitation

‘Se não fosse Isabelle não teria feito este filme. É a maior actriz da Europa e se calhar do mundo. O filme resolverá todas as dúvidas que alguém tiver em relação a isso.’. Michael Haneke.Huppert é isso mesmo. É poder, é força, é instinto básico e visceral. Huppert é visceral aparte de qualquer instinto superior. De qualquer intempestiva necessidade eclética. Ela contempla tudo o que pode ser e não ser no mesmo papel, na mesma pele que encarna totalmente como se da própria vida se tratasse. Ela vive cada personagem como se fosse a última.

"Isabelle Huppert tem o papel da sua vida e confirma ser uma das melhores (se não a melhor) actrizes da actualidade."

"Mas o rosto que fica não estava em competição: Isabelle Huppert em "Deux", de Werner Schroeter (Quinzena dos Realizadores). É um filme com "e para" Isabelle, que interpreta duas gémeas, separadas às nascença (filhas de Bulle Ogier), em périplo de drama, sexo e ópera. As obsessões de Schroeter são as mesmas (incluindo a escatologia), mas quem se deixar levar pela colagem caótica de planos emotivos, há-de receber um plano que parece redimir tudo. Há anarquia infantil à solta em "Deux". E Huppert é rainha nesse jardim de infãncia."

‘A Pianista’ de Haneke trouxe-lhe o rótulo de melhor actriz contemporânea/francesa, o que for. Fala-se de algo diferente que mesmo pouca gente consegue compreender. Fala-se de pequenos pedaços encaixados com uma ordem não-linear na nossa sub-consciência adormecida. Ela permite-nos ascender a ela e não ter medo das consequências. Ela acalma. Afaga a epopeia existencialista que nos consome o espirito muitas vezes, desconvexo. Com o simples olhar, do alto da sua imponente frieza, ela concede-nos o que procuramos muitas vezes e não encontramos. Um sensibilização pelos actos incongruentes de um interior em chamas exorcisado por comportamentos anacrónicos, uma transfiguração da espiritualidade versus exaltação carnal desenrolada por Bataille, duas gemeas em forma e dimensão promíscua, uma ironização sarcastica, uma aventura no poço rotundo que é a democratização dos sentimentos, enfim...Enquanto muitos a subestimam existem ainda muitos a quem ela lhes sussurra ao ouvido...."O grande destaque vai, sem dúvida, para o extraordinário desempenho de Isabelle Huppert, naquela que é uma das personagens mais marcantes de todo o cinema recente. Só ela é todo um programa psicopatológico, sociológico e de muitos outros temas. Só ela, ou elas (actriz e personagem) já justifica(m) um lugar na história desta arte."

"Isabelle Hupert está magnifíca. A melhor actriz da actualidade e um desempenho esplêndido"

"Isabelle Huppert tem aqui talvez a sua melhor interpretação da sua carreria, a sublimação de todos os ensinamentos que tem recebido, muito em particular de Chabrol. Um só olhar, ou até um simples andar, define imediatamente a personagem que interpreta, e domina toda e qualquer cena do filme. Não precisa de gestos espalhafatosos nem de esgares. Numa palavra: portentosa!"

"Este filme devia se chamar 7 mulheres e um MULHERÃO. Isabelle Huppert és uma Deusa. Após este meu grito de admiração posso dizer que a película "8 mulheres" é uma obra simples, eficaz e bastante divertida (..) No meio de todas as actrizes da película, uma ofuscava no acto de representar qualquer outra. Isabelle Huppert, a ex-masoquista pianista, a fazer uma comédia. É impressionante a polivalência desta actriz e quanto a mim é sem dúvida uma das melhores (para mim é mesmo a melhor) actrizes da actualidade. Cada vez que tinha uma fala..enfim...onde estão as outras actrizes?. Cada cena, cada "roubo". Um must see. Só por sua causa vale a pena ver a película, ou teatro filmado, como lhe queiram chamar."

"Ou: como filmar o que de mais contraditório, secreto e inconfessável existe dentro do ser humano, sem que isso se transforme num pretexto para uma quermesse de «porno-chic», num compêndio visual de fantasias obscenas ou num festival de voyeurismo. Ou: como fazer um filme de terror realista e «clínico» só para adultos, onde Bach e Mozart coabitam com o sexo duro e o sadomasoquismo. Ou: está inteiramente certo quem diz que Isabelle Huppert é uma das maiores actrizes do mundo. Desde já, e sem a menor hesitação, «A Pianista» é um dos acontecimentos cinematográficos do início do século e um dos melhores filmes do ano.""Uma proeza nos limites do próprio cinema. Ou como se filma o impulso amoroso nas suas gloriosas ambivalências — os actores são um prodígio e Isabelle Huppert surge, também ela, nas fronteiras mais radicais do próprio acto de representar."

"O que Isabelle Huppert faz em "La Pianiste" - e não se fala só das "cenas" de figuração "arriscada" - poucas actrizes seriam capazes de o fazer. Como ela diz, este tipo de argumento, este tipo de desafio, ousar os limites do pudor, "não se deve aceitar de ânimo leve, e ainda bem que é assim". No caso dela, claro, houve Haneke; mas o caso dela é particular: o sacrifício e o prazer andam de mãos dadas, numa espécie de procura da perda de si própria. (...)O registo de Huppert nos filmes é habitualmente introspectivo porque, ela diz, "o cinema quer revelar o invisível, uma câmara é uma lupa, vem tirar-nos coisas que nós não sabemos que cá estão, por isso não vale a pena estarmos a reforçar o processo com mais coisas"."

"E são os actores a pagarem o preço figurativo, também ele cruel, de tal ousadia: Louis Garrel (um dos «Sonhadores», de Bertolucci), através de uma comovente vulnerabilidade; Isabelle Huppert, habitada por uma perdição carnal e ao mesmo tempo fria como uma estátua, apenas uma das maiores actrizes contemporâneas."

"Perante a Hélène de MINHA MÃE, antecipa-se que se irá juntar a um percurso reconhecível de personagens indomáveis, sacrificiais, interpretadas por Isabelle Huppert. Não é por veleidade, mas a frase inaugural de Bataille em "O Erotismo" - "a aprovação da vida na morte" – parece feita para elas. E Já se pode falar do "efeito ”A Pianista”... Mas é verdade que não vemos outra actriz no lugar dela."

"Não resistimos a citar-lhe uma frase do livro: "Uma verdadeira grande actriz nunca tem medo de papéis de monstros".
Huppert; "Ela não tem medo porque nunca os vê como monstros. Se os visse, teria medo como toda a gente. Em todo o caso, uma actriz tenta aprisionar o monstro. Ou mostrar que o monstro pode fazer parte de nós."
E assim comemora-se mais um ano de vida da melhor actriz do mundo. Huppert é luz. Huppert dissocia o indissociável e integra o já podre desintegrado chão miserável em que continuamente nos abatemos numa simples aparição cinematográfica. Sacrificio e prazer. Não há prazer sem culpa. O prazer não tem culpa. Necessariamente nada se coaduna. E porque haveria de ser coadunar? Trangressão e proibição. Eis a questão.

16 de Março de 1953

.Pequenos trechos/criticas/exposições intercaladas por observações minhas =)

Março 06, 2007

missed me?

'Sarcasticamente ela lançou-lhe um olhar que o despiu dos pés a cabeça. Estavam subdivididos por barreiras intransponíveis de letalização orgânica. Mrs. G caminhava francamente nas suas direcções quando foi interpelada por uma gorvenanta despistada:’ deseja servir o chá?’
Ouve-se no fundo do corredor um ruído ensurdecedor, um copo partira-se. Talvez uma chávena. Algo que sorrateiramente teria perdido o atrito que outrora detia. Ela sorri e rapidamente desata numa euforia grotesca rodeada de gargalhadas sonoras que ecoavam pelo salão fora. Ele levantara-se exausto e corria até um compartimento fechado.
Ria-se. Ria-se. Gritava-se. Excedia-se. Agastava-se vezes sem conta num prelúdio emancipal da condição humana.
Serenamente reluziam os cristais alinhados na prateleira de cima, essa mantida perenemente por estandartes equidistantes, ordenados por faixas pueris de discórdia momentanêa. Discutia-se longinquamente o que se deveria servir pelo jantar. Irritavam os gritos histéricos das empregadas afoitas que empunhavam panelas e tachos de uma forma tão disforme quanto aleatoria. Separavam-se os frutos secos e as entradas numa mesa aparte, os doces de travessa excêntricos que rodopiavam por prateleiras acima e abaixo. Ela assomava ao quarto. Um quarto lilás, decorado em tons de violeta escuro, quase roxo, sustentado por cortinas azuis, por paredes pintadas de lilás pálido e ornamentos colocados lado a lado, dispostos irregularmente. Estava de frente para ele. Ele estava de costas para ela. Limpou discretamente o ombro e sorrateiramente centrou-se no seu olhar. Virou-se de frente para ela. Ela balançou os membros e iniciou uma dança em que o seu corpo circundava cada local daquele espaço. Ele fitou-a durante 6 minutos. Ela continuou acabando-se por prostar a seus pés entoando:

Missed me, Missed me
Now you've got to kiss me
If you kiss me, mister, I might tell my sister
If I tell her, mister, She might tell my mother
And my mother, mister, She might tell my father
And my father, mister, He won't be too happy
And he'll have his lawyer, Come up from the city
And arrest you, mister, So I wouldn't miss me
If you get me, mister, see ?

Missed me
Missed me
Now you've got to kiss me, If you kiss me, mister
You must think I'm pretty, If you think so, mister
You must want to fuck me, If you fuck me, mister
It must mean you love me, If you love me, mister
You would never leave me, It's as simple as can be !

Missed me
Missed me
Now you've got to kiss me
If you miss me, mister, Why do you keep leaving
If you trick me, mister, I will make you suffer
And they'll get you, mister, Put you in the slammer
And forget you, mister, Then you'll miss me
Won't you, won't you miss me
Won't you miss me
Won't you miss me

Missed me
Missed me
Now you've got to kiss me
If you kiss me, mister, Take responsibility
I'm fragile, mister, Just like any girl would be
And so misunderstood, So treat me delicately !

Missed me
Missed me
Now you've gone and done it, Hope you're happy
In the county penitentiary, It serves you right
For kissing little girls
But I'll visit, If you miss me
Say you miss me , 'Cause the food they feed you
Do you miss me , Will you kiss me through the window
Do you miss me, Miss me
Will they ever let you go
I miss my mister so
Foram encontrados de gatas abaixados enfrentando os seus fantasmas, sem medos nem receios, foram rebolando pelos lençois enrolados sobre uma pirâmide concâva, encetando uma figura planar, fugindo e encontrando-se continuamente através dos mesmos lençois e das mesmas colchas. De repente desapareceram por lados opostos.
Mrs. G levava agora, uma vela na mão direita e uma travessa recheada na esquerda e equilibrava aqueles dois objectos com a precisão de uma mente capta quando sintetiza o bom senso e a virtude alheia. Entrava no quarto agora destroçado pelos ultimos esquartejamentos materiais e eclodia numa nuvem de poeira eterea. Conseguia-se ouvir, porém, uma fonte de chamadas inquietantes de espíritos desavindos com a realização do concretizado final, e podia-se ainda adivinhar que aqueles que desapareceram por portas diametralmente opostas se teriam encontrado no átrio da consecutiva destruição de dejectos humanos, esses secretamente escondidos em armários exaltantes de luxuria esgotada. Nas secreções da atípica transfiguração carnal.'


Oh my goodness! Fantástica composição musical by The Dresden Dolls oh yeah! ‘Missed me’. Many congratulations for the great performance of Amanda Palmer. Sim não consigo esconder a minha preferência pelo elemento feminino do duo americano =)

Fevereiro 26, 2007

dentro de mim

E é extremamente curioso, chega a ser fantasmagoricamente surpreendente, que as correntes transportadoras de bom-senso e amadurecimento intelectual confluam no mesmo cais. Chega a ser terrivelmente positivo que tudo se circunde de uma premissa estável, se bem que tortuosa no sentido lato do ser existencial, e tudo se perpetue de uma forma imaginariamente permissiva de um comportamento alegórico montado em estandartes corrompidos por gritos ecléticos.
Ela, a outra parte, aquela que se divide e multiplica por dois moldes distintos e individuais na sua certeza absoluta. Ela aquela que olha a sua semelhante com fervor e respeito, mas que timidamente a arrasta por caminhos incertos. Ela que destoa num conjunto de cores ambíguas que se confundem num espaço ilimitado pelo circuito fechado que se criou no quotidiano. Elas as duas de maos dadas por trilhas inimaginárias. Vão contentes. Vao cientes da realidade. Vao calmamente. Vao contornando as dimensões atléticas das circunstâncias passageiras, elas vão deslizando suavemente por vales de incertezas adulteradas acreditando serenamente na pureza de um estar alimentado com os destroços do pacífico e inevitável confiar.

'Acreditas? Deixa-me escorregar lentamente....parece que sinto o frio dessas paredes molhadas....estão de azul? O que isso importa? Quero sentir o odor que vem delas e com elas absorver o desgaste dos membros agastados. Quero atingir o patamar de esgotamento são, quero não aguentar as minhas pernas por mais que 10 segundos, quero arrastar-me e ver arrastar o meu corpo por entre compartimentos hermeticamente fechados. Desejo a plenitude de uma esgotamento atroz que me impeça sequer de saborear o gosto vazio da água, que me encurrale o espírito com placas oblíquas obliterando um cheiro a madeira opaco. Quero montar persistentemente várias cores e vários pontos de viragem, quero esquecer que o segundo que passa leva consigo o meu olhar, pulsar, enraivecer, respirar, quero deitar-me numa planície coberta de mil descobertas renegadas, e aí inspirar o ar saturado que transborda do meu corpo. Quero imaginar o que imagino quando reflicto sobre as minhas próprias pulsões e aí constatar que expiro vilmente o teu doce e delineado corpo, essa fonte de excitação desleal e excedida por terrenos pantanosos de ideais irrealisticos. Gosto de supor apenas por supor, de me deixar evadir em lençois laranja numa cor ténue de desejos apocalípticos, esses que corrompem esta paixão avassaladora, mantida e ignorada por milhares de milisegundos passados e albergados por essa sensação continua e comtemplativa da minha existência normalizada. Por mim a descer e a subir andares desnivelados suscitando a catarse desta génese primordial. Ao ir.'

E ai nesse precipício da vontade, elas coexistem uma com a outra. Estão dentro de mim e entoam uma para a outra:
é pena quase não poder ficar
és quente quando a luz te traz
quase te vi amor , quase nasci sem ti, quase morri...

dentro de mim
ficas dentro de mim
por dentro de mim
estás dentro de mim

silêncio.lua.casa.chão
és sitio onde as mãos se dão
quase larguei a dor, quase perdi, quase morri

dentro de mim
estás dentro de mim
por dentro de mim
ficas dentro de mim

sempre sou mais um homem
Mais humano
Mais um fraco..
sempre..
sou mais um braço
mais um corpo
mais um grito
sempre..

dança em mim!
mundo, vida e fim!
dorme aqui
dentro de mim..

é pena quase não poder ficar
no sítio onde as mãos se dão
quase fugi amor
quase não vi
vamos embora daqui
para dentro de mim...

e sim é como ela tal e qual. Porque dá vontade de a abraçar quando ela interpreta aquele papel incutido, e dizer-lhe 'sim eu sei, sim eu vou, sim eu estou, sim eu sou'. Ela comove. Comove em qualquer papel que faz, comove em qualquer olhar que deita, ela incita em mim naquele singelo instante de assistência televisiva uma emoção comparada apenas aos melhores e mais exaustivos actores. Ela transpira na pele a emoção de um 'o problema é ter emoções a mais e não conseguir geri-las'. Dá vontade de a agarrar e levar para dentro de mim.

Tiago Bettencourt/ Dalila Carmo (oh yeah versão indubitavelmente melhor)

Música de filme

Fevereiro 18, 2007

i'd curse my heart

Pack up. I’m straight enough.
Oh say say say
Oh say say say
Oh say say say
Oh say say say

Se pudesse encontrá-la dizia-lhe que é impossível uma fuga que não recaia sobre o próprio círculo de que ela pretende exorcisar. Diria-lhe que o arrastar de uma mala pesada sobrecarregada de acumulações grotescas do ser, nunca a conduziria ao patamar e ao encontro de um refúgio em si mesma, antes a um pulsar metafórico que insistentemente se extravasa por correntes impuras. Que a música que ela ouve depois de um amanhecer numa estação de comboios na fria Escócia, apenas imortaliza a sua imagem serena em tons de encarnado escuro. Em vozes perdidas num ambiente exageradamente saturado.

Sentiria que ontem, tal como hoje, enveredamos caminhos que nos valorizam a nós e ao nosso espaço, ao que precisamos de encarar de outra forma e ao que esgotamos dele. Que um sair e entrar de nós mesmos nos leva escorregar numa espiral que pretendemos ao máximo evitar, mas em que nos agastamos cada vez que a encontramos.
Fomenta-se mentalmente uma fuga baseada no ir. Sair. Mudar. Alguma sensatez em actos perdidos? Consciência de uma fonte promíscua a penetrar-nos o corpo, criando um poço de repulsa momentânea, um esgar de uma luxuria proibida mas que nos transcende e arranca do mais profundo nível uma agonia contida, um vómito dilacerante, uma criação soturna de um vasto conjunto de acontecimentos não evitáveis. De um suspirar por uma normalidade que nunca acontece.

A necessidade. A vontade. O procurar. Circundar esta sensação de loucura, de nojo estilhaçado, de recordações em locais passados, de ouvir um ‘bem-vindo ao passado’, de custar por mais que se pense que somos alheios a algo que não controlamos. De encararmos comportamentos e decisões, que por um breve segundo, nos reviram e nos estendem os membros numa forma disforme repleta de ambientes ambíguos e permissivos de um sufoco irascível. De gritar sonoramente calada enquanto acompanho o caminhar de um trilha qualquer para me conduzir a um local qualquer, o qual apenas o atingi com um único pressuposto, premissa essa inválida porque inantigível se cria e esgotadamente se destroi. Purple washes over me, seeping through my open seems, I’m stained all over.
Cansa. Chegamos a um ponto que satura. Não satura olhar para mim porque a mim me habituei, custa sair de mim e aí permanecer longe, silenciada, espectadora, do que me redundantemente foge, alcança e deteriora. Engana a observação de meros pedaços da minha essência a contradizerem-se por trechos rápidos de melodias criadas por compositores malditos, esses que vertem um suplício de cores, odores e sabores, de dimensões e gratificações, essas pagas na base do desgaste humano. Silence makes a girl talk fast speeding but I’m gonna crash, and burn for love sakes.
E no fim. No chegar. Do desejar ardente do espaço por mim contruído e por mim abandonado por meros instantes que me pudessem devolver a identidade amalgada, distorcida e recriada, por constatações incansavelmente duras de meses e dias passados, em que o exagero de uma intensidade sempre presente no quarto ao lado, me catapulta dia a dia para uma montanha-russa de pânico distinguido por etapas esféricas. Pela tridimensionalidade de uma transfiguração existencial.

Pelo arraste de um sabor adulterado, pela corrente fria que me atormenta a alma e me entorpece o corpo, pelo vulcão carnal de uma desilusão assente em sentimentos (in)destrutiveis. Wait! They don’t love you like i love you. Por mesmo assim partilhar o que não compreendes, sabendo que uma palavra qualquer me afaga essa fraqueza, assolando fugazmente este momento, aquele onde colidem todos esses ideais, esses que lhes perdi o sabor e a visão, concedendo-lhes um vasto sentido de orientação em todas as direcções. You pretend we’ve started again, waiting for me to say when. But I say purple. Por me imaginar a evadir-me de uma sala fechada onde grito vorazmente simultaneamente que me invades freneticamente contra uma similar parede, mesa ou espelho fechado, onde aos meus olhos te manténs como objecto de saciedade mútua e onde eu te assemelho a algo que anseias ecleticamente no teu profundo poço de recursivos processos de recalcamento. Onde se mistura o teu odor pelo meu amor por ti, pelo teu cheiro, pelo teu corpo, pela tua voz, pela tua pele, pelo teu olhar, pela minha insegurança, pelo teu sexo. Duty keeps a lover loyal but is it really worth the spoils when i dream purple. Onde se captura um pequeno gesto de reciprocidade alheia aos nossos sentidos. Made off don’t stray. My kind’s your kind.
Mas o que resta sou eu a alimentar-me dessa ligação, no pedaço temporal de um mapa onde se estende o desassossego inquietante em que assentou esta ponte obscura, mas não oculta, das nossas racionalidades tão distintas. I’ll stay the same.

She won’t go where i…I would go for you
I’d curse my heart

For you@cansei de comentários a seja o que for, de compreensivel ou indivizivel, e nesse âmbito perdi a vontade de manter comentários a qualquer coisa que escrevo, não me sinto à vontade que comentem muita coisa que não tem comentário possível, afinal crescer tem sido a palavra de ordem em mim e aprender a viver com a incompreensão também. Apenas sinto vontade de expor o que seja. Existem mesmo certas coisas que so servem para ser observadas. Admiradas. O que for.
Curiosamente o blog fez dois anos no passado dia 15 de Fevereiro e como não me foi possível escrever nesse dia dado que estive ausente, aproveito para dizer que é notorio uma nova etapa do blog com este novo ano, o que vem de acordo com esta decisão que tomei. Nunca pensei que continuasse a dispender tanto tempo pa escrever por aqui mas pelos vistos isso continuou.
Já agora agradeço as todas as pessoas, amigos, meros visitantes que aqui deixaram os seus comentários e a todas as pessoas que por aqui passaram, as 7392 visitas =) Obrigada =) Espero que continuem por cá.

btw:

Yeah Yeah Yeahs / Maps
Skin / Purple

Janeiro 31, 2007

wake up

"Ela todos os dias percorre um caminho por ela traçado, marcado por passos atrás e sorrateiramente enviesado, por partículas infinitesimais de procura sã do mesmo pressuposto. Contudo ela pára, estaciona ligeiramente o avançar na perdição alheia para concentrar a energia num precipício de esforço incansável, pára de forma a se observar de fora de um círculo fechado. Conclui que toda a base da sua essência era um ultraje suportado pelos mesmos membros esgotados e queimados de tantas perspectivas vivenciais. Rendeu-se à voz da experiência, do que pode totalmente reter dela, do que ela lhe concedeu como princípio de vida. E aí prosseguiu.
Completava os mesmos rituais que diariamente a enojavam e lhe indicavam o caminho da repulsa interior, o vómito contido, expulso em momentos inesperados de angustia, forças gritantes a deslocarem o seu sentido de orientação para um poço sem fundo, escuro e enganador. E nesse mesmo local, ela continua, dia após dia a perder mantendo a ideia que só está a ganhar. E está. Apenas assimila tudo que a realidade lhe escondeu estes anos e redime-se às evidências num processo compulsivamente excedido pela sua própria personalidade.
Senta-se, observa as pessoas à sua volta, a entrarem e a sairem do autocarro, senta-se sob o seu próprio silêncio criado unicamente para a satisfazer naquele antro de ruído ensurdecedor provocado pela sua mente atribulada. Já não se consegue ouvir mais a si mesma. Doi sequer ouvir a voz de um mero desconhecido que passa cantarolante pela auto-estrada paralela. Custa sequer pender os membros agastados para um descanso merecido. Qualquer aroma alcança-a com um sabor adulterado e vinculativo no seu gosto indefinido.
Ele olha-a da mesma maneira que qualquer outro dia como se fosse outro qualquer dia. Ela ignora, semi-cerrando-se no seu centro activo de preocupações, essa rotina forjada na qual assentou o seu fardo existencial, mas não consegue dissociar-se dele, permanecendo incolume à sua presença. Isso instiga-a. Incomoda-a numa proporção sem possibilidade de diluição possível. Isso torna-se um peso que ela tem de aguentar até um dia, que ela nem sabe quando chegará. Entra no autocarro, passa uma avenida, uma praça, uma travessa, a rotunda e o som cresce exponecialmente no seu interior eternecido por aquela presença. Sabe que ela não existe mas mesmo assim continua a declinar o seu espirito e a afaga-lo como se tudo fosse palpavel. Ele adopta a postura de ignorante como se isso o defendesse para a vida inteira e aligeirando a situação, retribui na mesma percentagem a desilusão inter-pessoal que criou nela.
Hora após hora, quando ela contacta com os rituais que estipulou, tudo se evapora num ponto de ebulição abaixo de zero, e novamente a sua existência pesa.lhe impreterivelmente. Quando será que ela irá acordar deste pesadelo?"

Something - filled up - my heart - with nothing - someone - told me
not to cry. - but now that - i'm older - my heart's - colder -

and i can - see that it's a lie.
children - wake up - hold your - mistake up - before they
turn the summer into dust - if the children - don't grow up
our bodies get bigger. but - our hearts get torn up - we're just - a million little
gods causing rain storms - turning every good thing to rust
i guess we'll just have to adjust.
with my lighning bolts a glowing
i can see where i am going to be when
the reaper he reaches and touches my hand
with my lighning bolts a glowing i can see where i am going
better look out below


The Arcade Fire Wake Up

Janeiro 18, 2007

i play dead

São momentos como estes que brotam de um segundo ilusório capaz de persuadir a alma da necessidade mortal de sacrificio. Mais devagar numa fenda aberta para o escorrer de um devaneio dilacerado, condenado à purificação divina.
Ao vermelho, ao encarnado, ao vermelho sangue, à necessidade, à prova pendente de auto-confiança explanificada numa segunda oportunidade. Qual? Disseminada? Retorcida visão agastada num excedente percurso enfático.

Acumulação. Deteriorização. Adulteração. Movimento. Estagnação.

Darling, stop confuse me!!
With your wishful thinking…
Hopeful embraces, don’t you understand?
I have to go through this
I belong here
Where no-one cares and no-one loves
No light no air to live in
A place called hate- the city of fear

I play dead::: it stops the hurting
I play dead::: and the hurt stops

it's sometimes just like sleeping
curling up inside my private tortures
i nestle into pain
hug suffering - caress every ache

i play dead : it stops the hurtingConsciência. Racionalidade. Essa voz penosa e efervescente que lineariza o sangue que nos corre nas veias orientando-o para os compartimentos seguros do nosso corpo, onde toda a nossa alimentação de carne etérea não penetra, porque assim não nos estilhaça irreversivelmente, sufocando-nos num grito de amargura concâva.


Contém. Invade. Rejeita. Sufoca. Deita, circunda de pequenos restícios podres a imensidão dessa nuvem fantasmagórica que se tornou assombrosa no seu dialecto humano.

Esgota. Assenta os joelhos no chão. Admite. Abaixa-te, resiste mas redime-te.
Anseia. Espera. Pela redenção.

Ela virá ornamentada de dejectos multiplicados por duvidas adormecidas na decadência exagerada do teu tumulto.
Porque chega o instante em que não consegues mais mas ainda avistas a moradia do desejo maldito que te crucifica ao esgotamento. À sobrevivência.

Play Dead
KROJB

Janeiro 13, 2007

none of you can make the grade

Habituei-me a mim. Habituei-me à perene necessidade de solidão que recolho honestamente em compartimentos coplanares da minha existência. Não parti mas já não sei voltar. Deitei-me sobre um terreno movediço apenas e somente para me observar a mim a vacilar por entre as amarras que me prendiam ao passar do tempo, dos segundos, da eternidade do tempo, da questão do tempo. Parei para fixar o sangue que docemente me escorria e se misturava com a àgua abundante, que se assemelhava a um fluxo estagnado da minha auto-sustentação. Habituei-me a mim, aos acordes momentâneos da minha loucura restabelecida em projectos estipulados por etapas lineares, adormeci o silêncio que me evadia nos pequenos resticios de uma paz ancorada no vulgar. Ando as voltas a esquecer quem sou. Cedi em mim um espaço para a auto-contestação, para o viável e o indivisível, para o possível e o real arbitrário. Constatei que não preciso disso. Encarei a possibilidade de absorção no vulgar metafórico que me circunda. Prossegui dissociável. Porque o sou. Retrocedendo verifica-se que na base, no último segundo, o desespero de uma amargura contida durava segundos. Meros. Que o turbilhão experimental, que se transformou o meu livro aberto, se espelhou em escapes criados para uma fuga impossível. Bebo a noite até o sol chegar. Ele sempre me encontrou. Mas mais levemente. Mais pausadamente vi que os laços que nos ligam uns aos outros são facilmente quebrados da mesma forma que os criamos para mero aproveitamento psicológico e espiritual. Porque pode-se ouvir a mesma musica e não se apreender da mesma maneira a mesma essência. Porque pode-se ser e não se ser no mesmo patamar, pode-se escolher ser e escorregar metodicamente por escadas criadas no nosso ‘eu’. Pode-se não compreender, pode-se pensar que se compreende demais e ficármos aquém das expectativas, pode-se inclusivamente atingir um limite para depois se admitir que ele não existia. Pode-se viver e apreender uma simples realidade que não corresponde à realidade.
None of you can make the grade
Correr. Ficar. Perder. Querer mais. E agarrada aqueles meros minutos, aquelas batidas, ao sintetizar de um pôr-do-sol adiado, ao esperar numa penumbra no raiar da manhã, estende-se a fome na indiossicrasia agastada dessa luz. Já não sei viver sem ter que viver. Eleva-se, excede-se, compartilha-se dentro desse círculo fechado o próprio horizonte interior, penetra-se esgotadamente, e insiste insiste insiste. Escreve-se e deita-se fora. Fora para onde? Fora mas dentro deste poço obrigatório que se tornou a confusão mental baseada na vida real. E o que me dão já não sei gostar. E é tão natural como a inevitabilidade do tempo. É tao incontestável como as construções patéticas que criamos para sobreviver no próprio lixo que fomentamos. E é tão humanamente estupido permanecer no acreditar dessa ridicula utopia. Não se perde o que não se quer ter. E depois? Depois advém a incompreensão. Advém o estar. O procurar estar no seu estar. O não fugir, muito pelo contrário, o enfrentar bem de frente, destruindo aos poucos a muralha que teimosamente alimentamos para nos escondermos de nós próprios. E quando a levantamos temos medo. Um medo dispensavelmente pertinente assente na farsa que dia a dia mantemos. Mas depois existem outras essências. E outros arquétipos contínuos. E é exactamente aí que me encaixo, e me habituo completamente a mim mesma.
Habituei-me aos vãos de madeira que deliciosamente lambi a espera de me ver do outro lado do espelho. Cada vez menos sem esperar.
Stuck between the do or die
I feel emaciated
Hard to breathe i try and try
I'll get asphyxiated
Swinging from the tallest height
With nothing left to hold on to
Habituei-me a deslizar nessa asfixia incontornável

[2.35 até 3.09] Come Home

Harder faster
Forever after
Harder faster
Forever after
Harder faster
Forever after
Forever after


[4.24 ate ao fim] Come Home


[3.06 até ao fim] Bionic
e se for a primeira vez que os teus dedos tocam a luz da manha
dá-me a tua mão. respira o ar do dia.
talvez. nada. mais.

Janeiro 08, 2007

concret

É possível chegar no segundo certo como conciliar o real e o ideal.
Existem palavras que nos satisfazem a necessidade de evasão como cerejas deliciosamente apeteciveis, com a sua forma redonda e suave.
Pequenos equilibrares de faixas consecutivas, imersas na mais básica vontade. É bom ser-se apenas por se ser. É consolador sentir por se sentir independentemente da forma como se sente. É notorio o papel amarrotado colocado num canto, num local pouco frequente da nossa jornada diária. E aí derrama-se uma imensidão de certezas, duvidas, dubias questões, ultrapassadas, recalcadas, prementes ou simplesmente pertinentes. Desnecessárias. Desprezíveis.
Conjuntos de mentes ocas, atabalhoadamente reinvidicando os mesmos direitos mas sem capacidade para os alcançar. E do alto sorrimos, observando o desvario entre tanto espirito inutil e concentrado de pobreza humana.
Hey! Um simples olhar, melancolico, diria triste, mas mais que tudo uma batida mais forte, um pouco mais forte, só fisicamente mais forte, levemente mais forte...esquerda, direita, entrar, sair. Pender, sussurar uma ideia tola, confusão mental associada a um vasto painel de obrigações. E assim se levanta e se encara a hipocrisia da espiritualidade alheia, da procura desenfreada de felicidade em dias impostos pela sociedade, da exposição de um exterior doente e sem consciência do que o desengrandece.

all those concret things like net and hold it
you would like to spend more time…
now that our days are full of people
and cars, and million species
all those concret things
the concret things
the trees and days
the look and cook
the object the subject
why and where are those concret things?
so just get away, of this time
feeling all the nature…
the animals
the fresh air
the blue sky
those nightlives are really gone…
are really gone…are really gone, are really gone…are really gone, are really gone
are really gone, really really really gone….
and now here i am
in this weird places with nothing more, nothing more
with air, with food, and natural flowers
waiting and waiting for hours
for those concret things…
sitting and thinking in a problem, so normal
in love or drama
missing the TV near me
million species, million cars
languid lights like the cinemas
more than love, more than that
working and working for the word concret

Dezembro 30, 2006

i'm not sorry there´s all to save

O semestre inédito que transpareceu segurança e optimismo, estabilidade e esperança. Mesmo quando perdia noites escrevendo, mesmo quando caí abruptamente e me segurava pelos cantos da minha construção. Mesmo quando o equilíbrio cedia em pequenos percalços a minha veia espiritual e fazia-me condescender num tumulto de ideais pré-objectivados. No fundo perdi uma batalha e reconhecia a perda de uma guerra que nunca foi minha. No mistério do seu não, descansava presa na similar premissa. Depois foi o que foi. E foi tarde. Atónitamente observei o soalho e as paredes riscadas de vazio, estremeci sem palavras, saí sem comer, contia, vertia, aglomerava esse impossível. Mas no fim consegui. It’s my song to say goodbye. Mas voltei atrás, e foi difícil mas ele estava lá. E juntos percorremos o caminho que foi traçado para nós.
Nunca senti, nunca excedi, nunca previ. When we both of us knew how the end always is. Poucos mas bons. Restícios mas fortes. E é curioso como me intercepto sempre com a vontade de expor esta situação. Porque acho que qualquer pessoa precisaria de apreender o que vivi e quiçá elevar o seu próprio padrão de plenitude. I’m so hollow, i’m so hollow, i’m so, i’m so, i’m so...hollow.
Because I’m not sorry there's all to save.Repentinamente senti o poder do efectivamente, da noite, e de uma visão salvadora. No fundo do túnel encontrei um farol quebrado mas operatório. Ele quis me ajudar inventando pontes de sustento no irreal, eu quis acreditar. Reciei, mas mantive a serenidade. No café, na esplanada, numa música intemporal. Na voz da Alison Goldfrapp em “Time out from the world” que inundava este quarto de azul claro e cheiro a algodão-doce cor de rosa. Da paz e do sentimento mais puro e sincero que alguma vez já senti. I make a shrine for you. De pegar no Abril para sentir o que sempre evoco que sinto. We change the world, just you and i. De construir noites mas antes de tudo de construir algo que não sabia que destino teria apenas que tinha de existir. On every world you ever said. I’m dreaming of another time. Inusitadamente redescobri a voz e a entoação musical que recobre o psiquismo mais invariável. Without you i’m nothing at all. Levantei-me, sentei-me vezes sem conta no combater do desígnio que tracei. You are always ahead of the game when i drag behind. Eloquente Brian Molko, visceral redescoberta que iluminou o meu inconsciente. Baby did you forget to take your meds? E no limiar dos pássaros e das abelhas entoei um arrebatador declinar do que conseguira até então. Protect me from what i want.Após o descarrilamento não havia mais nada a fazer senão falar. Porém não obtive resposta. Foi duro mas foi estranho. E porquê? Até então nunca precisei de verbalizações somente de vivências. Contudo prossegui. Deixei-me ir. Tive momentos de pura satisfação e instantes que sentia o meu estomâgo efervescer se nele pensasse. Se o visse. Mas continuei numa mentira que podia a qualquer momento passar a realidade. Só que percorria uma trilha enganada, afinal todas vezes que me sentia injusta justificaram-se pela falta de carácter e conteúdo de outros. Neste caso de outro. E foi necessário sim. Porque deste modo a quebra e o vulcão que se abateram sobre a minha pessoa tomavam consciência que afinal tudo que sentira desde a doce primavera, era algo. Algo que posso afirmar orgulhosa que nunca senti. Porque podemos gostar do que alguém nos faz sentir mas também podemos gostar desse mesmo alguém por toda a sua unicidade. E aí estaremos a amar. E confesso. Foi estranho sentir. E é tao dificil ouvir sem sentir. E tão bom conhecer alguéns que realmente merecem o nosso respeito e admiração, a nossa amizade, pessoas que não fazem parte do meu quotidiano fisico mas permanecem no mental. E aqui vou citar nomes. Márcia, Miguel e Estrela. Como podia citar inúmeros outros alguéns que estiveram lá mas que já fazem parte de mim há muito.
E na recta final desse ano, descobri Bjork no seu absoluto, através de ti, mas sabes que apenas por mim. Porque as vezes insistes em ideias tontas. E eu insisto em procurar o caminho que todos nós subentendemos alcançar. E foi através da sua voz como através de tantos copos erguidos pela minha languidez corporal neste compartimento fechado que encontrei caídas as minhas chaves circunspectas. E de outros locais fechados mas submersos na sua jornada perdida. Foi dificil, sim, foi tudo aquilo que pode ser mas também nunca poderia ser de outra forma se não fosse eu. Porque pelo menos sei que quando o sinto, lhe sou fiel. E nada como sermos fieis a nossa intempestuosa essência. I go through all this before you wake up, so i can feel happier to be safe up here with you.Referências:
Em 2006 saiu ‘Meds’ dos Placebo a meu ver um dos melhores albuns deste ano, onde saliento, como 3 melhores musicas do album: Meds (devido a superação da composição e a libertação existencialista), Drag (sem dúvida uma lufada de ar fresco, de levantar a poeira, eclodindo numa fantástica exorcisão), e In the cold light of mourning (a evasão sensorial numa balada só).
Refiro também, "Fake Chemical State" de Skin, com a deliciosamente inebriante "Falling for you", tradução do choque irresistível da atracção apocaliptica, "Nothing but", uma honesta confissão musical e "Purple", eloquente e quente voz numa minimalista expressão verbal.

Bom 2007 a todos =)

Dezembro 18, 2006

and isn't it ironic?

‘quem for o último a chegar ali ao fundo é ovo podre!!’

E lá ia eu toda afogueada para não ser a última sendo sempre a mesma...

“Apresento-vos Joana Barata!”
e lá entrou ela com o seu vestido aos folhos, azuis, brancos e rosa, que ela jura a sete pés que não sucedeu tal entrada, na turma B na 3 classe. Mas lá estava eu, aquela pobre alma, como diriam alguns agora, uma deslavada, que seria constantemente espicaçada por esse terramoto em estilo de dureza e inteligência, que me atirava a carteira verde dos Simpsons, ‘what the hell is this??’ pa cima do muro e ia o sapo, feijão e pintor, tirar, que colocava o pé em falso para de propósito a morta viva cair e depois jurava que era mentira, que corria comigo desesperadamente pelos 5º e 6º anos a gozar com os putos, a perguntar se conheciam o Gonçalo Chaveiro ou o Franscisco Cunha. Caso para dizer, é que ninguém se dava ao trabalho de perguntar por tal.
E isto para quê? Porque hoje é um dia especial, porque hoje faz anos a Deusa Fictícia! Porque hoje me apetece falar do quanto as pessoas se podem tornar fundamentais na nossa vida e no quanto eu prezo esta amizade.
Lembro-me de a consolidármos quando aquelas personagens das nossas amigas, que viriam a ser as “do nosso grupo”, criavam um grupo musical e eu era a manager!!! e eu e tu começavamos a gozar com o famoso ‘monstro vermelho’, iamos para o campo de terra fazer palhaçadas e depois eu tirava-te à má fé uma foto, que viria dias depois a ornamentar o meu quarto. Que valeu a minha mãe desconfiar de tal situação!!! Tipo ovos verdes, tás a ver?? LOOOOOOOOL “ai a alérgia, as desgraçeiras!!! Ai vão pa lá pas desgraçeiras!!”...enfim...
E sim ia eu toda contente para o nosso belo colégio uma hora e tal mais cedo do que era necessário, porque as aulas só começavam as 9h15, para a menina barata não ficar sozinha!! Sim que ela madrugava e lá ia eu e depois a Vanessa perguntava-me:”mas que vens fazer tão cedo para aqui?” e eu”para....tar com a barata!!” e pronto iamos po pátio dos do secundário gritar e fazer “palhaçadas” as 8h15 todas contentes....tirando as vezes que iamos jogar futebol, e os treinos para o corta-mato em que corríamos lado a lado o tempo todo mas quando entrávamos na recta final para a meta, aceleravas e deixavas-me SEMPRE PARA TRÁS!!! Burra era eu não?? Já se sabe...de todas as vezes que me gozavas com cenas tipo carteira e os papéis que ainda guardo religiosamente aqui na minha gaveta, estilo:

‘Gostas verdadeiramente do Toni?’ >>> eu

Sim [ x ] Não [ ] >>>> tu

Qe riso o nosso naquelas ruas do Porto...e mais o famoso, que não chegaste a ver:

‘Tou farta de ti!!! Vai para o ca.....” LOOOOOOL

E as vezes fartavas-te sim. Especialmente quando ficavas sem me falar um mês!! Porque eu tinha dito:”barata a venda na feira a 300 escudos!” ou dava o teu número ao bernardo que era louro, alto e tinha olhos azuis. E só queria tomar café contigo na mexicana. Ou então quando tinha a panca de dizer a toda a gente que namoravam contigo ou que ainda iam namorar. Diz lá se isto é de uma pessoa normal...e de contar a todaaaaaaas as santas pessoas esta historia que idolatro e será para sempre A MINHA PREFERIDA!!:

‘ então estamos todas na piscina e vamos todas a baixo a ver quem aguenta mais tempo debaixo de água, eu fico a ver. A barata vem ao de cima, expira e inspira bem e pumba again pra baixo sem antes dizer:”fui eu que ganhei ta??” e depois la vem todas acima e a barata AINDA LA EM BAIXO!! E pronto foi ela quem ganhou.....”>>>só de me lembrar que contei esta história completamente bêbada na fila pas wc's no meu primeiro arraial do IST 2002, que me valeu passar a frente pois haviam umas raparigas simpáticas que adoraram a minha espontaneidade! e a tua cara ao meu lado!! LOLOLOL sorry o resto do arraial que sabes...que exageras sempre tb =X ou nao...LOL

Simmmmm porque nunca conheci ninguém tão directa, prática e concisa, que dissesse o que tinha a dizer sem qualquer problema, indo ao assunto de forma frontal e sem papas na língua. Porque a autenticidade sempre foi rara mas nesta rapariga não encontra forma de se reduzir...genuína é a palavra certa. Por cada lágrima que soltaste naquele barco que nos levava de volta para o Funchal, de cada música que inventámos, de cada sofrimento que ocultaste e enfrentaste sozinha, de cada estupidez que dizias só para me animar, de cada olhar de compreensão, de vez que te rias sonoramente de cenas minhas/tuas/nossas, da nossa intimidade que existe e é indestrutível. De todas as vezes que estiveste do meu lado quando mais precisei, a grande decisão do meu futuro universitário, do apoio, daquela vez que foi só rir nas inscrições no IST que foste comigo e tu “magda q?? Ferreira?? Ai troeira!!”, a tua simples presença. O pêssego que levaste da cesta e foste a comer rua fora, aquele dia que estavas cheia de fome e abriste livremente o frigorífico, os fonemas de horas que a tua mãe se chateava, quando me pediste para dizer ao Bernardo que tinhas caído só para ele te levar à Tercena para não ires de comboio, e agora recentemente o Rogérito!! E os fantásticos itens para a lua de mel que me saiu de certa medida furada mas tu sabes o quanto eu quis que saisse bem..ai LODI LODI!!! Tem aqui uma amiga......enfim.

Apenas para dizer que te adoro para todo o sempre, Muitos Parabéns, serás sempre “aquela” pessoa, quero que sejas muito feliz e como sabes, grata fiquei por te sentir bem na decisão que tomaste e fundamentalmente feliz. Porque para terminar, A BARATA CASOU-SE!!! Ah pois é, uma data memorável, 1 de Outubro, amei cada minuto passado! Apenas lamento quem levei comigo, mas pa não interessa, as pessoas erram não é? Mas já passou! =) amo-te para sempre my best friend!E como não podia deixar de ser, deixo a nossa letra, ainda te lembras certo? =P

An old man turned ninety-eight
He won the lottery and died the next day
It's a black fly in your Chardonnay
It's a death row pardon two minutes too late
And isn't it ironic... don't you think..?

It's like rain on your wedding day
It's a free ride when you've already paid
It's the good advice that you just didn't take
Who would've thought... it figures…

Mr. Play It Safe was afraid to fly
He packed his suitcase and kissed his kids goodbye
He waited his whole damn life to take that flight
And as the plane crashed down he thought
"Well isn't this nice..."
And isn't it ironic... don't you think..?

It's like rain on your wedding day
It's a free ride when you've already paid
It's the good advice that you just didn't take
Who would've thought... it figures

Well life has a funny way of sneaking up on you
When you think everything's okay and everything's going right
And life has a funny way of helping you out when
You think everything's gone wrong and everything blows up
In your face

A traffic jam when you're already late
A no-smoking sign on your cigarette break
It's like ten thousand spoons when all you need is a knife
It's meeting the man of my dreams
And then meeting his beautiful wife
And isn't it ironic...don't you think..?
A little too ironic...and, yeah, I really do think...

It's like rain on your wedding day
It's a free ride when you've already paid
It's the good advice that you just didn't take
Who would've thought... it figures

Life has a funny way of sneaking up on you
Life has a funny, funny way of helping you out
Helping you out...

Dezembro 09, 2006

possibly maybe

Chegar aqui e apagar. Sem dó nem piedade. Sentir a voz falhar em pequenos murmuros adiados. your flirt finds me out. teases the crack in me. smittens me in hope.
Fazer um balão de pastilha elástica fluorescente rebentar efusivamente sobre a minha boca. Circundar os compartimentos com bolinhas de sabão. Pintar a parede de azul, entoar a melodia esquecida num devaneio insano entre os presentes. Gritar de raiva contida afastando a poeira sobrecarregada daquela sala, destinando o futuro do outro para bem longe do meu. ‘Possibly Maybe” foi a primeira música negativa que Bjork escreveu. Ela sentiu-se incomodada por ter escrito algo que retira qualquer esperança. Às vezes vem-me à memória como existem seres vivos que não tem conteúdo nenhum. Que só estão cá, neste suposto mundo, para preencher vácuo. Mas que mesmo assim, denominam-se divinais ou máximos ou alguém de muito valor. Seriamente, não falo com despeito nenhum porque esse estado nunca verdadeiramente me afectou, mas sim penso no quanto é custoso reflectir que temos que nos cruzar neste percurso diabólico que é a vida, com pessoas que não servem para nada sem se darem conta disso. Pessoas que estagnaram no seu processo de crescimento perdendo o sentido do ridículo. Todavia lá está...o facto de serem tão inúteis só me fazem lamentar a poluição deste universo e nada mais. E isto não se trata só de tpm.
Descobri que o que mais odeio nesta vida é que me interropam quando estou a ouvir música. Não é quando estou no bus com os meus headphones, nem quando vou a caminho do bus ou do técnico, nem quando estou a ouvir enquanto estudo. É mesmo quando estou a ouvir música. Sentada, de pé, parada, a rodar ou agarrada às paredes. Anyway. Uma bola gigante encarnada. Desce, desce, desce, penosamente deleita-se sobre mim, este corpo adormecido pelas duas da manhã. Metafísicamente os nervos explodem em metáforas análogas, bolhas insistentes de fúria contida, terno olhar para o horizonte, uma expressão serena, a doce noção de perda dos sentidos recônditos, a sintonia recalcada, talvez o ódio. Pergunto-me porque, naquele instante, tudo parece irredutível e inultrapassável. Depois as marés acalmam-me e olhando para trás não encontro nada. possibly maybe. possibly maybe. possibly maybe.
Que quando menos espero as palavras soltam-se em mim e fazem-me viajar enquanto observo a chuva desviar a sua rota e simultaneamente se abate sobre mim um temporal de certezas adiadas, conduzindo-me ao país das ilusões vencidas. as much as i definitely enjoy solitude i wouldn´t mind, perhaps, spending little time with you, sometimes, sometimes…
possibly maybe….possibly maybe….probably love…
possibly maybe…possibly maybe…probably love

possibly…Lembro-me de espalhar pela atmosfera o líquido recalcado, os corpos clamavam-no perenes e eu sempre caía em vão. Ela espelhava-se. Ele fechava-se lá dentro. A outra saía atordoada. No chão sentava-me à espera que passasse. uncertainty excites me, baby. Também na cadeira naquela varanda quente a cheirar a Julho. O açúcar vertido denunciava o êxtase. who knows what's going to happen? As luzes encadeavam o corropio manchado. lottery or car crash or join a cult? possibly maybe. Quando me sinto extremamente veiculada naquele patamar. probably maybe. Quando crio raízes inquebráveis. possibly maybe. Observo as larvas do pensamento libertarem o pó que encerram os seus demónios. probably love…Invisto num espaço oculto à partida. possibly…árido. Livre.
Melancolia interceptada na fugaz conquista de uma ideia condenada. Prosseguir sim. my petit vulcan, you're eruptions and disasters, i keep calm…admiring your lava…i keep calm...Penso que ninguém se apercebe disto. Há qualquer coisa de extra-sensorial naquele pozinho amarelo que ela lambe. possibly maybe. Fogem uns dos outros. possibly maybe. Passam horas e horas, atrás de um derradeiro acreditar. Probably love. Porque tudo passa depois e eu sorrio para ti. Possibly maybe uma das melhores músicas que já ouvi. possibly maybe. Ténue subdivisão do não conformismo a uma etapa desafiante. probably love. Que o seja.

Electric shocks

Um orgasmo musical muito bem conseguido. i love them! Sussurar ao ouvido um “chega, estou farta!”, with you dozen a day. Falta paciência, por vezes falta autenticidade. but after a while i wonder. subir como descer efectua-se a qualquer momento naquelas escadas de obrigação dualista. where’s that love you promise to me? Aconchegar os lençóis. Contar 14 horas. Levantar. Não compreender a falta de entendimento do exterior à palavra silêncio. how can you offer me love like that? Sou eu. Tenho de ser eu. Porque se faz sempre tudo à minha custa. Sou eu sozinha. Mais uma vez, por todas as correntes vezes. Por ele, por aquele, por mim. Por críticas destrutivas no silêncio agastado de uma ironia irreprodutível e desnecessária. my heart's burned. E daí? Consegue alguém apontar a única arma a esse patamar? i'm exhausted. O da concretização. leave me alone.
Sentido de humor inigualável. Realmente não há melhor. Deixar cair essas caixas de acrílico gasto no teu colo, recolher as pontas revirando o gosto sensaboroso na tua mão. since we broke up Eu. I'm using lipstick again. Irei lá. I'll suck my tongue. Avaliar de pensamentos. De esforços gritantes. in remembrance of you...



Possibly Maybe a segunda melhor música de Bjork, depois da incontornável, “Pagan Poetry”.

Dezembro 02, 2006

my hidden place

Farta de insanidades de pessoas que ousam expor situações ridículas, vidas pessoais que em nada me podem transmitir de fiel e intransmissível, que consigam suplantar o desequilíbrio emocional que envergo em postes de loucura electrizante.
Pessoas, pessoas, pessoas, cheiros, pulsões, sentimentos, divisórias, quartos.

[Frosti]

Inimizades, vidas passadas, relegadas, cruzadas num vão promíscuo, a minha fome, a tua sede, a tua necessidade, a minha vontade. Às escuras num percurso insano. Eu procuro desequilibrio emocional. Eu quero-o. Eu verto sangue por ele. Eu preciso. Só sei viver nesse estado de letargia incongruente. Eu sobrevivo sem ele. Eu só sei viver aqui. Não me tirem daqui. Não me deixam estabilizar.I can't say no to you. I can't say no to you.
Say nothing

Free falling
Complete

Deito sobre os lençois os restícios de papel queimado, odor a passado derramado sobre uma eterna procura de fel. Contornos premeditados de lembranças etereas, doce sucumbir a uma tentação oculta, premissa no acreditar. Na transformação de um epílogo fantasiado, na concretização do desejo falhado sobre a amalgama afundada no meu inconsciente. Em mim, no querer de parte de mim, nessa divisão irónica, no sorriso sarcástico, no colar de conversas ultrapassadas, no olhar pela porta da transgressão.
No continuar, na ilusão de flashes debeis, puro aprumo numa categoria eclesiástica de luxuria. Do corpo, da saliva, do sabor. De ver algo que julgava inexistente.De olhar para ti entre aqueles aparelhos perniciosos que me permitem agora a escrita e sentir vontade de saltar para o precipicio da vontade, da força enebriante que me percorre o profano poço carnal. Culpa? Tenho eu a culpa? Culpados? Quem somos nós? Fugimos e escondemo-nos atras do armario à espera que escorram sobre nos o alcool que almejamos em inglorio gosto. No sacrificio de enganarmos a propria redundancia em eternas trilhas de insensatez proibida. I'm sorry you saw that.
I'm sorry he did it.

A ilógica. O non sense. O prosseguir. O irrefutavel. É olhar pa ele e não perceber. É sentir uma fonte obscura, a perene necessidade de cair, sim desleixar, perder os sentidos perante ti e nesse chão rastejar em fé na destruição desse prédio convicto de instabilidade. Saborear estes pedaços de um concentrado que me devolve a raiva desestruturada da minha possessão. Eu não quero saber de nada, poupem-me essas indiossicrasias, prefiro-me afastar no canto mais longínquo e apenas absorver o que é. Gosto muito dela, insisto cada vez em me prender a ela. Realidade. E tu?

Don't say no to me
You can't say no to me
I won't see you
Denied

Gritos perdidos na madrugada, eu que perdi a noção, caí e falar em pormenores recalcados da minha exaustiva mente perturbada. Sim eu perturbada, não tenho medo que me igualem à força de expressão agastada. Estarei displicente neste devaneio?

There's too much
Clinging
To peak
There's too much
Pressure

Cadeiras, mesas, garrafas, pratos vazios, liquidos deslizando por entre corredores uniformes, confissões ensaguentadas por lagrimas que recobriam a solida ideia de uma adolescência feliz. O sentir que se vive tudo muitas vezes de uma vez só, mas que precisamos destes momentos para conseguirmos sair ilesos do redundante círculo que se forma à nossa volta.
Porque eu sei para o que eu nasci. Porque me alimento da noite, da podridão humana, dos vidros que partia na cama dele, ele que sempre me punha fora dela a pedir clemência por mais uma ressaca. Porque sujo o vasto tecto de rectidão putrefacta, e clamo pela libertação sem barreiras, sem etica nem pudor, sem limites à totalidade do absoluto projecto de vida.

À emoção

He's
The beautifullest
Fragilest
Still strong
Dark and divine
And the littleness of his movements
Hides himself
He invents a charm
That makes him invisible
Hides in the air
Can I hide there too?
Hide in the air of him
Seek solace
Sanctuary


Bjork
1.An echo a stain
2.Hidden Place
3.It's not up to you

Novembro 18, 2006

where is my mind?

with your feet in the air , and your head on the ground

Saltar, saltar vorazmente sobre o peso da responsabilidades que se deixam descair num encontro perene de regressão estatística, infinita procura de um equilíbrio capaz de contrabalançar o suportável, o necessário e o inimitável.

Perante palavras curtas de exemplificar e dificeis de persuadir...!

Try this trick and spin it! Yeahhhhhhhhhh!

Distender os musculos enquanto olho para ti com esse iogurte sensaboroso na mão, e vertê-lo sobre o teu corpo simultaneamente que rio histericamente como se não houvesse amanha. Haverá? E depois? Saberia vestir o mesmo vestido florido e andar km à beira-mar esquecendo o indispensável que ficou fechado a sete chaves no contentor da loucura?

your head will collaps...but there's nothing in it...

and you’ll ask yourself?!!

Podia. Podia perguntar mas para quê? Se tudo se dissolve momentaneamente numa evasão de ideias sonhadoras e realistas de uma base fiel e universal. Porque na transformação do indissociável existe uma voz lá no fundo que clama:

All is full of love

Eu nao acredito! Eu sou uma céptica feliz =) Eu gosto de andar à chuva quando vou para casa, de pisar poças e manda-las para um certo local, de comer gelado de natas, de deixar as lágrimas escorrerem por mim abaixo sem que me impeça de saborear o vento que arrasa a enviesada premonição de desespero alheio, de me tentar evadir sem sucesso quando sou interpolada por vultos desconhecidos, por rir ironicamente e sorrateiramente apoiar os meus membros sobre os teus, percorrendo aquela casa cheia de luz, ás escuras.
De tentar contornar o incontornável egoísmo exterior, por inserir-me na sociedade vil e hipócrita, por dividir o espaço com personificações básicas do mais primordial sentido de putrefacção humana, de transformar a trivial baixeza de cada um de nós num poço sem fundo de cores misturadas com sons ecléticos, sonantes e promissores do conflito encerrado no vazio. De saber aceitar a podridão do exterior e mesmo assim manter a fidelidade a um sentido de vida mais exasperante.i was swimmin in the Carribean

animals would hide behind the rocks….De salientar que nada disso importa. Que o mundo como um todo não é apreendido da mesma forma pelas mesmas racionalidades, fugimos um dos outros procurando conhecer o apocalíptico meio de sermos quem somos independentemente do vulgar, repetitivo e narcisista. Except the little fish
but he told me east was west
Porém mesmo assim eu continuo. As barreiras cada vez me parecem ser mais faceis de ultrapassar, cada vez aquele balançar pulula mais, e o branco do horizonte não se confunde mais com o azul da infinita espera. Tryin' to talk.


Porque eu amo sentir que sou assim. Porque eu amo sentir.me correcta. Porque eu continuo a ver as coisas sempre da mesma maneira. Porque a essência acompanha-me leal, porque gosto de gostar das pessoas que gosto porque elas merecem tudo e fazem-me feliz, porque um faz.me feliz quando demonstra que eu sou importante para ele nem que seja na base do insulto, porque o outro coloca a minha mala por cima da dele depois de eu a atirar despassaradamente para um canto no chão, porque uma me faz rir e me manda sms a perguntar como se chama a Latoya, porque a outra me telefona sempre que esta a entrar em colapso, porque aquela perde a noção do tempo a falar comigo no msn 7 horas seguidas antes de ir para o dentista, porque a outra me manda sms de boa sorte para o teste mesmo sendo a “podre” de sempre, porque aquela outra não se esquece de me mandar um “bom dia” em qualquer dia da semana, e porque eu amo, eu amarei.

way out, in the water see it swimmin?



‘Dois balões incadescentemente sobem e descem num patamar vertiginoso de sensações inóspitas onde o sucesso se intercala com a dor, a perda de um qualquer devaneio promíscuo e libertatário de uma insanidade sadia. Sobe ao altar...alcança...excede...rejeita lentamente essas perdas de calor...’


where is my mind?

E alguma vez isso vos importa?


aiiii porque eu AMO Placebo e esta musica originalmente coverizada dos Pixies =P

Novembro 02, 2006

o meu lado errado

Uma inexorável viagem até ao infinito sentido inconsciente que me percorre as veias intemporalmente. Um frio ilimitado de abnegação de equilíbrio, vulgo dispensável visão panorâmica de uma realidade deformada por estilhaços recônditos, pedaços quebrados de ideias invariavelmente sucumbidas a um acreditar longínquo. Necessidade primária de libertação, horas passadas, horas sob horas, veiculadas em desertos de ideais esquecidos. Lutas abandonadas ou estagnadas à espera do primeiro impulso que urge em aparecer. Falácias ditas por vultos que deserdam o escorrer de cada dia. Cada dia suportado pelos membros que manifesto em moldes standartizados pelos passeios de uma avenida larga mas desprovida de estabilidade. Sufoco gritante, nuvens cinzentas, fumos a emergir numa nuvem quente, fugaz mas suficiente para queimar, prolongar a existência num compartimento hermeticamente fechado onde se escondem os recalcamentos, as frustrações de uma realidade negada e mandatoriamente renegada para o ficcional impossível. Um pulsar de atitudes retorcidas. Contornos evasivos de palavras lançadas num ambiente de vácuo racional. Conter. O que bate, o que enraivece, o que distorce. O inevitável, o básico, o inexplicável.
Uma passagem, um retroceder temporal demente, recheado de certezas dúbias, vivências dualistas de uma personalidade exasperante no limiar do auto-conhecimento, do prioritário, do inacessível. Um pestanejar não seguro, e um minuto depois tudo muda. O campo visual alberga outro panorama metafísico, disfuncional no termo consequente da questão, um sonho repartido por horas, uma incompreensão nata do exterior, a desilusão com qualquer ser que preenche o enorme poço de repulsa que é o círculo obtuso da humanidade. Os outros, o quarto circundado de espaços inexistentes de simplicidade mas antes confusão, passageira e sinistra. Eu perdida num horizonte planar de insensatez. Uma madrugada-uma passagem-um numero-30-um dia-uma hora-um minuto-um repassar. Passas por cima, passam-te por cima sem quereres...sem dó nem fundo de maneio ultrapassam-te vorazmente. Sentes o apoio e a identificação de alguns, prossegues caminho com ódios profanos de nenhuns, olhas de soslaio para uma vida imensa adiada por um segundo. Por um ano, um mês, um suspiro.
Céu cinzento, vento perene a ameaçar eclodir sobre a minha cabeça, essa que me pesa impreterivelmente e atrozmente me sacode a poeira narcisista que me constrói a identidade sufocada. Latejante, agonia, vontade de fugir do círculo insípido que se formou à minha volta.
Sentir a tua presença junto a mim, o teu cheiro entranhar-se na minha respiração ofegante pelo teu corpo, por cada partícula proibida do teu ser, e isso fomentar a minha raiva contida pelo nunca, palavra demoníaca que assola o desejo sarcástico de emoção e me transporta numa viagem sem rumo para o terreno do quotidiano, insano sim, em que me olhas com esse olhar doce e não compreendes que nem metade da totalidade de um terço do que me completa se reduziu a cinzas. E visto aquela camisa branca, deixo passar a necessidade ofuscante de um local coabitado pela minha loucura, pelo meu exigente devaneio dissipado em fumo maçico, pelo som de uma voz perfeita e melodiosa, pela água deixada em copos meio desprovidos de orgulho próprio, vontade imensa de me evadir, sentar sobre os lençois quentes, amarelos, finos, escorregar na linha recta de benzodiazepinas factuais, e deixar-me ir. Talvez assimilar o momento, o que chega e atordoa por uns breves meses este ceu azul que passa a tornar o instante em que me deito e adormeço num sufoco etediante de ansiedade.
É conseguir comer e rejeitar por sentir esta permanente sensação de medo e falta. Falta de algo que me densagrandece, me atira a meio caminho para o chão, deixando-me bater de frente nele, sozinha. Só. Só estas tu, eu, eles. Fontes, bases descambam dia após dia. Planeias mentalmente o que queres ser. És aquilo que demonstras ser. E nesse momento viras a página a quem não é aquilo que mostra ser. E tu? Prossegues sempre. Sempre, mas cada vez mais sozinha. Descobres que afinal nada é como é. Odeias os impulsos coerentes de quem sempre se guiou por fachadas mansas, és admitida como insana perante uma realidade democraticamente esmagadora. E entao?
Esse caminho fazes-lo sozinha. Esse percurso sempre palmilhado, traça-lo no vínculo sereno da submissão. Da admissão a um vasto conjunto de verdades inconfessadas, no vento que bate no estore, da cor do “adore”, da lembrança de percorrer aquela avenida de maos dadas com elas, do alcool na minha cara, de amparar o meu desespero na atitude de me lançar mais uma vez por mim própria num espaço ambíguo e mantido por cores ecléticas que nos mantêm vivos. De subir a rua sozinha. De chegar e ouvir a voz dele. Rebolar por entre memorias esquecidas de um dia, uma noite que cheirava a halloween, ao meu cheiro que agora se confunde com a minha fome pelo teu corpo, por qualquer solução que matasse o deserto que nunca conhecerá o mar. Por mim.


largaram-me a mil metros do chão...largaram-me porque me agarrei...
numa alucinação de vida que me enchia o coração
e que agora vejo perdida...num cair que já não sei...

largaram-me a mil metros do chão...
reparo o sol que se afasta no ar..rasgo caminho onde o vento dormia
adormeço sentidos no meu furacão enquanto o sol anuncia o dia
sinto o meu corpo, desamparado, deslizar...

perdi-te do lado errado do coração...perdi-te do lado errado do coração
mas és tu o meu chão...

enquanto caía a terra rachou
e eu via a queda ainda mais funda...
ao meu lado passava tudo o que passei...
comigo a miragem que nada mudou
o voo rasante que nem começou
o tempo apressado que nem reparei

sinto os meus gestos flutuar devagar
no último segredo antes do ódio

à minha frente um filme de aves sem voz...

quando as ouvi resolvi gostar...!!

quando as senti fiquei a amar =)

ter tentado subir ao cimo de nós


amei-te do lado errado do coração
mas és tu o meu chão...

não sei ao que chamam lados do coração
mas és tu o meu chão...
és tu o meu chão...


sabe tão bem conferir a existência de musicas como esta =)
sabe tao bem ouvir algo mesmo BOM...!

Toranja/ Lados Errados

Outubro 22, 2006

this time i’m gonna keep it all from myself

A página em branco à minha espera, à espera do momento certo para derramar todo o emaranhado que se abateu. O vazio, o sem-começo, principio e fim de um conjunto linear de semanas passadas, vividas e adormecidas. O inicio do fim.
Porque o mesmo pânico que se instalou sobre este instante de procura das palavras certas quase se compara ao medo raivoso de mais uma noite relegada para uma segunda oportunidade disseminada. Porque mal parei para me observar, observar o que fazia parte de mim, o que construía a minha identidade como ser psicossocial em interacções psicossomáticas, em pedaços empacotados de forma disforme regulados por cancelas irregulares.
O medo, o pavor, a fobia, o transtorno, ninguém o suporta por nós. Os momentos, esses, são apenas enveregados por poeiras indistintamente humanas que nos percorrem as veias e nos fazem pulsar de dor, sufoco, agonia e terror. Porque custa olhar para o lado e perceber o que vai na interiorização existencialista de cada um e nós, nós perdidos neste emaranhado de papeis ascendidos a rigidos no poço infundado de criterios justos denominado sociedade. Porque crescemos e prosseguimos um caminho regido ditatorialmente pelo exterior.
Eu. A mim calhou, a mim sobrou. A mim foi, a mim será. Existe alguém que possa perceber o que é o confronto entre o ser e o não ser, o real e a fantasia, o embate de uma realidade completamente estranha a um mundo alheio a tal dinâmica no mesmo patamar de igualdade, mas que não a ofende, renega ou superioriza?
O confronto. Parte 1. Foi a parte mais dificil. It was the hardest part. Quem está preparado para tal? Quem sofre realmente com a subjugação da frustração do outro, esquecendo a vista à sua reivindicação de paz? Quem no meu lugar surportaria a semana que eu suportei da maneira que eu mantive os meus limites?
Parte 2. O depois. Conseguem perceber o que é deitar numa cama abafando os demonios criados à volta de uma palavra hedionda que agora batia exasperadamente sobre a minha cabeça, os meus instintos, as minhas pulsões? O nojo vertido em sonhos aleatoriamente espalhados em horas penosamente sofridas, a ideia constante de ter que aceitar o inaceitável, a repulsa pela propria identidade, essa construída por mim, sustentada por mim e por mim direccionada para um fim desconhecido? A duvida. O chegar a duvidar de mim mesma. O não se encontrar perante uma rejeição anormal dentro de um contexto banal. O dia a dia. A pena entorpecida na minha mente, na minha sensatez, no relegar para um posterior ultimo plano a minha sanidade mental. Chegar a casa, cada 21h da noite e pensar no tudo que ainda me poderia completar, no trabalho que realçava o obrigatorio mas que não deixava de me evadir num processo de recalcamento atroz, das horas continuas que passava ao seu lado, da absorção do seu cheiro em mim, do aroma inalcançavel para a concretização perfeita do meu ideal, em que nada nem ninguem o poderia parar, a dor que inesperadamente surgia uma semana e meia antes no fundo da minha barriga e o sangue escorrendo com um vale num dia que em tudo se assemelharia a um dia normal. A chuva e o vento imponentes no seu todo, circundavam o quotidiano lançando as chamas infernais do inverno, o ter que ser para poder continuar a ver, a ignorância dos demais perante uma situação que eu propria duvidaria se iriam aguentar, o constatar que a minha diferença apenas me concedia espaço para a compreensão do impossível, do geral e do particular. O sexo. O sexual. A fisica. A falta de engenho. O enquadrar no sentido promiscuo da luxuria proibida i’m falling for you, suddenly i realised that something is goin on O olhar-te de cima a baixo e por ti proprio suplantares essa fome inospita. A latejante sensação de desejo reprimido. O teu e o meu. Porquê mais o teu? E porquê? Havia necessidade de tanto egoísmo? He makes me want to hand myself over Compreensão. Não compreendeu nem nunca irá compreender. Mecanismos de auto-defesa em off generalizado com uma perda de carga constante. E depois disso? Continuar com a cabeça erguida, caminhar os mesmos passos percorridos dias antes, procurar pisar por cima de todos os comentarios desnecessários fabricados sem o unico intuito de libertação, escape, evasão E o meu escape? i toke your pain
Primeiro impacto. Parte 3. Uma maneira de ver as coisas 100 vezes mais inteligente que uma pessoa normal mas que não me poupou do sabor amargo de todas as manhas que acordava sempre com a mesma premissa. Porque as vezes so queria encostar a cabeça em alguem e sentir que essa pessoa estava do meu lado, que somente dissesse que sim, que estava comigo independentemente de alcançar o fundo da questão. Que apenas me soubesse ouvir sem julgar e fosse comigo ao fundo e regressasse. Que ao vir ao de cima apenas me observasse a ultrapassar tudo como eu sozinha ultrapasso todos os dias. this time i’m gonna keep it all from myself

Outubro 06, 2006

it will be the hardest part

Vamos fazer qualquer coisa aqui que invista o espaço surreal perfeitamente sentido numa apoteose de sentimentos dilacerados, deixados no vazio oculto de imperfeições quotidianas.

[protége-moi de me désirs]

De momento deixei tudo pa trás, instalei um caleidoscópio de sensações ambíguas perdidas num rio de certezas estabelecidas segundo aquele sentido da verdade, da pureza, da honestidade.
Do vão, do véu, do juízo, do crer , do ser, do pedir. Do levantar da ponta minuscula no acreditar em vales diferenciados ao pormenor. Do enveredar pelo caminho mais circunspecto possível.
Deitar, balançar, adormecer. De repente não foi nada disto que quis para mim. Olhar para o outro lado do vidro e ver árvores a desaparecer ao som de uma melodia intrinsecamente fiel à existência dilacerante do ser. Um “i want more”, “I’m sticking with you”, um rolar desenfreado de ideais.
Saí, percorri, deparei-me. Alto aí, ela agora transborda. Furiosamente, oponentemente. Quem ousa? Nesse momento lancei as chamas da fúria encerrada ha momentos atras. Estava tudo tão perfeito....não me concedam o poder da dúvida. Acabo por ser implacável. E nesse instante vi-me a mim e somente a mim. Regressei e senti o pulsar mais extasiante da dor, aquela sufocada no latejante poço das amarguras vivenciadas e senti-o a escorrer pelas minhas pernas, as batidas ao fundo da barriga, o desespero em perder o controle num circuito fechado.
Cheguei.

E para quê? No fundo observamos a condescendência de atracções, paixões, empatias sentidas pelo exterior, vertiginosamente aceitamo-las e prosseguimos. Confusão, choque, ambiguidade ao extremo.
Pânico, não saber reagir. E de repente ver tudo claro como água. Medo do que se poderá passar. Não nojo, porque nojo remeteria para o inaceitável, eu aceito, eu apenas me interrogo como será. E morro de medo de perguntar. Porque não vou ser capaz de aceitar a resposta. Porque quase a adivinho.

.: and the hardest part was letting go, not taking part:.
..:it was the hardest part:..
..:and the strangest thing was waiting for that bell to ring:…
..:it was the strangest start:..

Passo a passo. Dia a dia. Estar ao teu lado, olhar-te nos teus olhos e tu não compreenderes a tempestade que habita em mim. Essa mesma que agora amenizada não deixa de me atormentar. Sentir que tu não percebes nada e eu não consigo me exprimir. Porque não sei. Porque nesse momento saberia o que dizer mas tu não saberias o que me responder.

Every time i think of you
I feel shot right through with a bolt of blue
It's no problem of mine but it's a problem i find
Living a life that i can't leave behind
There's no sense in telling me
The wisdom of a fool won't set you free
But that's the way that it goes
And it's what nobody knows
While every day my confusion grows

Porque num processo de fusão categórico, derramei uma vasta imensidão de certezas e dúvidas, de entrega total a uma desejo penetrante. E foi tão bom. E é. E foi uma sexta-feira tão perfeita, e tu foste tão perfeito. E gostei e quis e tive. E continuei e exasperei no sentimento mais contraditório do ser. Fomentei um intercalar de visões sinistras do mesmo ser, no antídoto estavelmente construído sobre amarras de papel. De fome e sede abrupta saciadas em pedaços meramente corporeos. Porque vomitei psicologicamente um enterrar de passados esquecidos e ultrapassados, medianamente corrumpidos por qualquer grito mais enraivecido do “interior”. Do receio longínquo do meu ser.

I feel fine and i feel good
I'm feeling like i never should
Whenever i get this way, i just don't know what to say
Why can't we be ourselves like we were yesterday
I'm not sure what this could mean
I don't think you're what you seem
I do admit to myself
That if i hurt someone else
Then i'll never see just what we're meant to be

E da mentira que me invade peremptoriamente. Oculto? Será que escondo? De ti, medes-me nos efeitos todos os dias. Retira dois por semana. Pensa no feriado. Levas o que podes percepcionar e o que não consegues decifrar de mim. Eu seguidamente permaneço incólume ao teu respirar. Sinto-o mas rapidamente dissocio-o de mim. As vezes imagino-o ofegante sobre o meu corpo, fecho os olhos e rejeito o que ouço instantaneamente apenas me deleitando com o que já não sei como conter. and the hardest part was letting go, not taking part. you really broke my heart. E tu vês isso? Não. Forte, fria e indomável, ascendência a Erika aspiro ser. No minimo compreender. Minto-te mas sinto que me mentes ferozmente, num terreno escorregadio de passos atras.
Eu aceito, eu revejo. Eu anoto e assino por baixo a acta criada no horizonte vertical da insanidade. Eu vou até ao fim.

Every time i see you falling
I get down on my knees and pray
I'm waiting for that final moment
You'll say the words that i can't say


é inadmissível tanto tempo sem escrever nada, peço desde já desculpa a todas as pessoas que aqui vem e tal, mas assim de repente o meu dia a dia tornou-se uma correria, mas coisa que amo fazer na vida como sabem é escrever, estes textos chatos e grandes, daí a minha necessidade como escape que prometo que será mais frequente. Tambem farei um post de homenagem a uma pessoa que venero mesmo e que se casou faz mesmo pouco tempo....enfim....até la barata! eu farei! =)

New Order/ Bizarre Love Triangle

Coldplay / The Hardest Part /ouvida incessantemente naquela casa pelo meu carimbo preferido =P

Setembro 06, 2006

a falta que me fazes

1. No vão de quem puxa por nós, por ti, por mim. Na intempérie do desejo, do sufoco, da vontade aberta ao destino alheio. Da mesa que permanece vazia de afecto, do soalho a cheirar ao quente aroma de Verão, da cor salgada do mar. A luz que entra ténue pelas frincheiras da janela, iluminando as penumbras dualistas do seu entendimento, abandonado à fugaz conquista do doce périplo oculto na inconsciência sarcástica.

quem te vê partir quem te vê voltar, quem chama por ti antes de chegar
2. Eu, tu, nós no derrame do ser, descendo vertiginosamente pela pausa assolapada do nosso equidistante caminho, esperando uma resposta contra-producente, um medo inesperado do vazio que nos consome e divide numa unica identidade perdida. Caminhas em vagos passos, percorres a insensata trilha que traçaste a custo, escondendo o tudo e o nada, mantendo a perene ideia que isso se poderá indiciar. Crês, escondes, mentes. Confias num vale disperso de matéria vã, eclética decisão num assombroso percurso gasto à partida. Perdes.

quem te conta historias para adormecer
quem te acorda antes do sol nascer

3. Deito-me serenamente sobre a areia molhada, afagando as minusculas partículas finas que me deslizam pela pele molhada e observo os teus movimentos contorcionistas para conteres a promíscua perda de sentido. Olho em redor e não vejo nada. Alcanças peremptoriamente o vácuo de hesitações recolhidas no teu bom-senso e aproximaste lentamente do meu corpo. Deitaste sobre a tua fome e percorres serenamente o meu corpo, pausadamente enches-lo de saciedade, de vontade, de sede morta numa montanha-russa desnivelada pela tua racionalidade, afundas o teu eu no meu, onde o sol bate forte, onde a raiva excede limites, onde as ondas rebentam vagarosamente, onde os meus membros descansam infinitamente. Escolhes.

quem te fala de viagens sempre à aventura, quem te poe em verso como uma pintura

4. Uma cadeira. Uma mesa. Uma janela. Entra por ela, invade o compartimento de luz. Sentas-te, pedes-me para começar mas logo depois foges implorando para parar.
Foges, incendeias, atiras deploravelmente para o chão, ainda aceso.
Gritas, não queres acreditar.
Vives num mundo de estáveis amarras de pedra, construídas sobre a mais sólida origem da verdade, ou da mentira, como te for mais conveniente, asseguras um futuro deserto de afectos conseguidos. Há coisas bem mais faceis de lidar.
Aprendes o registo da sobrevivência e afastaste de mim. Sobes ao andar da protecção divina e ali ficas sentado à espera. Pintas por cima, pintas por cima. Apagas. Riscas por cima, riscas por cima. Segues. Sem te definir mas segues. Tapas por cima, tapas por cima.

quem te vê perder, quem te vê ganhar
quem fica com frio se nao te esperar

5. Eu e ela sentadas diante uma da outra. Loucamente à espera do descer de qualquer insensatez mórbida. O vento. Entra preguiçoso revirando os contornos da minha idealidade. Da nossa. E de ti? Sabes alguma coisa de ti? E dela? Ela espera por mim, não se recobre com medo do nada. Inesperado seja quem for, que atire a primeira pedra. No contexto descrente do ser, evidencia-te. Sobe. La em cima. Eu estarei aqui para te ver. Talvez para te segurar. É isso que queres? Escorregar sobre essa loucura sem pedires permissão? E o sopro da aragem que bate no estore? Insistentemente me transpõe para um cerco de inquietações austeras, aquelas que me catapultam para aquele patamar de certezas absolutas, da realização adiada para a eterna busca do sonho esquecido. Quem?

sou eu

6. Acreditas? Espero que sim. Peço que sim. Anseio pelo leve conflito de valores sóbrios.
Derreteu. Gelou. Nas minhas mãos. A dúvida. A indecisão injusta. A cor. O sabor. A pura sensação de desejo pensado e repensando. A desenvoltura. A quebra de laços sufocantes de um passado inexistente. O não saber lidar. Não saber reagir. A luta constante dentro do meu proprio limite para o evidente. Porquê? Vergonha encerrada num poço sem fim. Ultrapassar. Ajuda. Amizade. Ei-la aqui ressuscitada das cinzas.
Enquanto isso, ainda resta tempo para premeditar o que optar para ornamentar a mesa posta para a concretização falhada. Obscura premissa enterrada nesse territorio amaldiçoado. A da não-aceitação. E depois?

a falta que me fazes



Optimas ferias, mas curtas =) Espero que as vossas tenham sido as melhores possiveis e bem-vindos a mais um ano de trabalho =P


@Susana Félix / Sou Eu

Agosto 03, 2006

more than this

Gosto de pender a cabeça pa trás quando inicio um raciocinio. Espreguiçar ao máximo a minha capacidade de organizar o vai e vem de pensamentos soltos que constantemente se desprendem da minha mente atabalhoada. Gosto de parar por segundos no meio da confusão vivencial, do desconforto casual, da timidez assolapada, do obrigatório, do impertinente, do necessário. Do imediato. Logo e já.

Já morri a morte certa
Já senti a fome apertada
Já bati à porta incerta
Viajei de caixa aberta...e vou
Pecado, fundido, queimado..

Deixei-me seguir por uma linha não muito recta, algo que me guiasse no objectivo de alcançar o pretendido, mas o que é pretendido? Não pensei, não premeditei, simplesmente fui. Sol, calor, vento, noite, arrepio, 30 graus, 33 graus, 24 graus, roupa branca, azul, laranja, força, obstinação, sorte. O que foi de valor? Sim, estou arrependida de não ter lutado nada por mim durante mais ou menos 6 meses mas e agora? Fica a miuda mimada, que tem tudo o que quer porque o paizinho concede sem antes derramar sobre a sua figura a maior das frustrações. Condenou-me pelos seus proprios actos. E depois? Adianta o ‘tenho razão’? Não...e no fundo o que se retira daqui? Uma sensação de felicidade imensa, incomparavel a qualquer momento. Verão. Verão, Verão.

Todos me tratam por você menos tu nem sei porquê...
Fico parado e o mundo vê...
Só eu sei quanto paguei...e subi e nem pensei....
Nem pensar onde cheguei...


Dividida? Estarei eu a querer escorregar onde não posso sequer pensar em descer?
Por momentos fiquei atonita com toda a situação. Por singelos segundos acreditei que ninguém...confiança? Onde se encaixa a amizade e o respeito? Eu fui, eu sou, eu sempre serei. Orgulho de uma personalidade limpa, as coisas são ou não são.

‘Há uma coisa que eu me apercebo de falar contigo...tu és uma pessoa muito honesta...aparte da primeira impressão de ti...senti.te logo muito descontrolada so pelo olhar..mal olhei para ti...mas acima de tudo es muito honesta para contigo e para com os outros’

Stop. Parei. Rewind. Não te apercebeste. Sequer.
‘’Es feliz?’
‘ Não’

Já desci lá em baixo ao fundo
Já falei com outro mundo...e então ?
Já passei o limbo-limbo
Já subi ao purgatório...e vou
Zangado, bem vindo ao passado
Pecado, arrependido e queimado

Falta a subdivisão da minha bipolaridade. Qual? A orgânica.
No corredor hormonal que se espelhava no meu corpo, contive-me. Maldita conversa. Sempre a mesma.
Porque arrumei tudo tal como ela, porque comprei e estipulei o que usaria, porque sai e viajei. E foi tão....
Porque o tempo passou, porque escondi as lagrimas que me escorriam pela cara abaixo quando aquele me confrontou com o presente, porque senti-me claustrofobica. Ele não descia, a fome invadia-me, o medo resplandecia. Deitei-me. Ouvi antes de adormecer. Silenciei. Acordei. Aquela casa provoca-me enchentes de pânico. Cheio. Cheio demais. A transbordar. Levantei.me entorpecida no meu sufoco, água bebi, não escorria, so queria sair dali e descer e subir todas aquelas ruas íngremes de uma cidade desconhecida. Queria perder-me até me encontrar dentro da minha falta de ar. Não respirava. Tudo eclodia ca dentro. Peguei em 3 deles e engoli-os. Deitei.me novamente.

People i know, places i go, make me feel tongue-tied...
I can see how people look down, they're on the inside...
Here's where the story ends...

People i see, weary of me showing my good side...
I can see how people look down, i'm on the outside...
Here's where the story ends
here's where the story end...

E de repente dei-me conta que era capaz. De repente senti-me realmente a ceder ao campo do eufemismo mais indissociável do ser. Quis-te. Reflecti em ti o apoio que precisava. Ajudaste-me. E eu sinto.me tão bem mas tão bem....
Fiz o reconhecimento de um terreno condenado à partida. Soube-me bem.
A doce sensação de tudo. A ténue ambivalência de me opor a mim mesma. Sim a fobia do vazio. Desculpa. E agora?

I could feel at the time
There was no way of knowing
Fallen leaves in the night
Who can say where they're blowing
As free as the wind
And hopefully learning
Why the sea on the tide
Has no way of turning

More than this...you know there's nothing
More than this...tell me one thing
More than this...there is nothing...

Não é uma questão de acreditar, não se trata de confiar.
A fobia castradora do medo inequivocamente me assola continuamente. E penso...repenso...
Estradas e mais estradas, continuas e descontínuas no seu caminho primordial, fabricas, industrias, lembranças não muito felizes, sossego, culpa. As biubas. Eu adoro o teu sorriso. Quando te irritas e eu implico com esse estado de graça. No fim sempre sorris. Porque eu não sei e tu também não sabes mas eu gosto e vou continuar.

It's that little souvenir of a terrible year which makes my eyes feel sore
and who ever would've thought the books that you brought were all i loved you for...
Oh the devil in me said 'go down to the shed'..
I know where i belong..

Porque no fim tudo é o mesmo.
Porque amei cada minuto desta semana
Porque vou amar os da proxima
Porque sei que nada volta a ser como era antes
Porque no absoluto eu sinto-me completa.
Porque sei que vivo rodeada de quem mais me merece
Porque continuo a sentir a falta dos meus amigos em qualquer lugar
Porque sei que posso contar com mais do que 10 amigos verdadeiros
Porque no fundo sempre me senti feliz na busca incessante do meu desejo
Porque a claustrofobia me estilhaça em mil pedaços insanos
Porque no fundo sei quem sou e o que sou capaz
Porque tudo é simples e natural
Porque eu esperava algum respeito da tua parte
Porque eu não te pressionei
Porque eu...

Porque não tens de saber nada


but the only thing i ever really want to say
was wrong
was wrong
was wrong


It's that little souvenir of a colorful year which makes me smile inside...
so i cynically
cynically say

the world is that way
surprise
surprise
surprise
surprise
surprise

Here's where the story ends...

Uma historia que acaba por nunca acabar. Porque eu ainda me lembro de ter saltado incessantemente com a furia do viver na cama dela ao som disto e daquilo.
Porque sao muitos ‘Tu’ distintos....porque fui invadida por muitos seres, feitios, e personalidades nas ultimas duas semanas, porque me apeteceu chegar aqui e escrever.

Peço desculpa pela tardia actualização do blog mas não me foi de todo possível antes.
Com isto aproveito para colocar uma pausa no blog durante este mes de Agosto, dado que como eu vou de ferias o blog tambem vai.
Boas Ferias =)

*GNR / Bem-vindo ao passado
*GNR / Verbo Amar
*The Sundays / Here’s where the story ends
*10.000 Maniacs / More than this


here's where the story ends...

Julho 12, 2006

this is dedicated...

O silêncio move-se entre as crateras inconscientes da mente aberta. O som, o pulsar antagónico, o vento que trespassa os interstícios intemporais, a viagem sem volta.
Que nada se assemelha ao que esperamos da vida, ao que esperamos de nós próprios.

Será que é fácil? Será plausível? Dor de cabeça latejante. Agonia. Sufoco. Só mais um dia, só mais uma noite. Só desta vez deixa-me cometer os mesmos erros. Agora, neste preciso instante concede-me a possibilidade de errar. Outra vez.
O calor. Lá fora. Amo. 30 graus. Talvez mais. Talvez quando eu criticava os temporais e as temperaturas baixas. Agora elas elevam-se fora e dentro de mim. Esperança. Esforço. Algum? Musica. Ligar as colunas e deixá-la rodar até ao fim em médio volume. Ausentar-me do meu proprio som. Agudo, ensurdecedor. Não aguento. Toleras-me mais uma vez? Pergunta retórica. Retundante confirmação. Vale a pena? Insisto. Sei que tenho razão. Prossigo. Condescendo mas não acredito. Circundo este compartimento. Ele enche-se de cor e dramatismo. Pequenos instantes de escape irracional. Ato a independência à auto.estima por uma corrente esfarrapada, quase nula. Acima de tudo, não confio. Espero. Voltas? Lembraste-te? Claro que não. Eu naufraguei no teu pensamento e tu nem te apercebes. Continuo a inspirar-te à distância. Ainda te lembras do meu riso? Ainda sabes quem eu sou? Desci para o 999º lugar no ranking das prioridades. Quem? Sim gostei. Senti-a, a ela, e a ele. A eles. A todos aqueles que me sustentam na sua memoria. Agradeço tudo, o olhar, o exagero, a critica, o elogio, a lembrança. A mensagem. O acordar. Massacrante renascer. Ver-me ao espelho. Eu. Cortar, pegar em tudo, baralhar. Sair. Chegar. Entrar. Repulsa. Ninguém entende. Nunca ninguem vai entender. Para quê a compreensão do ‘exterior’ se ele em nada me poderá ajudar? Apenas e somente eu posso erguer do fundo do poço, do cinzeiro apagado de pormenores, meros restícios de um nada perdido num todo.
Analiso quem passa por entre as portas entreabertas da ilusão, transformando este dispar ‘mundo’ em algo mais. Simbologia? Observação. Observam-me. Sinto-me tonta. Penso, apelo ao raciocinio. Nada me ocorre. Fundo. Processo indissociavel da mente dispersa. Enraiveço. A mesa torta, as folhas riscadas. A simpatia alheia. A nova oportunidade envenenada. Contenho o tumulto que agora se concentra na escuridão lateral. Aquela que sempre me espera. Calma. Terreno dividido entre o bom-senso e racionalidade. Refugio-me. Só desta vez. E custa. Custou aguentar todos aqueles minutos. Libertou-me aquela saída assolapada. Foi fácil. Será sempre assim. Porquê as duvidas? Esclareci-as no vão do meu pragmatismo. é como se tudo fosse assim tão simples...Pergunto-me e porquê? Projecto, ‘e cmo será?’ Desespero. Nada disto. Absolutamente nada. Inteiramente nada. Sede, muita sede. Cores, amarelo. Riscas horizontais, verticais. Calor. Deitar-me. Para quê? E agora? Como vai ser? Vou conseguir? Não tolero. Enjoo. Como recalcar? Capaz? Eu? E tu? Onde estaras tu? Não me vai interessar. Mais. Pertences a um novo mundo. Fugir. Eis a palavra chave.


Onde, como e quando? Desistir? Será esse o termo? Para ela tornou-se mais dificil. Para ele não. Morrer é fácil. Desistir não. Lutar pelo que se é. Pelo que se quer. Lutas? Não sei. Eu não luto. Sei o que quero? Para quê saber? Chegarás a algum lugar assim?

‘tudo é igual em qualquer lugar, não adianta fugires Morvern. Pára de sonhar’

Sonhar....deixar-me levar. Até onde? Até a colina da letargia psicologica em crescimento logarítmico? Olhar em redor e não atingir. Paredes a escorregar no horizonte, obstáculos criados no inferno do consciente. Novamente desistir? Ser quem agora? Continuar a sofrer anos por anos em prol de quê? Afinal o que é isto? Viver ou sobreviver?


While i'm far away from you, my baby
I know it's hard for you, my baby
Because it's hard for me, my baby
And the darkest hour is just before dawn…

Each night before you go to bed, my baby
Whisper a little prayer for me my baby
And tell all the stars above
This is dedicated to the one I love

Life can never be exactly like we want it to be….
I could be satisfied knowing you love me…
There's one thing i want you to do specially for me
And it's something that everybody needs….

While i'm far away from you, my baby
Whisper a little prayer for me, my baby
Because it's hard for me, my baby
And the darkest hour is just before dawn..

If there's one thing i want you to do specially for me
Then it's something that everybody needs...

Each night before you go to bed, my baby
Whisper a little prayer for me, my baby
And tell all the stars above
This is dedicated to the one i love
This is dedicated (to the one i love)
This is dedicated to the one i love
This is dedicated (to the one i love)
This is dedicated...

Simplesmente quando não ‘estamos’ aqui mais vale nem tentar. Somente procurar, correr, viajar, fugir.....

OST@ Morvern Callar

Julho 04, 2006

i can’t carry on

‘ 0h26 marcava o relógio do veículo. Olhara fortuitamente para fora e confirmara.
Subitamente todo o meu corpo estremeceu. Eles riam animadamente mas eu entretanto começara a perder-me no meu abismo existencial. O cinto apertava-me, o casaco sufocava-me, o peito explodia. Voltas e voltas. Rotundas e rotundas. Risos e felicidades partilhadas. Eu rira forçosamente. Mesmo ao teu lado entrava num processo de demência espiritual. Cada minuto pesava-me atrozmente, senti a pulsação a acelerar e a temperatura a subir. Não conseguia respirar. As curvas continuavam. Chegamos. Deixámos e partimos. Abri o vidro o mais possível e tentei respirar. Não conseguia expirar. Arvores perdidas na escuridão da noite, atalhos silenciados por placas informativas e sobretudo o silêncio de cortar a respiração. Não conseguira proferir qualquer palavra. Eles retribuiram-me o momento e eu agradeci de cada entranha incendiada do meu ser. Minuto a minuto, acumulavam-se todas as frustrações, todos os devaneios, a vontade de ceder e deixar-me cair rua abaixo, sentia-as demasiado tensas, como que a explodir por entre as meias e os tenis exagerados.
O vento entrara calmamente e tentava-me acalmar em vão [caught a look in your eyes, did they linger too long?] Cheguei e não tinha palavras para dizer. Obrigada, desculpem, pessoas com uma educação extrema que não poderiam ter vindo de outro sitio. Entrei, fechei a porta e atirei a mala para cima da cama. A luz da lua iluminava tenuemente o quarto. Desenhavam-se sombras da minha desarrumação nata que agora me causava claustrofobia. Corri para o parapeito, inclinei-me, queria fugir de toda aquela confusão, não aguentara sequer olhar para pedaços dele, ele que me fazia tanta falta naquele momento [we're you just being kind, or have i read it all wrong, when i brushed by your side]. Sentei-me, bebi o copo de água, olhei desesperadamente, media-a. Era inevitável, teria que me deixar levar. Mesmo assim ainda tentei resistir, só que as forças falhavam-me. Todo aquele momento estava pautado à minha condenação infame. 39.5 marcava. Fui a cozinha, tomei o comprimido. Acendi a luz e observei. Acabei por desviar apenas algumas peças de roupa misturadas com livros, malas e maquinas de calcular e sentei-me novamente. A febre subia exponencialmente no pensamento de cada minuto daquela dia. O calor invadia-me agonizante enquanto me sentia cada vez mais fria e vestia roupas em cima de roupas. Rolei no chão tal como me apetecera horas antes naquele circuito de alienação asquerosa. Ela doía-me cada vez mais, era impossível aguentá-la sequer, pesava-me como se so ela existisse no meu corpo, não conseguia ja sequer fazer uso dela- pensar.
Então deixei-me ir e expeli tudo aquilo que me consumia. Senti o sangue a escorrer pelas minhas pernas, o segundo dia de um período inglório, os enjoos apertavam-se contra o meu peito, apelei aos meus impulsos e vomitei. Tudo que não me permitisse inspirar, saira agora [i must gain control, i must take care]. Só que permaneciam os resticios da minha insensatez. Porque agora, naquele dia eu deixara-me atingir? Porque naquelas horas eu perdia o controle sobre algo que sempre me pertenceu? Porque eu estranhava o meu redor? Cada vez mais escorregava, impelida para um vácuo de afectos inexistentes. Não conseguira compreender que tudo não passava de um encontro, de uma noite. Mantinha o desespero que me suplantava para a dimensão da solidão e não conseguira acreditar. Simplesmente as peças não encaixavam como num puzzle.
Pemaneci serena, conseguindo ouvir o aumentar de cada ritmo cardíaco, o elevar de cada décima de grau, conseguia até sentir todo o meu corpo a pulsar. Pensara em ti, invariavelmente vinhas-me a cabeça. [suddenly i realised, there’s something going on]. E pela primeira vez senti repulsa no desejo que emanava de cada partícula minha [i’m falling for you, whatever it is, whatever you do]. Sentia nojo por desejar-te a ti em toda a tua dimensão [can’t allow this to ever]. Não por ti. [become an affair] Por mim. [but the tension is sweet]. Caí subitamente. Procurei afoita. ‘onde ele esta?!?’, já não aguentara o peso do copo e deixei-o estilhaçar-se no chão. Encontrei-o finalmente. 12. faixa 12. [you’re gonna walk alone, you’re gonna wonder who you are], não precisara de mais nada nesse momento. Só dela.

Elas cairam levadas pelas enchentes que se desprendiam dos meus olhos. Olhava aquele quarto, aquele silêncio, escutava-o indignamente, percorrendo momentaneamente o vicio da minha loucura. A balança, o equilibrio. Ali era o tudo ou nada. Era o sono que desaparecia, eram as luzes que se apagavam, a não-entrega, o não-acto, o fugir constantemente, o evitar [all night, i think of nothing else] O pensar. E se? [but if i could sit out this storm, i’d try to forget how i felt] Talvez eu não conseguisse encarar [but as soon as i see your face] Talvez fugisse mais uma vez para o vão solitário das minhas memórias e cedesse ao medo [i’ll just fall] Talvez acontecesse [Fall] E depois? Irias compreender o como e o porquê? [fall for you]
Gritei, destrui, sacrifiquei. No fim dos 6.37 conseguira finalmente inspirar e expirar. Levantara-me, circundei cada patamar fechado, cada subdivisão de mim, cada injustiça que inconscientemente cometia. Mesmo sabendo como tudo iria acabar.
Exorcisei os fantasmas que me possuiam e rendi-me a mais uma etapa [gonna kill this thing forever] Encerrei a frustração em direcção ao nada e adormeci, silenciando os demonios que rodeiam a minha consciente insanidade [i can’t carry on]’



musica escondida [Falling for you] / Skin

Junho 30, 2006

post blue

[Sitting target] [Sitting waiting] [Anticipating] [Nothing]
  • Termos a ousadia de nos deixármos levar é curioso e estimulante. Até diria é tudo. Conseguirmos nem que seja por uns meros dias o ‘tudo’ é excitante.
    Eu sempre o quis e tive-o. E continuo com a mesma percepção do que preciso para ser feliz. Porque me deixo abater tantas vezes pela inércia? Orgânica, letárgica, voraz, consumista de pecados alheios, ela possui-me. Eu desta vez fui mais forte mas tive ‘saudades’...só que passaram...não lhe chamaria assim mas mais ‘sintomas de privação’. Privação do nada? Pode suceder...mas ele não me faz falta...faz sim! Faz para conseguir compreender que o tudo existe e é mais poderoso.

[life is full of surprises] [it advertises] [nothing]

  • Levantar apenas no silêncio da noite. Prosseguir até a cozinha sentar-me, beber um copo de água. Tomar aquele comprimido. Olhar-me a espelho e molhar a cara, esfoliando-a em seguida. Sentir o sono a apoderar-se de mim e caminhar para a cama, espreguiçando-me, tomando a sensação do lento movimento das minhas pernas nos lencóis, o dócil tacto daquele lado da cama, aquele cantinho só meu, o aroma a Verão, a roupa leve e à medida do meu corpo.

what am i trying to do

  • O vazio absurdo, o vómito, o enjoo. A agonia. Sentar-me e perguntar-me porque estou assim e não obter resposta. Porque estou assim sempre por qualquer motivo. Questionar: ‘estou bem? mal?’, nenhumas das duas coisas. Ali aquele estado intermédio. Estou de tpm? Estou cansada! E isso rejuvenesce-me. Faz-me dar valor ao dormir horas seguidas e ainda ter tempo de me levantar só para ir ali

what am i trying to say

  • Dar voltas e voltas na cama e não compreender. Um é energia pura, constante alegria, vida, exagero e impulso. Outro ponderado, calmo, racional, receoso, cautelista a 100%. Tão diferentes e tão iguais. Sou o tudo e o nada para ambos. Desconfio que para um mais uma ‘surpresa’ surpreendente e para outro a prioridade que o assusta. E depois? Continua tudo na mesma. Porque eu vou chegar ali e vou constatar que a minha paciência fechou-se num ciclo ideal de Carnot em que produzi o máximo trabalho possível.

i'm not trying to tell you anything

  • Só de pensar....nele que está aí. Depois dele venho eu. E eu com ele. O meu Verão. Mas porque é que a sensação é sempre a mesma? Ouvem-se as mesmas musicas, partilham-se as mesmas confidências, apreendem-se os mesmos resticios. ‘gosto muito mais de ti ora....até porque já te conheço ha mais tempo...oh Andreia n faças essa cara é verdade, tu es tu!!’ Sinto a vossa falta e pesam-me as novidades, não nos termos pessoais mas nos relacionais, afastamentos conduzem sempre a situações desconfortáveis mas também de euforia extrema.

[You didn't know] [When you woke up today]

  • ‘deitar-me sobre o teu peito, deslizar lentamente no teu corpo, entregando-me lentamente ao prototipo do prazer e da imaginação, afinal é hora de jantar e eles esperam-me para lá comer, desligo o telemovel, entretanto ela telefona, ele ri e eu deixo tocar, continuo a percorrer incadescentemente cada momento nosso e sim é isso mesmo, mais e mais e mais.....acordas-me, levanto-me repentinamente, tropeço, não caio, corro para o elevador afoita....’

it's in the water baby, it's in the special way we fuck

  • Porque me sinto extremamente cansada, quanto mais corro mais quero fazer maratonas. Sinto-me muito viva e feliz. Sinto que nasci para ‘correr’ para estar activa em todos os meus dominios porque só assim me consigo desprender. Saber perceber do que preciso e efectuá-lo. Os meus momentos? Esses ficam para quando sobrar tempo.

always know the prospects

  • O ser humano é feito para viver apenas e somente à custa de si proprio e se tiver ‘apoios’ melhor. Sente, emociona-se mas cria muitas vezes uma farsa e acredita nela. E depois faz acreditar os outros. E pior ainda...espezinha quem tiver que pisar porque afinal ‘tudo mudou’. ‘ tudo bem??? =D’

Learn to expect nothing

  • Aiiiiiiii vejam só esta conversa que supus ter um dia com alguém...
    Eu- ‘ quantos filhos queres ter??
    Pessoa-‘ não sei....para aí...2 ou 3..no máximo...’
    Eu-‘ oh pah please...eu quero ter zeroooooooooooooooo, va la!! Zero!! No máximo!! Please!!’
    Tipo tava a tentar dormir, acho que na vespera do exame de QOII sera? Já não sei e tava a rir e a pensar etc e tal e pronto =) legitimidades...

i'd break the back of love for you

  • De ser, de agir, de preponderar. De desiludir, de ser hipocrita, de ser completamente dispensável. De ter direito a viver e a fazer o que quiser porque afinal somos todos humanos =) De ter direito ao silêncio e à procura ofuscante do seu ‘eu’. De criticar e de se sentir magoado. De pedir desculpa e esperar exasperadamente....pelo quê?

[nothing]

[nothing] @Depeche Mode [post blue] @Placebo